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fosfato 180x180 - Restrição de Fosfatos

Restrição de Fosfatos

Geralmente não se faz restrição de fosfatos em doentes com hipercalciúria idiopática. Esta restrição pode ter algum interesse apenas em doentes com infecção urinária a microrganismos desdobradores da ureia, como o Proteus ou a Klebsiella. Uma dieta baixa em fosfatos conduzirá à diminuição de fosfatos na urina, diminuindo, portanto, a saturação da mesma em fosfato de amónio e magnésio. Esta diminuição teoricamente constituirá um impedimento ao crescimento do cálculo. Nos doentes com litíase cálcica idiopática, não se deve limitar os fosfatos para não agravar a formação de cálculos. A diminuição dos fosfatos na urina aumentará o cálcio livre por não haver formação de complexos de fosfato de cálcio. O cálcio livre aumentará a atividade iónica na urina e, naturalmente, o risco litogénico nos casos raros em que esta redução é levada demasiado longe, podendo aparecer as complicações habituais das síndromes de depleção de fósforo – miopatia e osteomalacia.

Struvit Guelleaufbereitung 180x180 - CÁLCULOS DE STRUVITE

CÁLCULOS DE STRUVITE

Os cálculos de struvite, frequentes no passado, vêm diminuindo nos nossos dias. Na sua génese estão as bactérias capazes de fazer o desdobramento da ureia, alterando o pH urinário, originando a deposição dos fosfatos.
O tratamento deve basear-se nos seguintes princípios:
1) Remoção completa do cálculo da árvore urinária.
2) Cura da infeção.
3) Correção de anomalias condicionantes de estase.
4) Identificação e correção de fatores de risco metabólico, quando associados.

Sodium Cyclamate NF13 CP95  180x180 - Magnésio

Magnésio

Admite-se que a formação de um complexo entre o oxalato e o magnésio levaria à redução da super-saturação da urina em oxalato de cálcio. Por outro lado, o pH urinário e o citrato urinário aumentam com a administração de magnésio. Igualmente o magnésio tem um efeito inibidor sobre o crescimento dos cristais de fosfato de cálcio.
Estes dados levaram-no a ser indicado no tratamento da litíase cálcica com ou sem hipomagnesiúria. Os efeitos secundários são a diarreia, as alterações do sistema nervoso, a insónia e as paresias. A excreção do cálcio aumenta igualmente. A adesão ao tratamento nos ensaios existentes foi boa. Tendo em conta os ensaios em duplo anonimato, quando comparado com o placebo. Quando se usou o magnésio com o citrato de potássio, os resultados aos 3 anos mostraram uma diminuição da recorrência.
Em resumo, os sais de magnésio sozinhos, isto é, não contendo citrato, necessitam de ser mais investigadores clinicamente para se defender o seu uso solidamente no tratamento da litíase cálcica recorrente.
Nos doentes com litíase úrica, o achado de hipomagnesiúria é frequente. A sua administração oral pode ser um fator favorável para a prevenção da formação de cálculos de ácido úrico, ou até mesmo de oxalato, nestes doentes.
A manutenção de níveis altos de magnésio na urina pode contribuir para o efeito inibidor deste sobre a cristalização, e sinergicamente potenciar o efeito benéfico do aumento do citrato.

Chocolate 1 180x180 - Restrição de Oxalato

Restrição de Oxalato

Só aproximadamente 10% do oxalato existente na urina é proveniente da dieta. O restante é proveniente do metabolismo endógeno. A absorção do oxalato no tubo digestivo depende de vários fatores. Os mais importantes são a presença de cálcio no intestino e o ritmo da sua absorção para além da biodisponibilidade do oxalato nos vários alimentos que o contêm. Nem todo o oxalato presente num determinado alimento está livre para poder ser absorvido. A restrição de oxalato é importante em todas as formas idiopáticas de litíase, mas é na situação de hiperabsorção intestinal do oxalato que a sua restrição se torna mais importante. Nos casos de hipercalciúria de absorção, é igualmente importante controlar a ingestão de oxalato. A absorção exagerada de cálcio no tubo intestinal deixa livre grandes quantidades de oxalato por não haver cálcio para com ele fazer um quelato. Este oxalato livre será absorvido e responsável por aumentar a oxalúria para valores muitas vezes superiores a 60 mg nas 24 horas. Esta situação pode tornar-se ainda mais grave quando se implementam dietas pobres em cálcio sem ter em atenção a ingestão de oxalato, ou se iniciam terapêuticas orais com fosfatos capazes de quelarem o cálcio no intestino, deixando livre o oxalato. Em todos os doentes com hipercalciúria de absorção, deve ser reduzida a ingestão de oxalatos. Na prática verifica-se que, para se conseguirem resultados significativos, basta uma redução moderada, bem aceite pelo doente. Para se conseguir esta redução é necessário evitar todos os vegetais de folha verde escura como o ruibarbo, os espargos, o chá, o chocolate, o café descafeinado e as nozes, todos eles ricos em oxalato. Nos casos de hiperoxalúria entérica ou em doentes medicados com fosfatos quelantes do cálcio, as restrições devem ser mais sérias e devemos recorrer a tabelas que contenham a determinação dos oxalatos nos vários alimentos para se poderem excluir, no máximo do possível, da alimentação diária.
Muitas vezes encontramos estes doentes a fazerem suplementos vitamínicos. Não esquecer que a vitamina C é um substrato para a síntese do oxalato, e doses superiores a 4 g/dia devem ser evitadas pelo risco de aumentar a oxalúria. Já a vitamina B6 deve ser encorajada, uma vez que tem um efeito redutor sobre os níveis de oxalato na urina, pois ela diminui a formação de oxalato pelo fígado. Na alimentação dos nossos dias recorre-se muito a alimentos pré-preparados, sobretudo congelados.
Lembrar que muitos deles têm aditivos que poderão ter um papel muito importante no que respeita às modificações introduzidas na urina, pela presença de substâncias em quantidades suficientes com poderes inibidores e, pelo contrário, iniciadores da cristalização, para além de muitos deles poderem aumentar a oxalúria duma forma direta ou indireta, interferindo na absorção ou eliminação do cálcio, ou até no seu metabolismo.