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AINEs (via oral ou rectal)

AINEs (via oral ou rectal) – naproxeno (500-1000 mg); diclofenac (50-100 mg); ibuprofeno (200-800 mg). A sua eficácia é idêntica, mas existem grandes variações na resposta individual e nos efeitos acessórios. Os seus principais efeitos adversos são a intolerância gástrica (epigastralgias, náuseas, diarreia e hemorragia digestiva), reacções alérgicas (asma, rash cutâneo), vertigens e acufenos. Estão contraindicados nos indivíduos com úlcera péptica, história de alergias (asma, hipersensibilidade aos salicilatos), na gravidez e na insuficiência hepática e renal. Podem potenciar os efeitos dos anticoagulantes orais; deve evitar-se a sua associação com o lítio e a ticlopidina.

DSCF1229 180x180 - Globo Faríngeo

Globo Faríngeo

Sensação de aperto ou desconforto na orofaringe, provavelmente por espasmo do músculo cricofaríngeo, que alivia com a ingestão de comida, que não causa disfagia e que agrava em momentos de maior ansiedade. Embora a maioria dos casos sejam de etiologia psicológica, deve sempre ser excluído doença esofágica ou gástrica (refluxo gastroesogágico, úlcera gástrica), ou patologia rinosinusal.

Farmacocinetica 180x180 - Terapêutica para o Doente com UP e sem Infecção pelo Hp, nem uso de AINEs

Terapêutica para o Doente com UP e sem Infecção pelo Hp, nem uso de AINEs

Há doentes com úlcera gástrica ou duodenal ativa, aparentemente sem associação com a infecção pelo Hp ou com a utilização de AINEs, nem com as suas causas mais raras, considerando-se idiopática. Um dos cuidados a ter é verificar se não estamos perante um diagnóstico falsamente negativo da infecção pelo Hp ou o uso sub-reptício de AINEs, incluindo os inibidores da COX-2 ou os antiplaquetários. A terapêutica deste tipo de úlcera baseia-se nos anti-secretores, e dado a sua tendência para a recidiva há necessidade de continuar com estes fármacos após a cicatrização, na denominada terapêutica de manutenção.

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Histologia e Grau de Diferenciação

A definição do tipo histológico e o grau de diferenciação são duas das características melhor estudadas e que há mais tempo vêm sendo utilizadas. A abordagem terapêutica de um adenocarcinoma do estômago (o padrão largamente dominante de neoplasia gástrica) pode ser substancialmente diferente de um GIST (gastrointestinal stromal tumor) ou de um linfoma gástrico. Num mesmo tipo histológico, o grau de diferenciação (habitualmente chamado Gl, G2 ou G3, conforme se trata de tumor bem diferenciado, moderadamente diferenciado ou pouco diferenciado) pode fazer a diferença em determinada opção terapêutica e no prognóstico global; na próstata utiliza-se o score de Gleason (índice de diferenciação específico do carcinoma da próstata) e é um factor de prognóstico e de decisão terapêutica determinante.

Figura41 1 180x180 - A terapêutica de Erradicação do Hp é suficiente para a cicatrização da UP?

A terapêutica de Erradicação do Hp é suficiente para a cicatrização da UP?

Na UP activa após a terapêutica de erradicação do Hp, é comum manter-se a inibição da secreção ácida gástrica com anti-secretores, por um período de 2-4 semanas, para se assegurar uma cicatrização completa. No entanto, alguns trabalhos mostram que a terapêutica de erradicação é suficiente para a cicatrização da UP. O prolongamento dos anti-secretores poderá ser reservada para os doentes que persistem sintomáticos após a terapêutica anti-Hp, nas úlceras grandes (>1,5 cm) e nas úlceras complicadas de hemorragia ou perfuração.

