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Paracetamol tablets 180x180 - LÍTIO

LÍTIO

As intoxicações agudas pelo lítio são relativamente raras e normalmente intencionais.
A absorção gastrintestinal é rápida, pelo que a eficácia da descontaminação é pequena.
A excreção renal é de 20% e deve ser levada em conta no tratamento, a fluidoterapia tem, portanto, o seu lugar. A utilização de furosemido é controversa porque, embora aumente a clarificação do lítio, pode aumentar a sua toxicidade pela contração do volume extracelular que provoca. Por outro lado, as características do fármaco – sem ligação às proteínas, pequeno volume de distribuição e baixo peso molecular – tornam-no facilmente removível por hemodiálise. A titulação da droga é importante e acima de 3 mmol/L poderá haver indicação para a sua remoção extracorporal, sobretudo se houver toxicidade do SNC como delírio, convulsões ou coma. No entanto, não se deve reagir a níveis, mas sim a sintomas.

DSCN8476 180x180 - Mucosite

Mucosite

A inflamação das mucosas é uma complicação frequente em quimioterapia. Todas podem ser afectadas: gastrintestinal, genital, urológica, respiratória, ocular.
A mais frequente e intensamente afectada é a do tracto gastrintestinal.
A estomatite (inflamação da mucosa oral) pode ser muito limitante, chegando a constituir quadros graves traduzidos em dor intensa que pode impedir de forma total a alimentação.
Minimiza-se a sua ocorrência mantendo-se uma higiene oral adequada e bom estado de nutrição; a crioterapia (mastigar cubos de gelo enquanto se administra a quimioterapia) também tem sido usada em alguns regimes nomeadamente com 5-FU em bolus. Uma vez instalado o quadro, podem-se usar dois tipos de agentes: higienizadores e analgésicos. Os agentes mais comuns de higiene oral deverão ser evitados já que a maior parte dos que estão disponíveis são muito irritantes para a mucosa oral; preferir clorexidina, eventualmente diluída, para minimizar o incómodo que o bochecho pode provocar; o bicarbonato de sódio tem a mesma função. Como analgésicos podem-se usar agentes referidos como cicatrizantes como o sucralfate ou antiácidos, anestésicos tópicos como lidocaína viscosa ou ainda analgésicos sistémicos (AINEs ou mesmo opiáceos). O uso de antimicrobianos está dependente de existir ou não infecção concomitante; em tratamento de leucemia ou em transplantação é frequente a reactivação de herpes simplex tipo I contribuir para a lesão das mucosas, estando preconizado o uso de aciclovir em profilaxia ou tratamento.
Outra manifestação de mucosite do tracto gastrintestinal é a diarreia, de intensidade variável. O controlo sintomático passa por: adaptação dietética, eventual reequilíbrio hidroelectrolítico, obstipantes (loperamida, codeína – não devem ser usados durante mais de 24 horas se não tiver sido excluída infecção); octreótido pode ser útil em casos mais graves e prolongados; a atropina ou escopolamina devem ser reservados para quadros também intensos e dolorosos (cólicas).

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Ascite

Complicação frequente nos casos de tumores primários da cavidade abdominal, em particular do ovário ou do aparelho gastrintestinal; não raro também se observa nos tumores da mama ou em tumores de origem indeterminada. O seu diagnóstico agrava significativamente o prognóstico do doente, mas há casos, como na neoplasia do ovário (ou em mulheres sem primário definido e com ascite como forma de doença exclusiva), em que o prognóstico é mais favorável. O seu aparecimento relaciona-se com a existência de carcinomatose peritoneal.

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Tratamento – Candidíase não complicada

Existe forte evidência de que nas candidíases não complicadas, os imidazóis intravaginais reduzem de forma significativa os sintomas, não existindo diferenças significativas entre eles quanto à eficácia. Também não foi demonstrada superioridade dos esquemas de longa vs curta duração (1-14 dias).
Existe evidência de que o itraconazol oral reduz a sintomatologia persistente após 1 semana. Não existe diferença significativa na persistência de sintomas entre a terapêutica oral de curto termo vs imidazóis intravaginais. Os tratamentos tópicos podem causar efeitos adversos localmente como ardor e irritação. A terapêutica oral pode ocasionalmente originar efeitos colaterais frustes e autolimitados, como intolerância gastrintestinal, cefaleias e alterações da função hepática.
Factores como custo, conveniência, adesão, facilidade de utilização, história de respostas ou reacções adversas a tratamentos anteriormente utilizados ou preferência pessoal podem ser tidos em conta no momento da prescrição.
Candidíase complicada:
• Segunda dose de fluconazol 150 mg, 3 dias depois da primeira, aumenta a taxa de cura de 67 para 80%.
• Após terapêutica inicial intensiva de 7-14 dias para atingir a remissão micológica, um tratamento prolongado com fluconazol 150 mg/semana durante 6 meses controla mais de 90% dos episódios sintomáticos e leva a uma remissão em cerca de 50% das mulheres. Esta terapêutica tem menos riscos de toxicidade hepática e deve ser usada preferencialmente ao cetoconazol oral diário. Terapêuticas de manutenção prolongadas com agentes tópicos usados de forma intermitente, clotrimazol 500 mg/ semana ou 200 mg/2xsemana, são também opções aceitáveis. Na gravidez, um tratamento oral de curta duração e baixa dosagem com fluconazol não está associado a malformações congénitas, mas doses mais elevadas de 400-800 mg/dia estão. Deve utilizar-se imidazol tópico durante 7 dias.

