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TIAZIDAS

(hidroclorotiazida, bendroflurotiazida, triclorotiazida e indapamida)
Depois dos trabalhos de Dent, sabemos que as tiazidas reduzem o cálcio urinário, quer nos casos de hipercalciúria, quer em indivíduos normais, esta redução é de 20 a 30%. Foi igualmente descrita a redução da absorção do cálcio no lume intestinal e redução do oxalato na urina. A redução do turnover do osso é igualmente um efeito protetor das tiazidas, sobretudo em doentes hipercalciúricos.
Os efeitos secundários mais descritos são: a perturbação do metabolismo glucídico e a gota, para além de poder mascarar um hiperparatiroidismo normocalcémico. A disfunção eréctil é um achado constante e de difícil resolução. É obrigatório que o doente, durante o tratamento, obedeça a controlos de cálcio, potássio, ácido úrico e glicemia. A hipocaliemia pode apresentar-se com quadros clínicos variados e que nem sempre levam ao diagnóstico de imediato.
Vários trabalhos científicos apoiam o seu uso nos doentes com hipercalciúria e litíase oxalocálcica, e com certo grau de sucesso, embora também haja quem demonstre que o efeito foi nulo ou pelo menos igual ao do grupo de controlo.
Em resumo, podemos dizer que as tiazidas são uma droga útil, no tratamento dos casos de litíase oxalocálcica recorrente e com hipercalciúria demonstrada. Os efeitos secundários são elevados e a adesão ao tratamento é baixa.

Fosfato de Celulose

Quer o fosfato de celulose quer o fosfato de celulose sódico reduzem a absorção do cálcio devido à formação de um complexo entre eles e o cálcio.
Por isso foram aconselhados nos casos de litíase recorrente com hipercalciúria de absorção metabolicamente demonstrada.
Os efeitos secundários são: diarreia, hipomagnesiúria e hiperoxalúria que, com qualquer deles, é frequente.
Os dados existentes na literatura são poucos e resumem-se a três trabalhos, com fosfato de celulose e seis com fosfato sódico de celulose, em nenhum foi incluído um grupo de controlo ou placebo. Como resultado final verificamos que cerca de 40% dos doentes tem recorrência. Nos estudos efetuados, a adesão ao tratamento foi descrita como aceitável.
Em resumo, não há por enquanto evidência científica para o uso de fosfatos de celulose na clínica. Podem, no entanto, ser um teste de diagnóstico com interesse no doente com litíase e hipercalciúria julgada de absorção.

fármacos 180x180 - Ortofosfatos

Ortofosfatos

Dois tipos de ortofosfatos foram ensaiados – o ácido e o neutro – no tratamento de doentes com litíase cálcica. Os ortofosfatos diminuem a hipercalciúria ao conseguirem a diminuição da absorção intestinal do cálcio, pela redução da síntese da 1,25 vitamina D.
O ortofosfatos neutro tem um efeito mais marcado na redução do cálcio, sendo acompanhada dum aumento da excreção de fosfato e consequentemente do citrato urinário. Os efeitos inibidores da cristalização, na urina, do citrato e do pirofosfato são benéficos. Indicação formal dos ortofosfatos são também os estados de hipercalciúria, mas os efeitos secundários são elevados. Os mais frequentes são a diarreia, cãibras abdominais, náusea e vómitos. É necessário controlar os níveis de PTH (paratormona). Uma redução de dose pode ser necessário para os controlar.
Na revisão da literatura encontram-se apenas dois trabalhos, com dupla ocultação. Num dos trabalhos não se encontram efeitos terapêuticos, no outro demonstrou-se uma redução na formação de novos cálculos. Também se verificou uma boa adesão ao tratamento, quer nestes trabalhos quer noutros com metodologia e doses diferentes. Em resumo, os ortofosfatos não são um medicamento de 1ª escolha no tratamento de hipercalciúria, se nos quisermos fundamentar numa evidência científica comprovada na clínica, mas podem vir a sê-lo, em casos selecionados, como uma boa alternativa.

fosfato 180x180 - Restrição de Fosfatos

Restrição de Fosfatos

Geralmente não se faz restrição de fosfatos em doentes com hipercalciúria idiopática. Esta restrição pode ter algum interesse apenas em doentes com infecção urinária a microrganismos desdobradores da ureia, como o Proteus ou a Klebsiella. Uma dieta baixa em fosfatos conduzirá à diminuição de fosfatos na urina, diminuindo, portanto, a saturação da mesma em fosfato de amónio e magnésio. Esta diminuição teoricamente constituirá um impedimento ao crescimento do cálculo. Nos doentes com litíase cálcica idiopática, não se deve limitar os fosfatos para não agravar a formação de cálculos. A diminuição dos fosfatos na urina aumentará o cálcio livre por não haver formação de complexos de fosfato de cálcio. O cálcio livre aumentará a atividade iónica na urina e, naturalmente, o risco litogénico nos casos raros em que esta redução é levada demasiado longe, podendo aparecer as complicações habituais das síndromes de depleção de fósforo – miopatia e osteomalacia.

Usos surpreendentes para bicarbonato de sodio 1 180x180 - Restrição de sódio

Restrição de sódio

O excesso de sal na dieta induz hipercalciúria, que secundariamente pode conduzir a hiperparatiroidismo secundário. A hipercalciúria, por um lado, e o aumento da indução pelo urato de sódio da cristalização dos sais de cálcio, por outro, são os mecanismos responsáveis pela formação de cálculos. Para contrariar estes mecanismo litogénicos devemos aconselhar a diminuição do consumo de sal de forma a não ultrapassar os 150 mg/dia, ou seja, 5,85 g de cloreto de sódio. Se esta medida é útil em todos os doentes com hipercalciúria, ela deve igualmente estender-se a todas as situações com litíase.
Consegue-se diminuir o sal na alimentação proibindo o saleiro na mesa, usando-o em quantidades mínimas durante a confeção dos alimentos e evitando alimentos previamente cozinhados ou legumes e hortaliças congelados, tratados ou pré-cozinhados. Estes processos de preservação são habitualmente acompanhados de grandes doses de sal. No nosso país o pão costuma ser rico em sal. Quando tivermos necessidade de ocultar a falta de sal nos alimentos, podemos recorrer ao tempero dos mesmos com limão.
As terminações gustativas existentes na língua, quando em contacto com o limão, ficam impedidas de poder fornecer a informação de falta de sal. Assim, é útil temperar as saladas com limão e não usar sal; juntar limão à carne grelhada ou ao peixe e a tantos outros alimentos igualmente poupará o uso de sal sem a sensação desagradável de se estar a comer comida insossa. Outra alternativa para não usar sal será o emprego de substitutos. A diminuição do sal na alimentação não só terá como benefícios a diminuição da saturação da urina em sais de cálcio e consequentemente o seu poder litogénico, mas também contribuirá para a profilaxia da hipertensão e da patologia vascular ateromatosa. O sal deve ainda ser reduzido nos doentes medicados com tiazidas para o controlo de hipercalciúria, caso contrário o efeito hipocalciúrico das tiazidas é anulado.
Nestas circunstâncias, o doente é geralmente aconselhado a não ultrapassar os 3 a 4 g de cloreto de sódio por dia. Deve igualmente saber que muitos aperitivos têm grande quantidade de sal.