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LÍTIO

As intoxicações agudas pelo lítio são relativamente raras e normalmente intencionais.
A absorção gastrintestinal é rápida, pelo que a eficácia da descontaminação é pequena.
A excreção renal é de 20% e deve ser levada em conta no tratamento, a fluidoterapia tem, portanto, o seu lugar. A utilização de furosemido é controversa porque, embora aumente a clarificação do lítio, pode aumentar a sua toxicidade pela contração do volume extracelular que provoca. Por outro lado, as características do fármaco – sem ligação às proteínas, pequeno volume de distribuição e baixo peso molecular – tornam-no facilmente removível por hemodiálise. A titulação da droga é importante e acima de 3 mmol/L poderá haver indicação para a sua remoção extracorporal, sobretudo se houver toxicidade do SNC como delírio, convulsões ou coma. No entanto, não se deve reagir a níveis, mas sim a sintomas.

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Inibidores da Colinesterase

As intoxicações com este grupo de agentes levam à acumulação de acetilcolina nos recetores nicotínicos e muscarínicos do SNC e autónomo e na junção neuromuscular.
Os carbamatos inseticidas provocam uma inibição enzimática reversível enquanto os organofosforados a fazem de forma irreversível.
A síndrome nicotínica é mais precoce e os doentes apresentam-se com midríase e fasciculações da língua e face e pode levar, nos casos graves, à paralisia respiratória.
A síndrome muscarínica inclui miose, sialorreia, broncorreia e hipotensão.
A presença de ataxia, convulsões e coma reporta-se ao envolvimento do SNC e à gravidade da intoxicação.
Para além das medidas de suporte, do carvão ativado e da lavagem gástrica com soro fisiológico na primeira hora, a administração de sulfato de atropina é a base da terapêutica na presença de sintomas muscarínicos. A atropina deve ser dada em bolus e.v. na dose de 2 a 5 mg no adulto e 0,05 mg/kg na criança e sempre acompanhada de oxigénio a alto débito. Se a resposta for inadequada (presença de secreções pulmonares), pode dobrar-se a dose e repetir a administração a cada 10 a 20 minutos. A atropinização pode ser necessária durante horas a dias.
As oximas, como a obidoxima e a pralidoxima (2-PAM), que atuam na junção neuromuscular, estão preconizadas sempre em adição à atropina e quando a intoxicação leva a fraqueza muscular com depressão respiratória. A sua eficácia é superior durante as primeiras 48 horas e deve manter-se durante 24 horas após a resolução das manifestações colinérgicas. A dose de 2-PAM recomendada é de um bolus inicial de 30 mg/kg seguido de uma infusão de 8 mg/kg/hora.

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Benzodiazepinas

O alprazolan é atualmente a benzodiazepina mais vezes implicada nas intoxicações agudas por este grupo de fármacos. Infelizmente também parece ser a mais tóxica.
O flumazenil (Anexate) não impede a ressedação e está contra-indicado no abuso crónico de benzodiazepinas e antidepressivos tricíclicos.
A dose inicial recomendada em doentes sonolentos ou comatosos é de 0,3 mg e.v. Se o grau desejado de consciência não for obtido em 60 segundos, podem dar-se doses subsequentes até o paciente ficar desperto ou até à dose total de 2 mg. Se a sonolência retorna, uma infusão de 0,1 a 0,4 mg/hora tem-se mostrado útil. A velocidade de infusão deve ser ajustada individualmente.

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Prevenção da Reexposição

As recorrências nos envenenamentos são relativamente frequentes e devem ser prevenidas. A educação dos adultos com intoxicações acidentais quanto ao uso seguro de fármacos e químicos deve ser promovida. Devem ainda ser efetivados esforços educacionais junto do pessoal de saúde para que se evitem erros de dosagem. A limitação de acesso aos tóxicos é provavelmente a abordagem mais segura em relação às crianças e sobredosagens intencionais dos adultos. A referenciação e acompanhamento psiquiátrico nos doentes deprimidos ou psicóticos são essenciais.

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Intoxicações Agudas

As intoxicações agudas e sobredosagens por fármacos acidentais ou intencionais são uma fonte significativa de morbilidade. Contudo, a sua mortalidade global não ultrapassa os 0,05% subindo para 1 a 2% nos doentes hospitalizados.
A maioria das intoxicações causa efeitos minor, é aguda, envolve uma única substância, ocorre por via digestiva e é acidental.
Os dados estatísticos de 2007 do Centro de Informação Antivenenos do Instituto Nacional de Emergência Médica revelam, relativamente ao número de consultas recebidas por exposição humana a tóxicos, uma incidência em adultos de 11694 casos (52,3%) contra 10694 casos em crianças (47,7%). Os fármacos contaram para mais de metade dos episódios – 110112 (64%) – com as benzodiazepinas em primeiro lugar seguidas pelo paracetamol e antidepressivos; os tóxicos domésticos e industriais (lixívia soda cáustica), os pesticidas/herbicidas (organofosforados e carbamatos/paraquat) e os cosméticos corresponderam respetivamente a 26, 6 e 3% dos casos relatados.
O monóxido de carbono (CO), os analgésicos (paracetamol e salicilatos), os sedativos hipnóticos, os antidepressivos e os antipsicóticos, as “drogas de rua”, os organofosforados, os carbamatos insecticidas, o paraquat e os álcoois (metanol e etilenoglicol) são os responsáveis pelas principais intoxicações que levam à morte por ordem decrescente de frequência.