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Tiroideia

A tiroideia é um órgão com cerca de 15-20 g nos adultos e 2×2,5×4 cm de diâmetro.
O iodo inorgânico é rápida e eficazmente absorvido pelo tubo digestivo, que por sua vez é absorvido pelas células tiroideias através da bomba Na+/I ATPase sob estimulação da TSH.
A oxidação do iodo inorgânico é feita pela enzima peroxidase da tiroideia, que utiliza peróxido de O2 e NADPH oxidases como doadores de O2, posteriormente este iodo é incorporado aos resíduos de tirosina da tireoglobulina (Tg) que é secretada pelas células foliculares para o interior do folículo, formando monoiodotirosina e diiodotirosina (organificação).
Finalmente forma-se triiodotironina (T3) e tiroxina (T4) que são as formas activas e que são libertadas para a circulação após a proteólise da Tg por parte das células foliculares sob estimulação da TSH.
O principal modulador do estado funcional e morfológico da glândula tiroideia é a TSH.
A secreção de TSH é estimulada pela TRH e inibida pelas hormonas tiroideias.
Assim, o défice de iodo pode levar à diminuição da síntese T4 e consequentemente ao aumento da TSH que, por sua vez, leva ao aumento da captação de iodo, da organificação e da proliferação celular com bócio.

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Aspiração de Partículas Sólidas

É a causa mais frequente de obstrução endoluminal em crianças e jovens. Pode ocorrer em doentes com faixa etária mais avançada perante falha dos mecanismos de proteção ou em indivíduos saudáveis durante a alimentação na presença de fatores desencadeantes como a fala, gargalhada ou espirro.
Os corpos estranhos localizam-se, por ordem decrescente de frequência, na árvore brônquica direita (60%), árvore brônquica esquerda, traqueia e laringe. O local de obstrução, tamanho, formato e tipo de material aspirado (sólido orgânico ou inorgânico) determinam a apresentação clinica:
— Obstrução central gera engasgamento, rouquidão, afonia, tosse, dispneia, estridor e cianose que pode durar segundos a minutos. Conduz a três situações possíveis: expulsão espontânea; o corpo estranho migra distalmente com percepção errónea de resolução completa do episódio; em situações mais raras verifica-se morte por asfixia após obstrução completa da via aérea pelo corpo estranho ou laringospasmo reflexo.
As complicações agudas são raras mas graves, englobando edema laríngeo, hemoptises, pneumotórax, pneumomediastino e rutura da árvore brônquica.
— Obstrução distai parcial ou completa se houver deslocamento do corpo estranho para a árvore brônquica distai. Numa obstrução prolongada, o material é incorporado pela mucosa brônquica e ocorre a formação de tecido de granulação. Muitas vezes o doente não se recorda do episódio de aspiração, apresentando-se assintomático ou com sintomas recorrentes de tosse, expetoração, pieira, dispneia, hemoptises, febre e toracalgia. No exame objetivo salientam-se alterações localizadas como sibilância monofónica e diminuição/ausência do murmúrio vesicular. As complicações crónicas surgem quando o diagnóstico é atrasado, caracterizando-se por hemoptises, estenose traqueal ou brônquica, fístula traqueoesofágica ou broncopleural, bronquiectasias localizadas, enfisema obstrutivo, atelectasia, pneumonia obstrutiva, abcesso pulmonar e fibrose pulmonar.
— Radiografia de tórax deve ser realizada embora a utilidade no diagnóstico dependa da radiopacidade do objeto aspirado e do grau de obstrução desenvolvido. As alterações mais comuns são insuflação, enfisema obstrutivo, desvio do mediastino, atelectasia e pneumonia.
— Broncofibroscopia permite o diagnóstico definitivo.
O tratamento deve ser adaptado à situação, sendo realizado em fase aguda com risco de vida por qualquer profissional de saúde com o objetivo de manter a patência da via aérea e posterior intervenção por especialista com treino específico na remoção de corpos estranhos:
— Manobra de Heimlich ou compressão torácica vigorosa em caso de asfixia aguda e obstrução total alta. Se o doente apresenta estabilidade clínica, estas intervenções estão contraindicadas dado que podem converter uma obstrução parcial em total.
— Broncoscopia rígida é o método preferencial para remoção de corpos estranhos da árvore traqueobrônquica.
— Corticoterapia se houver um amplo tecido de granulação envolvendo o corpo estranho.
— Antibioterapia se houver pneumonia obstrutiva.
— Prevenção de futuros episódios em indivíduos que apresentam fatores predisponentes.