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Lúpus Eritematoso 3 180x180 - Lúpus Eritematoso Sistémico

Lúpus Eritematoso Sistémico

O LES (lúpus eritematoso sistémico) é uma doença reumática auto-imune caracterizada pela produção de auto-anticorpos não específicos de órgão dirigidos contra antigénios nucleares, citoplasmáticos e da superfície celular. Afeta preferencialmente mulheres jovens (mais de 90% dos doentes são do sexo feminino e com uma idade média de 35 anos à data do diagnóstico), mas o predomínio do sexo feminino ainda é mais notório quando a doença se inicia entre os 16 e os 49 anos, isto é, durante o período fértil.
Trata-se de uma doença rara, estimando-se a sua prevalência em 10-50 casos por 100000 habitantes. A etiologia do LES permanece desconhecida, mas a suscetibilidade genética, fatores hormonais e ambientais contribuem de forma significativa para o desencadear desta doença. Caracteristicamente existe uma desregulação do sistema imunitário, com produção excessiva de auto-anticorpos, formação de imunocomplexos e lesão dos tecidos por mecanismos imunomediados.

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Diagnóstico (Policitemia Vera)

A idade média no diagnóstico é de 60 anos. Aos critérios diagnósticos clássicos (determinação da massa eritrocitária por métodos isotópicos, esplenomegalia, saturação de O2, etc.) juntou-se desde 2005 a pesquisa de mutação V617F no gene JAK2 (executável no sangue periférico); esta alteração genética é encontrada em 80 a 90% dos casos de policitemia vera. Em 2007 a OMS propôs novos critérios de diagnóstico.
O risco da doença é essencialmente o risco trombótico e cardiovascular, sendo proposta uma estratificação por risco de acordo com idade superior a 60 anos, história trombótica prévia, factores cardiovasculares (tabaco, hipertensão, diabetes, hipercolesterolemia).

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Mecanismos de Resistência

Mecanismos de resistência – descrevem-se dois mecanismos principais de resistência específica aos P-lactâmicos:
• Destruição do P-lactâmico pelas P-lactamases bacterianas. É o mecanismo mais frequente, responsável pela resistência de S. aureus à penicilina e na maioria das enterobacteriáceas. Estão descritas numerosas p-lactamases, das quais muitas (classes A, C, e D da classificação de Amber) são, também, PBP com reactividade semelhante para o anel P-lactâmico mas que possuem uma capacidade de desacilação aumentada, induzindo a destruição da molécula de antibiótico a que se ligam. As classes A (penicilinases) e C (cefalosporinases) são as mais frequentemente produzidas pelas estirpes bacterianas com importância na clínica. As de classe B, mais raras, são capazes de destruir todos os anéis à excepção do monobactâmico. A actividade destas P-lactamases é, geralmente, inibida pelos inibidores das P-lactamases. No entanto, certas estirpes de enterobacteriáceas, incluindo K. pneumoniae e E. coli, produzem uma P-lactamase de espectro alargado (BLEA) plasmídica que não é afectada pelos inibidores actualmente disponíveis e que confere resistência também às cefalosporinas, incluindo as de 3.ª geração.
Modificação genética das PBP exprimidas à superfície das bactérias, induzindo PBP com afinidade reduzida (caso da N. gonorrhoeae) ou novos tipos de PBP sem afinidade (PBP-5 do E. faecium e PBP-2a do S. aureus, que induz a resistência à meticilina). Este mecanismo de resistência não é afectado pelos fármacos inibidores das P-lactamases.
Estes mecanismos podem actuar isoladamente ou em conjunto com outros mecanismos não específicos, tais como bloqueio da penetração do antibiótico através da membrana externa da bactéria, por meio da inibição da expressão dos canais de penetração (porinas) ou activação de bombas de efluxo, capazes de expulsar o antibiótico do espaço periplásmico através da membrana externa.

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Drepanocitose

Doença genética caracterizada pela existência de mutação pontual que leva à substituição de aminoácido na posição 6 da cadeia de globina, com o resultado de criação de uma Hb S (hemoglobina S) estruturalmente anormal que polimeriza em situações de hipoxia.