Us pharmaceutical industry analysis1 1024x844 180x180 - Que antibiótico escolher – Factores Inerentes ao Hospedeiro

Que antibiótico escolher – Factores Inerentes ao Hospedeiro

A idade, tendo em conta que esta determina variações significativas em muitas variáveis farmacocinéticas, passando pela absorção, pela ligação às proteínas plasmáticas e pelas perturbações ao nível da eliminação hepática ou renal, incluindo o metabolismo, com impacto potencial no efeito terapêutico dos fármacos, particularmente relevante quando este efeito depende da obtenção e manutenção de concentrações adequadas no local da infecção, e na segurança da sua utilização. A idade é, só por si, um factor de depressão da função imunitária. São exemplo de variações potencialmente significativas:
• A competição das cefalosporinas com a bilirrubina na ligação à albumina sérica que pode desencadear kernicterus em recém-nascidos expostos à ceftriaxona, consequente da imaturidade do metabolismo hepático em crianças recém-nascidas; a diferente correlação nos compartimentos de distribuição dos fármacos neste grupo etário e a imaturidade da excreção renal, implicando a necessidade de tabelas posológicas ajustadas à idade.
• O efeito da redução da acidez gástrica com o envelhecimento na absorção dos medicamentos, podendo reduzi-la ou aumentá-la (caso dos p-lactâmicos) ou a degradação da função renal nos doentes idosos, que pode afectar a eliminação dos fármacos reduzindo a sua margem terapêutica e aumentando a frequência de reacções adversas. Além disso, algumas destas reacções foram descritas em associação com as fases de crescimento dos tecidos em animais jovens, tais como a descoloração dos dentes e da matriz óssea associada às tetraciclinas (particularmente à minociclina) e as artropatias e lesões das cartilagens descritas após exposição às fluoroquinolonas (FQ), sendo recomendado que a utilização destes grupos seja, quando possível, evitada em indivíduos jovens (antes dos 12 anos, no caso das tetraciclinas e antes dos 18 anos no caso das FQ).
– A presença de patologias concomitantes, designadamente as associadas a estados de disfunção imunitária, hepática ou renal.
– A gravidez e o aleitamento, condicionando quer a modificação dos compartimentos fisiológicos relevantes para a farmacocinética, quer a restrição da utilização de fármacos com potencial embriotóxico.
– A função imunitária do hospedeiro, incluindo os neutropénicos, os submetidos a terapêutica imunossupressora continuada (imunossupressores, corticoterapia), os doentes neoplásicos, diabéticos, insuficientes renais crónicos, asplenia anatómica ou funcional, insuficientes hepáticos e os portadores de imunodeficiências congénitas ou adquiridas, entre as quais a infecção por VIH. Estas situações, que, no seu conjunto, agravam o prognóstico das intercorrências infecciosas e podem motivar a necessidade de prolongar o tratamento anti-infeccioso, condicionam também estados disfuncionais imunitários com características diversas, com particularidades individuais que condicionam o tipo de agente infeccioso que poderá estar envolvido. As infecções fúngicas são frequentes nos doentes neutropénicos, incluindo o contexto da neutropenia funcional associada à diabetes; as infecções pneumocócicas são frequentes em doentes asplénicos e no contexto de doenças como o mieloma múltiplo; as infecções por vírus e agentes oportunistas são mais características dos estados de depleção da imunidade celular, como os doentes com VIH e os expostos à ciclosporina.

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Tratamento (Obstrução Gastrintestinal)

—> Medidas gerais – incluem a hidratação, tratamento e.v., intubação gástrica; devem ser resolvidas possíveis causas metabólicas ou medicamentosas.
—> Cirurgia – nas obstruções altas pode ser feita uma gastrenterostomia paliativa ou a gastrectomia ou duodenopancreatectomia (se indicado); na carcinomatose peritoneal, a cirurgia só resolve temporariamente a situação; na obstrução baixa, a colostomia ou ileostomia podem ser a solução para a situação de urgência; em casos selecionados pode ser feita a ressecção do tumor ou a colocação de prótese endoscópica.
—> Nas situações em que os quadros de oclusão intestinal são uma manifestação de fase avançada de doença, em que a solução cirúrgica é inviável, ter-se-á que manter a terapêutica medicamentosa e que pode incluir: manter entubação nasogástrica, equilíbrio hidroelectrolítico, sedação, antieméticos, fenotiazinas, corticóides ou análogos da somatostatina (como forma de redução da secreção intestinal).

