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Exames Complementares

– Exames complementares – na urgência deve realizar-se uma avaliação analítica bioquímica, hematológica e da coagulação, raio X do tórax, ECG e TC. A TC é essencial na exclusão de outras patologias intracranianas e na identificação de AVC hemorrágico, mas não confirma em regra o de AVC isquémico, pois a TC é muitas vezes normal nas primeiras 24 horas e pode ser sempre normal nos AVC do tronco cerebral e lacunares. Certos sinais precoces de enfarte, como apagamento dos sulcos corticais, perda de diferenciação entre a substância branca e cinzenta e hipodensidade precoce podem ser detetáveis na TC inicial. A RM de difusão é muito mais sensível do que a TC no AVC isquémico agudo, sendo particularmente útil nos AVC do tronco cerebral, nos doentes jovens, ou quando se colocam dúvidas diagnosticas. Quando se suspeita de uma cardiopatia embolígena, deve realizar-se um ecocaraiograma transtorácico ou transesofágico (este se a suspeita for de patologia auricular esquerda, do septo interauricular ou do arco aórtico). O eco-Doppler carotídeo e vertebral deve ser realizado para detetar/excluir estenose/oclusão/dissecção carotídea ou vertebral.
A confirmação do diagnóstico de dissecção requer a realização de ressonância cervical com supressão do sinal da gordura e angio-RM. A angio-TC, a angio-RM e o Doppler transcraniano têm utilidade na deteção de estenoses/oclusões das grandes artérias intracranianas. As hemorragias intracerebrais hemisféricas profundas, do tronco cereral e cerebelo em doentes hipertensos não necessitam em regra de investigações adicionais. Nos restantes casos, em especial nos hematomas lobares em doentes com menos de 65 anos (a partir desta idade a causa é em geral angiopatia amilóide), deve investigar-se a causa da hemorragia (malformação arteriovenosa, aneurisma, cavernoma, neoplasia) por RM e no caso das MAV, também por angiografia.

pastillas 180x180 - Antipsicóticos II

Antipsicóticos II

O fármaco de referência deste grupo é a clozapina. Este medicamento havia sido inicialmente introduzido como neuroléptico, e mais tarde retirado dos mercados por problemas de toxicidade hematológica. Ulteriormente foi “redescoberto” como um fármaco de características inovadoras, que pela primeira vez parecia facultar uma potente acção antipsicótica na ausência de efeitos extrapiramidais e endocrinológicos. A identificação deste perfil abriu caminho a uma linha de investigação que se revelou frutuosa, com a introdução de outros compostos com um perfil idêntico ou próximo. Presentemente, no nosso país, estão disponíveis a olanzapina, a quetiapina e a a ziprazidona. A risperidona é habitualmente incluída no mesmo grupo, embora com este medicamento possam ocorrer, em relação com a dose, os clássicos efeitos extrapiramidais e endocrinológicos.
Importa ter presente que estes novos antipsicóticos, ao invés do que sucede com os clássicos neurolépticos, constituem um grupo química e farmacologicamente heterogéneo, para além de diferenças assinaláveis em relação às suas efectivas propriedades terapêuticas. Mais uma vez, a questão das doses úteis não está devidamente esclarecida, verificando-se, por exemplo, a proposta de utilização de doses cada vez mais elevadas se se pretende obter um verdadeiro efeito antipsicótico (por exemplo, em relação à olanzapina e à quetiapina). Em simultâneo, assiste-se a uma utilização, muitas vezes off label, destes medicamentos em doses deliberadamente baixas, para retirar vantagem terapêutica de acções colaterais, como é exemplificado pela utilização da olanzapina e da quetiapina como fármacos sedativos e/ou facilitadores do sono, para tratamento da insónia.
Um aspecto farmacológico particular da ziprazidona, aparentemente pouco conhecido ou tido em conta, é o facto de, em doses ligeiras ou moderadas, ter um comportamento SSRI-like (antidepressivo mas nessa medida susceptível de agravar a sintomatologia psicótica), só sendo possível obter uma efectiva acção antipsicótica com doses mais elevadas.
Mais recentemente ficou disponível um novo antipsicótico, cujo perfil farmacológico é inovador em relação à geração de novos antipsicóticos atrás referida. Trata-se do aripripazol, que além de partilhar com os seus antecessores acções sobre o sistema serotoninérgico (daí a sua classificação como SDA, isto é, antagonistas dos receptores da dopamina e da serotonia), se distingue, entre outros aspectos, por uma acção modulatória sobre os receptores dopaminérgicos. É um medicamento com acção antipsicótica bem documentada – para além de um “racional” teoricamente interessante – mas não desprovido dos tradicionais efeitos extrapiramidais.
De vários pontos de vista, o aripiprazol parece ser o primeiro membro de uma 2.ª geração dos novos antipsicóticos. Não só pelo já referido perfil farmacodinâmico próprio, mas também por virtualmente não estar associado ao risco elevado de toxicidade metabólica (dislipidemia, hipercolesterolemias, resistência à insulina, diabetes tipo 2, aumento ponderal; eventual hipertensão) que é um traço partilhado (embora com taxas de risco diversas) aos anteriores novos antipsicóticos.
Importa ainda destacar que a boa tolerabilidade dos novos antipsicóticos facilita a sua utilização num campo mais alargado de indicações. É certo que os clássicos neurolépticos eram – e são – utilizados não apenas no tratamento da esquizofrenia, mas também numa larga variedade de síndromes psicóticas, em quadros de agitação psicomotora de etiologia diversa.
Em particular, com os novos antipsicóticos há dados que demonstram a sua utilidade na doença bipolar ou doença maníaco-depressiva, quer como antimaníacos, quer como tratamento a longo prazo com intuito estabilizador, eventualmente em associação com estabilizadores convencionais. Sucessivamente, estes fármacos têm visto oficialmente aprovadas estas indicações pelas agências do medicamento.

