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Vacina contra o HPV

Estão disponíveis duas vacinas do tipo inactivado, constituídas por partículas semelhante a virões (virus-like particles), não infecciosas, produzidas por tecnologia de ADN recombinante, destinadas à prevenção de infecções por HPV: infecções persistentes, lesões intra-epiteliais de baixo grau (CIN1 ou LSIL), lesões precursoras do cancro (CIN2/3 ou HSIL) e, finalmente, cancro do colo do útero. A vacina bivalente inclui antigénios dos subtipos 16 e 18 do HPV, responsáveis por 70 a 75% de casos de cancro do colo do útero. A vacina tetravalente inclui, para além de antigénio destes subtipos, antigénios dos subtipos 6 e 11, responsáveis por cerca de 90% de casos de verrugas genitais/condilomas.
Qualquer dos tipos está recomendado, sendo ambos altamente imunogénicos, e tendo demonstrado protecção, quer através da obtenção de títulos elevados de anticorpos específicos persistindo por mais de 5 anos, quer através da redução significativa da ocorrência de lesões do tipo CIN de grau 2 ou superior, tanto em mulheres sem infecção prévia por estirpes oncogénicas de HPV como em mulheres sem infecção prévia apenas pelos subtipos incluídos na vacina.
São administradas em 3 tomas (0, 2 e 6 meses). Ambas contêm hidróxido de alumínio como adjuvante. A vacina é considerada segura, sendo frequentes as reacções de eritema no local de injecção (deltóide) e raros casos de lipotimia, pelo que se recomenda o decúbito durante 15 minutos após a administração. Foram levantados alertas de segurança relacionados com casos de morte súbita potencialmente relacionados com a vacina tetravalente, embora, na opinião das autoridades reguladoras de saúde da Europa e dos EUA, não tenha sido estabelecida a relação com a administração da vacina.
Não está estabelecida a duração da protecção induzida pela vacina, embora não esteja recomendada a realização de reforços. De notar que a vacina não confere protecção contra lesões causadas por subtipos oncogénicos de HPV para além do 16 e 18, pelo que a sua introdução não deve afectar as recomendações actuais para a prevenção secundária da neoplasia cervical. A vacina não foi avaliada na protecção de doença associada ao HPV no sexo masculino nem em doentes com infecção por VIH.


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Ciprofloxacin

Quimioprofilaxia da Infecção em Doentes Imunodeprimidos

O benefício da profilaxia da infecção por P. jiroveci e da toxoplasmose cerebral em doentes com infecção por VIH, a presença de valores de linfócitos TCD4 + <200 células/mm3 (ou abaixo de 15% do total de linfócitos) está, actualmente, bem reconhecido (ver Tratamento das infecções parasitárias associadas a SIDA). A identificação de outras populações de doentes imunodeprimidos com risco aumentado de ocorrência de doenças infecciosas oportunistas veio alargar o âmbito da utilização de QP, embora nem sempre com base em estudos controlados. Em doentes com um risco aumentado de ocorrência de pneumocistose pulmonar e torna mandatório o início de QP. Os seguintes esquemas associaram-se a uma redução significativa da incidência desta patologia: - Co-trimoxazol, 480 ou 960 mg/dia, p.o., em toma única. - Co-trimoxazol, 960 mg em dias alternados, p.o. Em doentes intolerantes ao co-trimoxazol, podem utilizar-se as seguintes alternativas: - Pentamidina, 300 mg em nebulização de soro fisiológico, de 4/4 semanas. - Dapsona (200 mg p.o.)+pirimetamina (75 mg p.o.), em toma única semanal, com 15 mg de folinato de cálcio. A QP pode ser suspensa quando os valores de TCD4+ se situem de forma sustentada acima das 200 células/mm3.

