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DSCN8476 180x180 - Mucosite

Mucosite

A inflamação das mucosas é uma complicação frequente em quimioterapia. Todas podem ser afectadas: gastrintestinal, genital, urológica, respiratória, ocular.
A mais frequente e intensamente afectada é a do tracto gastrintestinal.
A estomatite (inflamação da mucosa oral) pode ser muito limitante, chegando a constituir quadros graves traduzidos em dor intensa que pode impedir de forma total a alimentação.
Minimiza-se a sua ocorrência mantendo-se uma higiene oral adequada e bom estado de nutrição; a crioterapia (mastigar cubos de gelo enquanto se administra a quimioterapia) também tem sido usada em alguns regimes nomeadamente com 5-FU em bolus. Uma vez instalado o quadro, podem-se usar dois tipos de agentes: higienizadores e analgésicos. Os agentes mais comuns de higiene oral deverão ser evitados já que a maior parte dos que estão disponíveis são muito irritantes para a mucosa oral; preferir clorexidina, eventualmente diluída, para minimizar o incómodo que o bochecho pode provocar; o bicarbonato de sódio tem a mesma função. Como analgésicos podem-se usar agentes referidos como cicatrizantes como o sucralfate ou antiácidos, anestésicos tópicos como lidocaína viscosa ou ainda analgésicos sistémicos (AINEs ou mesmo opiáceos). O uso de antimicrobianos está dependente de existir ou não infecção concomitante; em tratamento de leucemia ou em transplantação é frequente a reactivação de herpes simplex tipo I contribuir para a lesão das mucosas, estando preconizado o uso de aciclovir em profilaxia ou tratamento.
Outra manifestação de mucosite do tracto gastrintestinal é a diarreia, de intensidade variável. O controlo sintomático passa por: adaptação dietética, eventual reequilíbrio hidroelectrolítico, obstipantes (loperamida, codeína – não devem ser usados durante mais de 24 horas se não tiver sido excluída infecção); octreótido pode ser útil em casos mais graves e prolongados; a atropina ou escopolamina devem ser reservados para quadros também intensos e dolorosos (cólicas).

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Trichomonas Vaginalis

A tricomoníase é a doença de transmissão sexual, não virai, mais comum do aparelho genital com cerca de 120 milhões de mulheres com este diagnóstico por ano. A infecção a Trichomonas transmite-se quase exclusivamente pelo contacto/relações sexuais.
A Trichomonas vaginalis é um protozoário flagelado que se liga à mucosa vaginal e ingere outras bactérias. Está frequentemente associada a VB. Recentemente, foi relacionada com resultados adversos na gravidez (PPT, RPPM, RCIU), com facilitação na aquisição da infecção por VIH e com risco aumentado de celulite pós-histerectomia.
A morbilidade associada a esta patologia relaciona-se com a sua frequente associação à VB.

Atopic bis 180x180 - Características Clínicas e Evolução (Eczemas)

Características Clínicas e Evolução (Eczemas)

A fase infantil inicia-se, em regra, por volta dos 3 meses, por dermite inflamatória da face, poupando a região média, paranasal e peri-oral, acompanhada de intenso prurido.
No restante tegumento predomina a xerose (secura), podendo observar-se lesões discretas de eczema.
Progressivamente a dermatose tende a atenuar-se na face e a intensificar-se nos membros, em especial nas pregas dos sangradouros e popliteias, menos nas mãos e tronco. A liquenificação começa a ser marco clínico importante.
Nos casos que evoluem para a idade adulta, realça a tendência para a liquenificação, não só nas áreas referidas, mas também na face, pálpebras, pescoço, mãos, região genital e pés.
O diagnóstico é fundamentalmente clínico. Existem critérios de diagnóstico definidos por alguns autores, os quais, contudo, não reúnem o consenso generalizado.

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Herpes Recidivante – Oral/Genital

Dependendo da intensidade dos sintomas o tratamento poderá ser apenas tópico ou também sistémico. Em surtos discretos e pouco sintomáticos a simples aplicação de pomada de aciclovir, 4xdia, pode ser suficiente. Também a aplicação de pensos hidrocolóides locais parece ter uma eficácia semelhante ao aciclovir, reduz a sintomatologia rapidamente e de aplicação prática. Em indivíduos com surtos mais intensos e sintomáticos o tratamento sistémico deve ser iniciado o mais precocemente possível, idealmente durante o período prodrómico, nas doses anteriormente referidas para o aciclovir ou valaciclovir, e prolongado por 5 dias.
Quando as recidivas são muito frequentes (>l/mês) e sintomáticas, se perturbam a vida de relação do doente (no caso do herpes genital, por exemplo) ou se desencadeiam episódios de eritema multiforme subsequente, pode justificar-se o tratamento profiláctico de longa duração, em regra não inferior a 6 meses. As doses a utilizar são de aciclovir 400 mg 2xdia ou valaciclovir 500 mg/dia. Estes medicamentos são isentos de efeitos acessórios significativos e raramente induzem o aparecimento de estirpes resistentes. Esta terapêutica profiláctica, uma vez terminada, não impede as recidivas, mas muitas vezes reduz a frequência das mesmas.
A terapêutica profiláctica pode ou deve ainda ser utilizada em certas situações de risco, como cirurgia, laserterapia ou abrasão da face.

Tipo de dieta pode afetar infertilidade masculina 180x180 - Infertilidade

Infertilidade

A crescente eficácia das terapêuticas oncológicas em idade pediátrica, e também no adulto jovem, tem evidenciado este tipo de complicação.
No homem ou na mulher, as diferentes formas terapêuticas podem condicionar/contribuir para algum grau de infertilidade, quer por lesão directa da gónada, quer por repercussão sobre o tracto genital. São exemplos: cirurgia que envolva o tracto genital ou se relacione com a vascularização ou enervação do mesmo (prostatectomia ou esvaziamento ganglionar retroperitoneal); RT sobre as gónadas; alguns citostáticos ou terapêutica hormonal.
Os alquilantes são o grupo mais relacionado com esta complicação. A dose e o tempo de tratamento relacionam-se directamente com a infertilidade. Os doentes pré-púberes, independentemente do sexo, são os que menos risco têm de desenvolver infertilidade.
Na mulher, o risco de insuficiência ovárica aumenta com a idade, especialmente a partir dos 40 anos. Em alguns homens tem sido verificada a recuperação da fertilidade vários anos depois da realização da quimioterapia.
Nos doentes em que, pela idade e opção pessoal, a preservação da fertilidade é um problema, dever-se-á procurar fazer criopreservação de esperma antes de iniciar a quimioterapia.