reduzir riscos do uso de antibioticos para criancas e simples 1  2012 10 22151531 180x180 - Linezolide (Tuberculose)

Linezolide (Tuberculose)

– Linezolide – a linezolide apresenta boa actividade in vitro contra micobactérias do complexo MT, pelo que se pode vir a revelar um fármaco útil no tratamento da TBMR, apesar da inexistência de ensaios clínicos alargados. No entanto, a toxicidade hematológica associada a tratamentos prolongados e o custo elevado são factores limitativos da sua utilização neste contexto. A ser utilizada, a DDR é de 600 mg/2xdia, p.o.

como funcionan los antibioticos 1 0 180x180 - Tratamento (Púrpura Trombopénica Trombótica)

Tratamento (Púrpura Trombopénica Trombótica)

— É uma urgência hematológica.
— O tratamento baseia-se na infusão de plasma fresco congelado (10 a 20 ml/kg de peso do doente) e permuta plasmática (1 a 1,5 volemias diárias), habitualmente até à normalização de plaquetas ou de LDH.
— A corticoterapia com prednisolona 1 mg/kg/dia ou superior é prática corrente.
— Nos casos recidivantes, pode ser útil a imunossupressão (vincristina, ciclofosfamida).
— Em casos isolados pode estar indicado o uso de rituximab e de esplenectomia.

Anemias hemoliticas 180x180 - Etiologia (Anemia Hemolítica)

Etiologia (Anemia Hemolítica)

—> Nos casos por anticorpos a quente, este é geralmente IgG e a causa pode ser idiopática, associada a neoplasia (habitualmente hematológica), associada a doença auto-imune como LED (lúpus eritematoso disseminado) ou outras, e associada a fármacos.
—> Nos casos a frio, o anticorpo é IgM; há formas agudas, habitualmente por infecção a Mycoplasma ou Epstein-Barr, e formas crónicas associadas a doença linfoproliferativa ou idiopática.

como funcionan los antibioticos 1 0 180x180 - Produtos "Naturais"

Produtos “Naturais”