En que consiste la manipulacion genetica 3 180x180 - Genética

Genética

Mais recentemente, o aprofundamento do conhecimento da biologia da célula tumoral tem permitido identificar a presença de oncogenes, genes supressores de tumor, regula dores da apoptose (morte celular programada) e múltiplas moléculas responsáveis pelo microambiente celular como, por exemplo, proteases e factores angiogénicos. A presença ou ausência destes elementos caracterizadores da neoplasia tem permitido um melhor conhecimento da neoplasia, implicando muitas vezes uma melhor definição prognóstica e, em alguns casos, a escolha de fármacos com actividade específica para essas moléculas ou receptores. Nas neoplasias hematológicas, a citogenética continua a ser decisiva nalgumas doenças (por exemplo, leucemia aguda) e a biologia molecular permitiu encontrar “marcadores” que, além de diagnósticos e prognósticos, permitem monitorizar a evolução da doença ou a recaída após remissão (por exemplo, na leucemia mielóide crónica e monitorização do gene de fusão bcr-abl).

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Fisiopatologia (Doença de Graves)

Uma susceptibilidade genética para produzir auto-anticorpos antitiroideus associada, possivelmente, a um stress agudo ou infecção viral, leva a uma infiltração linfocitária não específica e à produção de anticorpo anti-receptor do TSH (TRAb).
Esta ligação do TRAb ao receptor de TSH leva ao aumento da produção e secreção de hormonas tiroideias com consequente hipertiroidismo.

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Resistência aos Análogos de Nucleós(T)idos II

O entecavir (ETV) surgiu como um fármaco de eleição para monoterapia em doentes sem tratamento prévio, dada a sua elevada potência antiviral, superior aos fármacos pre-existentes, e a configuração específica da molécula, que permite tolerar a ocorrência das mutações de resistência à lamivudina (M204I/V e L180M) sem perda de eficácia. Possui elevada barreira genética às mutações, já que só a ocorrência de três mutações associadas (M204I/V+L180M+ uma de três mutações: T184 ou S202 ou M250) acarreta resistência fenotípica e escape viral; a incidência de resistências ao entecavir mantém-se em 1,2% ao fim de 5 anos de seguimento.
No entanto, a sua prescrição em casos de resistência à lamivudina, em monoterapia, em dose dupla (1,0 mg/dia) não se confirmou como alternativa, pelo acréscimo significativo de resistência ao ETV, neste contexto.
O tenofovir (TDF) tem sido utilizado, desde há vários anos na infecção VIH, com perfil de segurança e de tolerância favoráveis, já fundamentados pela extensa utilização clínica.
Dispõe de elevada eficácia demonstrada contra o VHB e tem sido usado preferencialmente sempre que o doente apresentasse coinfecção VHB/VIH, recorrendo-se, por comodidade posológica, ao medicamento Truvada, contendo a combinação tenofovir e emtricitabina, esta última uma molécula muito similar à lamivudina, mas com potência antiviral superior.
Disponível para uso compassivo em casos de resgate emergente após resistências aos fármacos anteriores, foi licenciado recentemente para a monoinfecção pelo VHB, pela sua potência antiviral superior a todos os restantes, com declínio rápido precoce da viremia, tal como sucede com o entecavir, e pelo perfil favorável de ausência de resistências virológicas demonstradas até ao final do 3.° ano de tratamento contínuo.
Nos doentes sem experiência de tratamento prévio deve-se ensaiar a monoterapia prévia à combinação, mas usando apenas fármacos de potência antiviral elevada e barreira genética às mutações, como o entecavir ou o tenofovir. A inibição brusca da carga viral em 6 a 12 meses, com negativação permanente de viremia, garante também a cessação do risco de resistências. Os restantes fármacos devem ser combinados entre si, adicionando a lamivudina ou um similar, com adefovir ou tenofovir (consoante a experiência prévia).