metfor10 180x180 - Biguanidas

Biguanidas

— Metformina (Stagid 700 mg, Glucophage 500 mg; Risidon 850 e 1000 mg).
A metformina inibe a neoglucogénese, diminui a absorção gástrica de glicose e aumenta a captação de glicose pelo fígado e pelos tecidos periféricos, o que permite uma redução de 1,4% da HbA1c sem que haja uma sobrecarga para as reservas (já diminuídas) de insulina endógena. Não é metabolizada e é excretada inalterada pelo rim.
Além disso, diminui triglicéridos entre 10 a 20%, aumenta 10% o HDL e melhora a função endotelial e a fibrinólise.
A sua utilização leva a uma redução significativa das complicações microvasculares e da mortalidade global.
Está indicada na DM tipo 2, particularmente em indivíduos obesos e em associação com as sulfonilureias, glitazonas e com a insulina.
As contra-indicações da utilização de metformina são a insuficiência renal (creatinina plasmática >1,5 mg/dl), hepática, doença pulmonar, ICC, infecção grave, história de acidose láctica, utilização de contraste com iodo.
A hipoglicemia não ocorre quando se utiliza em doses terapêuticas, e os efeitos secundários mais comuns são os gastrintestinais que ocorrem em cerca de 20% dos doentes com diarreia, vómitos, flatulência e anorexia. Deve-se iniciar em baixas doses, após as refeições.
A acidose láctica, embora rara (1 caso em 100000 doentes), é frequentemente fatal e ocorre principalmente em doente com insuficiência renal.

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Medidas Gerais (Úlcera Péptica)

A UP não complicada e na fase activa, isto é quando há uma lesão ulcerada gástrica ou duodenal, é tratada em regime de ambulatório. O doente pode manter a vida activa, uma vez que os fármacos hoje disponíveis conduzem à rápida resolução dos sintomas. As refeições devem ser tomadas com regularidade – quatro por dia e sem ceia – equilibradas e com moderação no uso de condimentos, de álcool, de café e de chá. O tabaco deve ser desaconselhado e os AINEs suspensos sempre que possível.

Figura41 1 180x180 - Úlcera Péptica

Úlcera Péptica

A úlcera péptica (UP) é caracterizada pelo aparecimento recidivante de lesões ulceradas, em geral únicas, nas áreas de mucosa de transição do tubo digestivo, expostas ao ácido e à pepsina, mais frequentes no bulbo e na cavidade gástrica.
A infecção pelo Helicobacter pylori (Hp) é a causa major de UP em todo o mundo.
Nalgumas regiões como a Europa do Sul e o Japão, a prevalência de infecção na úlcera gástrica e na duodenal é superior a 90%, mas noutras só atinge valores de 50-75%. O consumo de AINEs é o responsável por quase todos os restantes casos de UP. Só em menos de 2% dos casos de UP não se detecta a infecção pelo Hp ou a utilização de AINEs. Causas raras para a UP são a síndrome de Zollinger-Ellison, a mastocitose sistémica, a doença de Crohn, a tuberculose, o carcinoma e o linfoma. Estimou-se que 5-10% dos indivíduos teriam pelo menos um episódio de UP, durante a vida. No entanto, nas duas últimas décadas a incidência e a prevalência da UP, bem como a mortalidade com ela associada, estão em declínio contínuo, por todo o mundo. A diminuição progressiva da prevalência da infecção pelo Hp e do uso de AINEs estão associados e esta redução.