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sucos 180x180 - Ingestão de sumos e frutas

Ingestão de sumos e frutas

A conversão do ascorbato em oxalato é a razão que fundamenta a proibição de grandes administrações de vitamina C. Na literatura, no que concerne à litíase cálcica, os resultados apresentados são contraditórios. O consenso geral tirado de trabalhos recentes é o de que uma dose diária que não ultrapasse os 2,5 g de vitamina C não parece influenciar a formação de cálculos de oxalato de cálcio.
Em geral, o doente litiásico come pouca fruta e muitas vezes prefere os sumos naturais ou enlatados como substituto. Importa pontuar que há vantagens em consumir fruta, de preferência com casca para aumentar o consumo diário de fibra. Para além disso, na fruta encontramos sódio, cálcio, magnésio e muitas vezes oxalato. E se o magnésio é benéfico, como potente inibidor da cristalização, o mesmo não podemos dizer do oxalato, mas a quantidade de fibra existente minimiza o risco, controlando a sua biodisponibilidade na maior parte dos casos.
Frutos há, no entanto, que contêm grandes quantidades de oxalato na sua composição e que podem provocar hipoxalúria importante, como acontece por exemplo com os morangos. A sua proibição só deve ser encarada se da história se tirar a informação que são consumidos em altas doses, e diariamente, caso contrário deve apenas ser dado conhecimento ao doente do risco para que este modere o seu uso. Outros alimentos são ricos em potássio e citratos, embora possam também conter oxalatos. A subida do pH conseguida e a presença de potássio e ácido cítrico são de tal forma benéficas que não nos devemos preocupar demasiadamente com o oxalato presente. Estão, neste caso, os citrinos, com exceção das toranjas. O seu consumo tem um efeito benéfico nos doentes formadores cie cálculos, um efeito muito igual ao conseguido na clínica com a administração de citrato de potássio. Os citrinos contêm igualmente cálcio e vitamina C e oxalato. No entanto, o valor destes, quando quantificado na urina, não tem significado para consumos diários normais (um litro de sumo de laranja tem menos de 500 mg de vitamina C, aproximadamente 100 mg de cálcio e menos de 20 mg de oxalato). A vitamina C, sendo um substrato para a formação de oxalato, não chega a ser prejudicial nestas quantidades, pois o benefício do citrato presente compensa largamente potenciais efeitos nocivos. Podemos, portanto, concluir que o consumo é benéfico para o doente litiásico. O consumo preferencial de citrinos deve ser encorajado pois seguramente obteremos um efeito antilitiásico semelhante ao conseguido com a terapêutica do citrato de potássio. Não defendemos o uso de sumos enlatados porque a sua riqueza em oxalatos aumenta não só pelo sumo em si, mas muitas vezes pelos aditivos presentes na sua composição, os quais merecem uma referência detalhada, mais à frente.

Hornet vespa 180x180 - Alergia a Veneno de Himenópteros II

Alergia a Veneno de Himenópteros II

As reacções tóxicas e retardadas requerem terapêutica sintomática apropriada que depende do tipo, gravidade e da evolução da reacção.
Após a fase imediata, nas picadas de vespa podem surgir complicações infeciosas cutâneas, relacionadas com os locais frequentados por estes insectos.
A terapêutica de longo prazo apresenta três vertentes: medidas de evicção, kit para auto-administração de adrenalina (já referidos) e vacinação antialérgica.
Existem medidas que podem ser indicadas e que permitem minimizar a exposição a estes insectos:
— Nunca andar descalço especialmente em relvados;
— Evitar o uso de roupa larga com cores brilhantes ou com padrões florais;
— Evitar perfumes ou cosméticos com cheiros activos quando estiver em meio rural no campo ou em jardins;
— Evitar locais onde estes insectos costumam estar, jardins com flores, árvores de fruto, troncos caídos (onde as vespas costumam construir os ninhos);
— Evitar beber e comer doces (compotas) e frutas ao ar livre;
— Evitar caixotes e contentores de lixo;
— Usar capacete e luvas quando andar de bicicleta ou moto, inspeccionar o carro antes de entrar e manter as janelas fechadas;
— Não enxotar as abelhas ou vespas; se for atacado, proteja a cara com os braços ou com uma peça de vestuário;
— Cuidado quando fizer ginástica/exercício ao ar livre porque o suor atrai estes insectos;
— Cuidado ao fazer jardinagem; mantendo os braços, cabeça e corpo o mais coberto possível;
— Andar sempre com o seu estojo de emergência, não o deixando no carro ou em casa.

A vacinação antialérgica tem indicação absoluta em pacientes com reacção sistémica grave mediada por IgE, tendo em conta que, tal como foi referido, existe um elevado risco de reacção grave numa picada subsequente. Em contrapartida, não está recomendada em pacientes com reacção sistémica ligeira, uma vez que, nestes casos, a história natural da doença é mais favorável, excepto quando existe um elevado grau de exposição (por exemplo, apicultores e seus familiares). Não tem qualquer indicação em reacções não mediadas por IgE ou nas reacções locais extensas.
A alergia a himenópteros é uma situação relativamente frequente, ainda pouco divulgada na comunidade médica, podendo relacionar-se com mortalidade.
Continuam a ocorrer casos fatais relacionados com picadas de himenópteros, sendo que o conhecimento anterior desta situação não levou à referência para centros especializados.
O diagnóstico é simples, estando disponíveis meios terapêuticos e profilácticos eficazes.
Só assim é possível uma actuação correcta perante estes doentes, que passa necessariamente pela referência a consultas de Imunoalergologia.