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Medidas gerais (Síndrome do Intestino Irritável)

Estas são muitas vezes suficientes para o tratamento de síndromes ligeiras e deverão acompanhar sempre a terapêutica farmacológica quando esta se torna necessária.
– Relação médico-doente “centrada numa boa comunicação – compreender e esclarecer”.
A redução da sintomatologia e a diminuição da frequência de consultas estão relacionadas com a excelência da relação terapêutica. À segurança de um diagnóstico positivo tem que juntar-se o perfil sintomático crónico e reverberativo, sem risco oncológico acrescido, o suficiente para influenciar a história natural e o prognóstico desta patologia.
—> Adaptações no estilo de vida “consideradas como empíricas”.
Deve-se incentivar o exercício físico, sugerir uma dieta equilibrada e valorizar a metodologia adequada ao processo defecatório. Promover o registo diário de sintomas, hábitos dietéticos e alterações psicológicas como potenciais factores desencadeantes.
A identificação e correcção de factores psicossociais que desencadeiam ou perpetuam o complexo sintomático reduzem, muitas vezes, a frequência das consultas.
—> Factores dietéticos e medicamentosos “causa de alterações nos hábitos intestinais”.
A visualização, odor e ingestão de alguns alimentos podem desencadear sintomas. As dietas de exclusão demonstraram uma redução sintomática em 15% dos doentes. Podem agravar a diarreia: café, chá, leite, álcool ou alimentos com sorbitol e frutose incluídos nos frutos, doces e bebidas. Alimentos ricos em lípidos ou os citrinos aumentam a viscerocepção e acentuam os reflexos intestinais. A fermentação cólica e a formação de gás ficam aumentadas com o consumo de leguminosas ou couves. A suplementação de fibras dietéticas (20 a 40 g/dia), preferencialmente solúveis, podem aliviar a obstipação, mas têm um benefício limitado. As fibras são polissacáridos solúveis ou insolúveis que a microflora cólica metaboliza em gás, fluidos e ácidos gordos de cadeia curta. Estes diminuem o tempo de trânsito intestinal levando à diminuição da pressão intracólica e aliviando a obstipação, reduzindo potencialmente o desconforto abdominal.

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Estratégias de Tratamento (Síndrome do Intestino Irritável)

A terapêutica deve ser individualizada e permanentemente actualizada com base no sintoma perdominante e na gravidade do complexo sintomático.

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Terapêutica (Síndrome do Intestino Irritável)

O principal objectivo é a redução da intensidade e frequência dos sintomas, pelo que a sua aplicação deve ser segura e adequada, tendo em conta a melhoria da qualidade de vida.
A clarificação de que é uma entidade comum e que não há riscos de sérias complicações deve confortar o doente. O diagnóstico firme baseado em critérios clínicos válidos, a ausência de sintomas de alarme e um exaustivo exame físico, associados a testes diagnósticos simples, ajudam a estabelecer a confiança indispensável.

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Síndrome do Intestino Irritável

A SII (síndrome do intestino irritável) é caracterizada pela presença crónica e recorrente de dor ou desconforto abdominal associadas a uma alteração dos hábitos intestinais, na ausência de causas orgânicas detectáveis. Como entidade funcional, é definida por critérios baseados em sintomas, como consta no último consenso de “Roma III”. Tem uma prevalência entre 10 a 15% e é mais frequente no sexo feminino (2:1). A ansiedade e a depressão são condições psicológicas concomitantes comuns contribuindo para o agravamento da qualidade de vida e o excessivo consumo de cuidados de saúde. Os sintomas têm evolução prolongada e flutuante, persistindo em 55% dos doentes ao fim de um período de 12 anos. O início da sintomatologia e as exacerbações sintomáticas são, muitas vezes, precedidas por acontecimentos de stress psicossocial ou físico. Alterações da motilidade e do equilíbrio entre a secreção e absorção intestinal estão subjacentes às irregularidades dos hábitos intestinais, potencialmente mediadas pela disfunção do eixo da serotonina (5-HT). Esta (5-hidroxitriptofano) está armazenada nas células enterocromafins (90%) e nos neurónios do sistema motor entérico (10%), tendo como receptores principais os 5-HT3 e 5-HT4. Os primeiros (5-HT3) são responsáveis pela modulação da dor visceral, contribuem para os movimentos peristálticos e, no SNC, influenciam a componente emocional da estimulação visceral. Os segundos (5-HT4), responsáveis pela libertação de neurotransmissores excitatórios pelos neurónios entéricos colinérgicos, fazem a modulação do tónus do músculo liso intestinal, da secreção de electrólitos e dos reflexos peristálticos.
O aumento da percepção dos estímulos intestinais contribui para a existência de dor ou desconforto abdominal. A perturbação do sistema imune da mucosa e da microflora intestinal também pode contribuir para a etiopatogenia dos sintomas. O perfil sintomático individual, essencial à estratégia terapêutica, define quatro subtipos principais segundo a classificação de Spiller et. al.: SII com obstipação (SII-O; 24%), SII com diarreia (SII-D; 25%), SII misto (SII-M; 46%) e SII-I indiferenciado. Alguns doentes constituem um subtipo evolutivo caracterizado pela alternância entre o padrão da obstipação e a diarreia, conhecidos como “alternadores”. Para classificar a forma das fezes é actualmente recomendada a aplicação da Escala de Bristol.