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LÍTIO

As intoxicações agudas pelo lítio são relativamente raras e normalmente intencionais.
A absorção gastrintestinal é rápida, pelo que a eficácia da descontaminação é pequena.
A excreção renal é de 20% e deve ser levada em conta no tratamento, a fluidoterapia tem, portanto, o seu lugar. A utilização de furosemido é controversa porque, embora aumente a clarificação do lítio, pode aumentar a sua toxicidade pela contração do volume extracelular que provoca. Por outro lado, as características do fármaco – sem ligação às proteínas, pequeno volume de distribuição e baixo peso molecular – tornam-no facilmente removível por hemodiálise. A titulação da droga é importante e acima de 3 mmol/L poderá haver indicação para a sua remoção extracorporal, sobretudo se houver toxicidade do SNC como delírio, convulsões ou coma. No entanto, não se deve reagir a níveis, mas sim a sintomas.

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Estabilizadores do Humor

Neste grupo incluem-se os sais de lítio, a carbamazepina e o valproato. Ulteriormente juntaram-se a esta lista outros anticonvulsivantes, como o topiramato e, mais recentemente, a lamotrigina. E no mínimo duvidoso que o topiramato, em monoterapia, garanta um efeito estabilizador significativo, devendo preferencialente ser considerado como uma terapêutica add on.
O uso psiquiátrico da lamotrogina é aqui a mais recente novidade. Compete afirmar que as suas virtualidades terapêuticas em psiquiatria não terão sido devidamente demonstradas e que, por outro lado, é um medicamento – como é bem conhecido – com um perfil problemático do ponto de vista da segurança, nomeadamente pelo risco de toxicidade hepática. Apesar destes aspectos, e também sendo um medicamento pouco manejável, que exige uma fase prolongada e medicamente vigiada de titulação da dose, é mais um composto que ganhou aceitação entre os psiquiatras portugueses, muitas vezes prescrito em doses reconhecidamente subterapêuticas. Um aspecto particular refere-se ao facto de, tal como no caso da quetiapina atrás referido, poder ser eficaz nas “depressões bipolares”.
De um modo geral, as indicações psiquiátricas deste grupo de fármacos relacionam-se com as perturbações afectivas recorrentes, com destaque para a doença bipolar. A associação do lítio a antidepressivos potencia o efeito terapêutico e tem sido proposta no tratamento das depressões “resistentes”.
Os critérios de decisão terapêutica nesta área da psiquiatria comportam alguma ambiguidade, por manifestas influências de escola. O uso de anticonvulsivantes na doença bipolar (e em especial do valproato) tem sido privilegiado pelas escolas norte-americanas, que defendem o emprego destes fármacos não apenas com finalidades preventivas, mas também no tratamento agudo da mania e até da depressão. Em contrapartida, a psiquiatria europeia adopta preferencialmente uma perspectiva mais conservadora, valorizando a finalidade preventiva e aceitando mais facilmente o uso de tratamentos agudos com antipsicóticos ou antidepressivos nas fases de descompensação. De qualquer modo, a doença bipolar inclui tipos clinicamente distintos e de gravidade diversa, que reconhecidamente condicionam a escolha do fármaco estabilizador, não sendo também infrequente a necessidade de recorrer a associações entre estabilizadores e eventualmente outros psicofármacos.
Para o médico não especialista importa sobretudo chamar a atenção para os aspectos particulares da farmacologia do lítio, nomeadamente no que se refere à necessidade de monitorização dos respectivos níveis plasmáticos (com janela terapêutica estreita), aos sinais de toxicidade aguda e crónica e às interacções com uma considerável variedade de fármacos, entre os quais, medicamentos de uso corrente como diuréticos e anti-inflamatórios. Por sua vez, as regras de utilização e precauções aconselhadas com o valproato, a carbamazepina e outros anticonvulsivantes não divergem das adoptadas, quando esses fármacos são utilizados como anticonvulsivantes.

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Terapêutica Profiláctica

Destina-se a encurtar o surto:
-> Verapamil (doses de 120-320 mg/dia, dividido em 3/4 tomas) pode causar obstipação, edemas, hipotensão.
-> Carbonato de lítio (comprimidos de 400 mg 1 -2xdia) com controlo da litemia (os níveis terapêuticos verificam-se entre as concentrações de 0,5 e 1,5 mEq/L e os níveis tóxicos acima deste último valor). Os seus principais efeitos adversos são as queixas gastrintestinais (anorexia, náuseas, vómitos, diarreia), tremor, sonolência, poliúria, polidipsia e alteração da visão. Está contra-indicado na insuficiência cardíaca e renal e na gravidez; a dose deve ser reduzida para metade na presença de uma síndrome febril.
—> Corticoterapia – prednisona por um período curto (8-15 dias), na dose inicial de 60 mg/dia seguida de um “desmame” rápido. Durante a sua administração deve ser efetuada uma protecção gástrica, com anti-ácido, e vigiada a glicemia e a tensão arterial. Devem-se atender às contra-indicações gerais da corticoterapia.
—> Infiltração do nervo occipital com betametasona – é eficaz como terapêutica preventiva de curto termo.