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Quimioprofilaxia das doenças infecciosas

Apesar da disponibilidade de numerosos antibióticos com actividade contra a maioria das bactérias e fungos patogénicos para o homem e do progresso excepcional que a pandemia de infecção por VIH (vírus de imunodeficiência humana) despertou no desenvolvimento de fármacos capazes de controlar as doenças virais, as infecções continuam a estar na 1.ª linha das preocupações das entidades responsáveis pela Saúde Pública. Na realidade, é geralmente aceite que o advento da “era dos antibióticos” resultou, nas populações que deles puderam usufruir, numa redução da mortalidade associada às infecções. Nos EUA, as estimativas indicam que a mortalidade de causa infeciosa diminuiu de 797/100000, em 1900, para 36/100000, em 1980. As doenças que mais contribuíram individualmente para esta redução foram a gripe, a pneumonia e a tuberculose (TB), parecendo indicar que, para além do impacto evidente da melhoria das condições sanitárias, os antibióticos terão, em conjunto com as vacinações, contribuído para o resultado. No entanto, este estudo mostra, também, que a taxa de mortalidade infecciosa aumentou de modo consistente desde 1980 até ao final do século, com um acréscimo de mortalidade que, depois de descontada a relativa à SIDA, se cifrou em 22% e que é, na maior parte, relacionada também com mortes devidas a gripe e pneumonia.
Se considerarmos que este aumento ocorre numa época em que o armamentário antibiótico em pouco difere daquele de que dispomos hoje, é lícito questionar se o benefício decorrente da disponibilização de antibióticos terá atingido o seu limite. Neste contexto, é importante e urgente reconsiderar a estratégia de luta global contra a infecção, dando prioridade às estratégias preventivas que parecem passar, inclusivamente, pela redução dos níveis de utilização de antibióticos, numa perspectiva de utilização criteriosa.
Os dados referidos indicam, claramente, que a melhoria dos índices sanitários é um factor primordial no combate às doenças infecciosas, designadamente pelo impacto que tem sobre a sua transmissibilidade. Embora não caiba abordar neste manual as estratégias de controlo da infecção hospitalar baseadas na observação das medidas básicas de higiene e na gestão adequada das medidas de isolamento, a sua importância não pode deixar de ser sublinhada. Para além disso, deve ser recordado que os esforços na prevenção da transmissão de doenças infecciosas se devem concentrar, antes de tudo, na profilaxia da exposição aos agentes infecciosos.

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Vacinação em Viajantes

A frequência elevada com que as populações humanas se deslocam entre regiões diferentes quanto ao clima e à ecologia microbiana, por motivos de trabalho ou de lazer, levou ao desenvolvimento da chamada “Medicina do viajante”, existindo, já, numerosos centros que proporcionam consultas nesta área. Nestas, para além da gestão dos problemas gerados pela adaptação de patologias individuais preexistentes aos recursos clínicos específicos da região para onde se viaja, deve ser ponderada a necessidade de tomar medidas de prevenção contra patologias frequentes no local de destino, incluindo a necessidade de vacinação contra doenças infecciosas, a qual varia de acordo com o estado prévio de imunização individual e com as condições que afectam o risco de transmissão (região, estação do ano, duração da estadia, entre outras). Nesta secção, não cabendo estabelecer os critérios para essa ponderação, são apenas abordadas as características das principais vacinas disponíveis, no âmbito do tema da vacinação em adultos.

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Duração do Tratamento

Deve ser definido para cada caso, embora existam já recomendações relativamente precisas quanto à duração mais apropriada para muitas patologias infecciosas. Raras são as situações que requerem tratamento por mais de 2 semanas no doente imunocompetente.
Citam-se, como excepções, a endocardite, a osteomielite, a brucelose, a TB e a prostatite.
Na maioria dos casos, uma duração de 7-10 dias é suficiente para a esterilização do foco infeccioso, tendo, no entanto, em conta que esta pode ser mais lenta no contexto de imunodepressão. Deve ser salientado que o prolongamento da antibioterapia para além do período razoável para a obtenção de um efeito terapêutico acarreta riscos de emergência de mutantes com resistência cromossómica, com prejuízos para o próprio doente e para o ecossistema hospitalar.

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Síndrome Antifosfolipídica

Trata-se de uma entidade clínica actualmente bem definida com critérios clínicos e laboratoriais.
O diagnóstico pode ser feito apenas pela presença de um critério clínico e um laboratorial. A presença de qualquer dos anticorpos antifosfolípidos referidos de seguida (que devem ser pedidos separadamente) deve ser confirmada passadas 12 semanas do teste inicial, pois existem situações clínicas em que estes são passageiros e sem significado clínico (por exemplo, doenças linfoproliferativas ou doenças infecciosas).