– Inibidores mitóticos – vinblastina, vindesina, vincristina e vinorelbina.
– Estabilizadores dos polímeros dos microtúbulos – paclitaxel e docetaxel.
– Inibidores da topoisomerase I – irinotecan e topotecan.
– Inibidores da topoisomerase II – etoposido e teniposido.
-Antibióticos:
Bleomicina, dactinomicina, daunorubicina, mitomicina C.
Antraciclinas (são também inibidores da topoisomerase) – doxorubicina, epirubicina, mitoxantrona, idarubicina.
Os diferentes citotóxicos têm, de forma geral, uma “janela” terapêutica muito estreita, isto é, entre as doses eficazes e as doses tóxicas o intervalo é muito pequeno, obrigando a um respeito minucioso pela posologia.
A diferentes citotóxicos correspondem diferentes perfis de toxicidade mas, de forma geral. podem-se considerar como mais frequentes os seguintes:
—> Toxicidade hematológica – possibilidade de depressão das três linhas hematopoiéticas, sendo a mais frequente e mais imediata a neutropenia.
—> Toxicidade gastrintestinal – variando entre os quadros de náusea e vómito após a administração até quadros de mucosite que pode afectar todo o aparelho digestivo (boca e restante tracto gastrintestinal).
—> Toxicidade dermatológica – o mais frequente é a alopecia (não obrigatória) mas também podem ocorrer alterações das unhas (taxanos), pigmentação de tipos diversos, descamação.
—> Toxicidade neurológica – neuropatia sensitiva é o mais frequente.
—> Cardiotoxicidade – possível com as antraciclinas.
Algumas destas toxicidades podem ocorrer de forma aguda (por exemplo, as náuseas e vómitos ou a neutropenia), outras podem ocorrer mais tardiamente (por exemplo, os quadros de neuropatia ou de cardiotoxicidade). Existem escalas de toxicidade para avaliar, classificar e graduar as diversas toxicidades, geralmente de 0 (sem toxicidade) a 4 (toxicidade mais marcada).

VACINA 12 1 180x180 - Contra-indicações ao Tratamento (Hepatite Crónica Viral C)

Contra-indicações ao Tratamento (Hepatite Crónica Viral C)

Na avaliação inicial do doente candidato ao tratamento, devem ser analisados o seu estado geral e de nutrição, perfil psicológico e capacidade cognitiva, enquadramento no meio familiar, profissional e social, bem como a percepção da gravidade da doença e a motivação para a terapêutica. Devem ser investigadas a presença de doenças sistémicas, de patologias específicas, fármacos em curso, toma de produtos da medicina alternativa, doenças psiquiátricas, hábitos etílicos, tabágicos e toxicológicos.
O primeiro objectivo é rastrear as condições clínicas que constituem contra-indicação absoluta ao tratamento com interferão peguilado e/ou ribavirina, de modo a elucidar os doentes da contingência e limitar as suas expectativas. Há condições que permitem uma abordagem multidisciplinar com outras especialidades, de modo a viabilizar o acesso à terapêutica.
Constituem contra-indicações:
– Cirrose hepática descompensada.
– Doença auto-imune activa ou passada.
– Doença tiroideia não compensada com a terapêutica.
– Doença cardíaca, renal ou pulmonar significativa.
– Antecedente de neoplasia maligna sem controlo de entrada em remissão.
– Doença psiquiátrica grave, como psicose, depressão major ou doença bipolar.
– Doença hematológica com repercussão nas séries eritrocitária, leucocitária ou plaquetária.
– Epilepsia grave.
– Alcoolismo activo.
– Toxicodependência activa.
Para a ribavirina constituem contra-indicações específicas:
– Doenças hemolíticas ou patologias hematológicas com hemólise associada.
– Insuficiência renal crónica que altera a excreção renal da ribavirina, obrigando à redução da sua posologia.
A designação de alcoolismo deve ser diferenciada do consumo excessivo de álcool, muito mais frequente e com maior sucesso na aderência à abstenção etílica; nestes casos, se houver motivação e período de abstinência superior a 6 meses, poderá ser recomendada a terapêutica, tanto mais desejável pela elevada probabilidade de estádio avançado da doença, que favorece uma decisão breve para intervenção. Nos casos de dependência alcoólica, a contribuição da Psiquiatria, com experiência em Alcoologia, pode viabilizar o tratamento antiviral a posteriori.
O doente toxicodependente deve ser avaliado em equipa multidisciplinar com Psiquiatria, Psicoterapia e assistência social, de modo a suscitar, após motivação do doente, a integração em programa de substituição de opiáceos. Estes programas promovem a reabilitação física e psíquica do doente, de modo a ter consciência crítica e aderência para o tratamento antiviral, a ser efectivado ainda durante a fase de terapêutica de substituição de opiáceos.
A frequência de resposta virológica sustentada, o perfil de efeitos adversos e a aderência ao tratamento são sobreponíveis aos da população geral. A estabilidade emocional é vigiada pela equipa de Psicoterapia, que adapta a periodicidade de consultas à necessidade do doente, associando terapêutica ansiolítica e/ou antidepressiva, personalizada de acordo com o diagnóstico psiquiátrico.