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155436 Papel de Parede Olho 155436 1280x720 180x180 - Outros órgãos e sistemas (Complicações da RT)

Outros órgãos e sistemas (Complicações da RT)

Ao nível do olho e anexos, dependendo da dose e volume irradiados, a RT pode provocar lesões no cristalino, aparelho lacrimal, retina ou nervo óptico, com alterações na pressão intra-ocular, cataratas, xeroftalmia ou alterações nos campos visuais.
As alterações sobre o aparelho auditivo incluem tinnitus, perda de acuidade auditiva, sendo estes efeitos mais notáveis quando há combinação com citostáticos com ototoxicidade (por exemplo, cisplatina).
A irradiação de neoplasias do pescoço ou mediastino poderá levar a défices hormonais progressivos pela irradiação da tiróide, devendo ser efectuada uma vigilância adequada com a instituição precoce do tratamento de substituição; é frequente o aparecimento de hipotiroidismo subclínico, revelado por TSH elevada, que importa tratar.
Os efeitos sobre o coração podem variar dependendo da dose e volume de miocárdio irradiado e da eventual combinação de drogas cardiotóxicas e incluem pericardite, derrame pericárdico, fibrose do miocárdio, doença isquémica, redução de volume ventricular esquerdo secundária a cardiomiopatia e lesões valvulares. Estes efeitos são raros, mas dependem também de idade e consumo de tabaco.
A irradiação pulmonar pode provocar alterações na elasticidade do órgão, com redução da compliance e capacidade de difusão, levando progressivamente a doença restritiva, se forem irradiados volumes muito extensos.

Abdomen definition meaning what is it dictionary 180x180 - Abdómen e Pélvis (Complicações da RT)

Abdómen e Pélvis (Complicações da RT)

A irradiação de vísceras ocas é aquela que gera uma maior quantidade de sintomas mal tolerados, sendo o risco maior em zonas de fixação de ansas intestinais, principalmente de intestino delgado. Isto acontece porque, sendo a acção das radiações proporcional à dose absorvida, qualquer órgão que se possa movimentar, e eventualmente deslocar-se para fora do campo de tratamento, está menos sujeito a evidenciar essas lesões.
Os sintomas vão desde as náuseas e vómitos iniciais, de maior ou menor intensidade, até à diarreia mais ou menos intensa. No tratamento da diarreia, é habitualmente empregue a loperamida com eficácia. As náuseas e vómitos são facilmente controlados com os procinéticos do tipo da metoclopramida. A irradiação da ampola rectal pode levar ao aparecimento de tenesmo rectal, embora com pouca frequência, podendo obter-se alívio local empregando enemas com corticóide.
Durante o tratamento de tumores pélvicos pode ainda ocorrer uma sintomatologia típica de cistite. Todos os sinais e sintomas descritos pelo doente são sobreponíveis aos de uma cistite infecciosa, no entanto a análise microbiológica da urina raramente tem critérios de infecção. A irradiação provoca uma lesão no urotélio, em tudo idêntica à devida a uma sobrepopulação bacteriana, donde a semelhança do quadro. O tratamento das situações mais avançadas inclui a hidratação e eventual acidificação da urina, através da administração da vitamina C.
Curiosamente a administração de antibióticos, como numa cistite infecciosa, é eficaz no alívio desta situação, suportando a hipótese de a sintomatologia se dever à acção da população bacteriana da bexiga, pela descida relativa do seu limiar infeccioso (habitualmente estabelecido numa concentração de 100000 bactérias por mm3) condicionado por uma mucosa fragilizada.

Como aliviar a dor de cabeça com exercícios 180x180 - SNC (Complicações da RT)

SNC (Complicações da RT)

Durante a irradiação cerebral não é frequente o aparecimento de intercorrências, já que as mais frequentes, cefaleias, náuseas, alterações do equilíbrio, se devem ao aparecimento ou agravamento de um edema cerebral, para o qual a maior parte dos doentes se encontra já a fazer tratamento. Pela sua condição inicial, estes doentes estão geralmente medicados com corticosteróides em doses elevadas. Não é aconselhável a redução da dose de corticóide durante a RT, devendo mesmo ser aumentada caso apareçam ou se agravem sintomas. Alguns radioterapeutas advogam a instituição de corticoterapia desde o início da RT, enquanto outros preferem aguardar pelo início dos sintomas. Ainda não foi provado qual das atitudes é a correcta.