anemia ferropenica 180x180 - Etiologia (Anemia Ferropénica)

Etiologia (Anemia Ferropénica)

—> Perda menstrual e necessidades aumentadas na gravidez e puerpério são a causa mais frequente de anemia; é importante perceber que perdas menstruais moderadamente aumentadas ao longo de 5, 10, 15 anos são causa possível de ferropenia e anemia.
—> Necessidades aumentadas em períodos de crescimento, gravidez, aleitamento.
—> Perdas crónicas gastrintestinais (úlcera, pólipos, tumores, etc).
—> Diminuição da absorção gastrintestinal (doença celíaca, gastrectomia, Helicobacter pylori).
—> Hemólise intravascular crónica (hemólise de prótese valvular, etc).

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Tratamento (Obstrução Gastrintestinal)

—> Medidas gerais – incluem a hidratação, tratamento e.v., intubação gástrica; devem ser resolvidas possíveis causas metabólicas ou medicamentosas.
—> Cirurgia – nas obstruções altas pode ser feita uma gastrenterostomia paliativa ou a gastrectomia ou duodenopancreatectomia (se indicado); na carcinomatose peritoneal, a cirurgia só resolve temporariamente a situação; na obstrução baixa, a colostomia ou ileostomia podem ser a solução para a situação de urgência; em casos selecionados pode ser feita a ressecção do tumor ou a colocação de prótese endoscópica.
—> Nas situações em que os quadros de oclusão intestinal são uma manifestação de fase avançada de doença, em que a solução cirúrgica é inviável, ter-se-á que manter a terapêutica medicamentosa e que pode incluir: manter entubação nasogástrica, equilíbrio hidroelectrolítico, sedação, antieméticos, fenotiazinas, corticóides ou análogos da somatostatina (como forma de redução da secreção intestinal).

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Obstrução Gastrintestinal

A obstrução gastrintestinal é uma complicação frequente no doente com neoplasia, em particular quando há envolvimento directo abdominal (gastrintestinal ou ginecológico) pelo tumor; outras causas são metabólicas, medicamentosas (citostáticos, opióides) ou em consequência da RT. A obstrução pode ser alta – neoplasia gástrica ou pancreática (por invasão gástrica ou do arco duodenal), do intestino delgado – bridas (que justificam intervenção cirúrgica para lise das mesmas) ou carcinomatose peritoneal, ou do cólon e recto – geralmente por obstrução do lúmen pelo tumor.

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Indicações – Nutrição Parentérica

Doentes com sintomatologia gastrintestinal podem beneficiar da suspensão da ingesta oral. Doentes com pancolite ulcerosa, doentes com fístulas enterocutâneas ou com síndrome de intestino curto com ressecção intestinal >75% do intestino delgado beneficiam de NP. Doentes com pancreatite aguda grave podem beneficiar de NP, embora alguns estudos demonstrem uma boa tolerância à nutrição entérica desde o início.

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CONTRA-INDICAÇÃO PARA NUTRIÇÃO ENTÉRICA

– Obstrução intestinal.
– Ileus.
– Vómitos incoercíveis.
– Isquemia intestinal severa.
– Hemorragia gastrintestinal maciça.

Paraquat 42 TC 20 SL 180x180 - Paraquat

Paraquat

A ingestão, mesmo de pequenas quantidades deste herbicida, origina uma intoxicação muito grave com morte em horas a poucos dias em mais de 90% dos casos. As queimaduras e lesões ulceradas do trato gastrintestinal, a síndrome do pulmão de choque, a insuficiência renal aguda, a hepatotoxicidade, a encefalopatia e o colapso cardiocirculatório são paradigmáticos desta intoxicação. Os raros sobreviventes desenvolvem frequentemente uma fibrose pulmonar progressiva, estando a sua sobrevivência dependente da extensão do envolvimento Pulmonar.
O tratamento é largamente sintomático e de suporte.
Deve evitar-se a oxigenoterapia porque o tóxico não é metabolizado e autoperpetua-se por reações redox. A indução do vómito não está recomendada. A lavagem gástrica só tem sentido na primeira hora e com proteção da via aérea. O carvão ativado ou a terra de Fuller têm sido utilizados como adsorventes para diminuir a absorção entérica.
A terapêutica imunossupressora parece melhorar o prognóstico. Utilizam-se pulsus de 1 g de metilprednisolona durante 3 dias com ciclofosfamida e.v. 15 mg/kg nos 2 primeiros dias.
A desferoxamina, a N-acetilcisteína e o a-tocoferol têm sido utilizados em alguns protocolos terapêuticos, embora a sua real eficácia esteja por provar. Embora a remoção extracorporal do tóxico seja frequentemente proposta, a sua eficácia é muito reduzida devido à sua grande ligação tissular e só tem sentido nas primeiras 4 horas após a ingestão. A hemoperfusão é o método mais eficaz, mas nalguns centros também se utiliza a plasmaferese.