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Doença Celíaca

A doença celíaca é uma doença inflamatória do intestino proximal que ocorre em pessoas com predisposição genética para intolerância ao glúten. Este processo inflamatório condiciona o desenvolvimento de diarreia crónica e má absorção de nutrientes importantes.
O reconhecimento de que o glúten (constituinte do trigo, cevada e centeio) é o responsável pelo desencadeamento da cadeia fisiopatológica que termina na lesão da mucosa intestinal data de 1950.
Esta doença é considerada actualmente uma doença auto-imune e um bom modelo para aprofundar o conhecimento sobre a patogénese deste tipo de doenças. Considera-se que tem uma prevalência de aproximadamente 1% a nível mundial. Cerca de 95% dos doentes expressam o HLA-DQ2 e os restantes 5% expressam o HLA-DQ8. No entanto, embora esta expressão HLA seja necessária para que a doença se manifeste, ela não é suficiente, e só confere um risco de 36-53%. O desenvolvimento da doença está realmente dependente da associação de outros genes não HLA. Por exemplo, o polimorfismo do gene MY09B pode ser responsável pela diminuição da barreira intestinal à passagem do glúten, mas também explica o desenvolvimento de artrite reumatóide e lúpus eritematoso sistémico.
Por outro lado, o polimorfismo do gene que codifica a expressão de IL-2 e IL-21 condiciona os processos inflamatórios e também tem sido observado que tem um papel importante na diabetes tipo 1 e na artrite reumatóide.
É bem conhecida a associação de outras doenças (algumas bem caracterizadas como autoimune à doença celíaca: diabetes tipo 1, tirotoxicose, deficiência de IgA, síndrome de Sjõgren, cirrose biliar primária, epilepsia, alterações neurológicas não definidas. O quadro clínico da doença celíaca, na sua expressão mais grave, pode ser exposto como: diarreia crónica, distensão abdominal; perda ponderal, anemia; estomatite aftosa, infertilidade. No entanto, a doença pode manifestar-se como dermatite herpetiforme (biopsia intestinal revela o padrão característico da doença celíaca).
É extremamente importante na história familiar a existência de casos de doença celíaca ou outra doença auto-imune, para reforçar a hipótese diagnostica e avançar para exames complementares confirmatórios.
O exame histológico da biopsia do duodeno distai revela atrofia das vilosidades com hipertrofia das criptas, aspectos que podem também ser observados noutras doenças da mucosa, como por exemplo na síndrome de hipercrescimento bacteriano e no sprue tropical.
Os exames serológicos são os testes mais específicos para a confirmação diagnostica: anticorpos antigliadina; anticorpos anti-endomisio; anticorpos antitransglutaminase tecidular. A pesquisa de anticorpos antitransglutaminase tecidular é o teste serológico mais recentemente introduzido, e tem-se revelado com relativa boa sensibilidade e especificidade.
A confirmação diagnostica assenta também na resposta à terapêutica (suspensão de alimentos com glúten) que não só resolve as manifestações clínicas como condiciona desaparecimento das alterações histológicas e a negativação da reacção serológica.

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Contratura de Dupuytren

A contractura de Dupuytren caracteriza-se por uma lesão fibrosante nodular da aponevrose palmar. Produz contracturas dos dedos que conduzem à flexão das articulações MCF. A sua etiologia é desconhecida, ocorrendo sobretudo em homens acima dos 40 anos e parece haver uma forte predisposição genética. Pode surgir em profissões sujeitas a traumatismos repetidos (ferreiros) ou associar-se a várias doenças como a epilepsia, diabetes mellitus, o alcoolismo crónico e a doença pulmonar crónica.
Os sintomas iniciais consistem no aparecimento de um ou mais nódulos indolores, junto à face palmar das MCF dos 3.°, 4.°, ou 5.° dedos. O 4.° dedo é o mais frequentemente afetado. Os nódulos vão-se espessando, com aderência à pele, a qual se torna irregular e endurecida. Mais tarde surge a flexão irredutível dos dedos das mãos, mantendo-se os movimentos de flexão, mas não os de extensão. É indolor, sendo o grau de gravidade relacionado com a intensidade da retração e com a difusão das lesões da mão.
O exame objetivo pode revelar a presença de nódulos cutâneos palmares indolores. Pode haver uma pequena depressão na pele na zona do nódulo com bandas fasciais que se estendem distalmente e, por vezes, proximalmente ao nódulo. Estas bandas podem cruzar a MCV e a IFP mantendo o dedo contraído.
O diagnóstico é sempre exclusivamente clínico.

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Esclerose Múltipla

A EM (esclerose múltipla) é uma doença inflamatória crónica da substância branca do SNC de etiologia desconhecida. Os mecanismos auto-imunes têm um importante papel na génese da doença, para a qual contribui ainda, provavelmente, uma suscetibilidade genética associada a fatores ambientais ainda por determinar.
Linfócitos T ativados do sangue periférico lesam a barreira hematoencefálica, formando-se infiltrados inflamatórios perivasculares, desmielinização e, ulteriormente, perda neuronal e gliose.
A doença tem uma prevalência muito variada, sendo mais frequente nas zonas temperadas do Globo. A sua frequência é menor nas regiões tropicais e praticamente não existe em latitudes vizinhas do Equador. Na Europa Ocidental e nos Estados Unidos, a EM é a principal causa de incapacidade por doença primária neurológica no adulto jovem.