30 5 2012 9 36 23crianca cancer 180x180 - Complicações das Terapêuticas em Oncologia

Complicações das Terapêuticas em Oncologia

Todas as abordagens terapêuticas (cirurgia, radioterapia (RT) ou quimioterapia) são susceptíveis de induzir algum tipo de complicação; estas complicações podem ter uma cronologia relativamente própria e, nesta perspectiva, serem classificadas como agudas ou tardias. De forma mais ou menos arbitrária referem-se com complicações agudas as que surgem entre dias e semanas e são geralmente reversíveis, e as tardias que surgem meses a anos após esta e são habitualmente irreversíveis. De algumas das possíveis complicações agudas fala-se adiante.
De entre as complicações tardias salientam-se as segundas neoplasias. Os doentes tratados a uma primeira neoplasia estão em risco acrescido de desenvolverem uma segunda neoplasia, em particular os doentes pediátricos: seja por susceptibilidade genética do doente, seja porque algumas das terapêuticas provocam alterações que levam à 2.ª neoplasia ou porque os doentes têm maiores sobrevivências. São exemplo o carcinoma do coto gástrico em doentes submetidos a gastrectomia (mesmo de causa não oncológica), sarcoma em áreas irradiadas ou o desenvolvimento de leucemia aguda em doentes tratados com antraciclinas, alquilantes ou etoposido.
O conhecimento destas diferentes possíveis complicações justifica o acompanhamento por tempo indefinido (consulta anual), preferencialmente por clínico familiarizado com estas situações. Algumas recomendações:
—> Doentes submetidos a irradiação deverão ter exame imagiológico sempre que ocorra, de novo, dor (ou outro sintoma persistente) em área irradiada.
—> Doentes que tiveram irradiação da mama, colo do útero ou colorrectal deverão fazer regularmente exames de rastreio (mamografia, Papanicolau ou colonoscopia).
—» Todos os doentes que foram tratados com agentes alquilantes, procarbazina, inibidores da topoisomerase II ou antraciclinas deverão fazer hemogramas regulares durante pelo menos 12 anos.
—> A verificação de macrocitose ou de alguma citopenia justifica avaliação da medula óssea – risco de mielodisplasia.
—> Doentes submetidos a RT mediastínica (por exemplo, em linfoma de Hodgkin) devem ser avaliados cardiologicamente – risco aumentado de doença coronária.

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TC Simulador

A simulação com TC utiliza um aparelho de TC com software de localização e simulação virtual e sistema de lasers para posicionamento do doente. O sistema permite obter informação tridimensional relativa à anatomia do doente, delinear o tumor e outras estruturas, determinar um volume alvo para o tratamento, efectuar marcações de referência na pele do doente, simular e modificar os campos de irradiação, produzir e imprimir radiografias reconstruídas digitalmente. Usando software de reconstrução 3D, os campos podem ser visualizados na superfície cutânea através de sistemas de lasers móveis. Este método é superior à simulação convencional, tirando partido de um sistema de simulação geométrica.
A simulação virtual é inteiramente baseada na anatomia individual. E uma simulação volumétrica, que tem em conta cada curva e cada ângulo do indivíduo. A informação é completa e precisa relativamente ao tamanho, localização e posição de qualquer estrutura anatómica. O tumor pode ser delimitado com exactidão e o feixe de tratamento orientado para o seu centro. A dependência nas características individuais de cada doente estabelece este método como uma ferramenta essencial para a RT conformacional, permitindo minimizar o volume de tecido normal tratado.
A simulação com TC permite uma avaliação detalhada da anatomia interna, com a vantagem acrescida de possibilitar uma visualização mais avançada da extensão tumoral.
Através de ferramentas específicas, os dados obtidos com TC podem ser associados aos obtidos com RM, PET ou SPECT, para visualização morfológica e funcional.

urologia 180x180 - CLÍNICA

CLÍNICA

A apresentação clínica depende da localização, duração e grau de obstrução.
A obstrução do aparelho urinário alto (rim, uréter) pode originar lombalgia com ou sem irradiação ao flanco e região inguinal homolateral. Na fase aguda pode ser acompanhada de náuseas e vómitos. A obstrução crónica pode ser assintomática. Se houver infeção associada pode existir febre, calafrios e disúria; por vezes há hematúria. Em obstruções bilaterais ou em rim único podemos ter situações de uremia, com astenia, edemas periféricos e alterações do estado mental.
A obstrução urinária inferior (bexiga e uretra) pode originar disfunção miccional (com queixas de enchimento e de esvaziamento), com dor suprapúbica e, por vezes, retenção urinária. Pode existir hematúria.