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aminossalicilato de sodio oral 1024x835 180x180 - Pirazinamida (Tuberculose)

Pirazinamida (Tuberculose)

— Pirazinamida (PZA) – é um antibiótico sintético análogo da nicotinamida, cujo mecanismo de acção não está esclarecido, que tem de ser convertido na forma activa, o ácido pirazinóico, por meio da pirazinamidase micobacteriana. É útil pela sua actividade bactericida sobre micobactérias sem multiplicação e em meio ácido (focos de necrose caseosa). Em monoterapia, a resistência desenvolve-se rapidamente por mutação do gene micobacteriano que codifica a pirazinamidase.
• Farmacologia – bem absorvido p.o., tem excelente distribuição tecidular, sendo eliminado sobretudo por metabolização hepática. Atravessa facilmente a BHE na ausência de inflamação, sendo útil no tratamento de TB do SNC.
• Segurança – são frequentes náuseas, vómitos e artralgia e pode ocorrer hepatotoxicidade (até 15%), descrita sobretudo com doses diárias superiores a 25 mg/kg, mas também em regimes de curta duração (2 meses), em combinação com RFP, usados no tratamento da TB latente [281. Cerca de 50% dos doentes apresentam uricemia assintomática. Muito raramente, pode ocorrer nefrite intersticial, rabdomiólise, fototoxicidade e exantema morbiliforme.
• Interacções – não estão descritas interacções farmacocinéticas com relevância clínica, para além da possibilidade de potenciação da hepatotoxicidade da RFP.
• Posologia e administração – a DDR é de 20-25 mg/kg, em toma única ou dividida em 2 tomas, podendo utilizar-se doses bi-semanais de 50 mg/kg/dia durante períodos não superiores a 2 meses.

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Hidromorfona

Recentemente introduzida em Portugal, é uma molécula normalmente comercializada na forma de cloridrato, com características analgésicas e antitússicas.
Classificada nos opióides agonistas totais dos receptores /u, a hidromorfona é sintetizada a partir da morfina, por hidrogenação catalítica, embora também surja em vestígios no nosso organismo por metabolização da mesma.
Este processo de síntese resulta numa droga de maior solubilidade lipídica e, consequentemente, maior capacidade de atravessar a barreira hematoencefálica, o que faz da hidromorfona um fármaco com início de acção mais rápido que a morfina e 8 a 10 vezes mais potente que ela, não produzindo metabolitos activos no organismo.
O seu perfil de efeitos secundários é também mais favorável, produzindo menor libertação de histamina e pelo menos náuseas e vómitos, o que leva a ser considerada uma interessante e útil escolha para muitas situações de tratamento de dor crónica.
Apesar de existirem diversas apresentações, desde as de acção rápida e de disponibilidade imediata até às de libertação retardada, foi comercializada em Portugal na forma de comprimidos, doseados a 4 mg, 8 mg, 16 mg, 32 mg e 64 mg, todos de libertação retardada de 24 horas, utilizando o inovador sistema de Oros Push-Pull que assegura taxas constantes de libertação do produto.

reduzir riscos do uso de antibioticos para criancas e simples 1  2012 10 22151531 180x180 - Derivados Imidazólicos

Derivados Imidazólicos

—> Metronidazol – é um antibiótico sintético derivado do 5-nitroimidazol. Para além do seu interesse como fármaco antiparasitário, o metronidazol tem actividade bactericida através da sua activação em meio anaeróbio que leva à sua acumulação no interior das bactérias, resultando na oxidação dos componentes do citoplasma e na desnaturação do ADN. O facto de ter actividade selectiva para bactérias anaeróbias, incluindo C. difficile, torna-o um agente terapêutico de grande utilidade na terapêutica anti-infecciosa.
• Farmacologia – é bem absorvido por via oral, com uma biodisponibilidade de 80%.
A sua distribuição é boa na maioria dos tecidos, incluindo o osso, os fluidos seminal e vaginal, a placenta, o leite materno e o LCR (43% da concentração plasmática).
É eliminado sobretudo por via urinária (60 a 80%) e fecal, sendo os níveis pouco afectados em situações de insuficiência renal. Metabolização hepática de 30-60% (hidroxilação, oxidação e glucoronidação), pelo que a sua depuração está reduzida na disfunção hepática. No homem, a administração oral de 500 mg proporciona níveis plasmáticos de 11,5 a 13 mg/L com Tmax de 3 horas. A 11/2 é de cerca de 8 horas, quer p.o., quer e.v.
– Segurança – descrita a ocorrência de convulsões, neuropatia periférica, pelo que são recomendadas precauções particulares quando tiver de ser utilizado no tratamento de infecções do SNC (abcesso cerebral, por exemplo). Outras reacções adversas incluem disguesia (sabor metálico), glossite, reacção urticariforme, disúria e tenesmo urinário, pancreatite, febre medicamentosa, leucopenia (reversível) e trombocitopenia (rara, mas potencialmente irreversível). O metronidazol é carcinogénico no modelo animal, e foi descrito um aumento de risco de ocorrência de neoplasias intestinais na doença de Crohn em doentes medicados com metronidazol durante períodos prolongados.
– Interacções – o metronidazol inibe o metabolismo dos anticoagulantes orais e da fenitoína, aumentando as suas concentrações plasmáticas com potencial desenvolvimento de toxicidade. O fenobarbital reduz as concentrações do metronidazol, podendo comprometer a sua eficácia terapêutica. A cimetidina inibe o metabolismo do metronidazol. A co-administração de etanol e metronidazol induz um risco de reacções do tipo dissulfiram.
• Posologia e administração – estão disponíveis formulações orais sólidas (250 mg e 500 mg) e para administração parentérica (e.v.), 500 mg/unidade. Disponíveis formulações para uso tópico com interesse no tratamento de parasitoses. Útil no tratamento de infecções sistémicas ou localizadas quando se suspeite do envolvimento de anaeróbios, designadamente nos abcessos abdominais e do SNC, como adjuvante do tratamento cirúrgico. No tratamento da doença associada ao C. difficile, pode ser uma alternativa à vancomicina oral, embora com eficácia algo inferior, provavelmente devido à sua rápida e elevada absorção, reduzindo os níveis no lume intestinal.
A posologia recomendada, no adulto, é de 250 a 500 mg de 8/8 horas p.o., e 500 mg de 12/12 a 8/8 horas, e.v., recomendando-se uma dose de carga de 15 mg/kg na 1.ª toma. A dose diária não deve exceder 4 g. A sua utilidade no tratamento combinado da infecção por H. pylori tem sido reduzida devido à emergência de estirpes resistentes desta bactéria.

1602SER 180x180 - Que antibiótico escolher – Factores Inerentes ao Hospedeiro II

Que antibiótico escolher – Factores Inerentes ao Hospedeiro II

A existência de variações genéticas associadas ao haplotipo ou a polimorfismos na expressão de genes relacionadas com a absorção ou com a metabolização dos fármacos.
Estes factores, embora comecem a ser alvo de investigação aprofundada e sejam do maior interesse por poderem vir a proporcionar uma utilização mais eficaz e segura dos antibióticos, são difíceis de prever apenas com base no fenótipo do portador, tal é a diversidade de factores genéticos envolvidos. Um exemplo da sua utilidade provém da estreita correlação demonstrada entre a ocorrência de reacções graves de hipersensibilidade ao abacavir e o haplotipo HLA B5701, cujo rastreio veio proporcionar a recuperação da utilização segura de um fármaco valioso. Outros exemplos incluem os acetiladores lentos da isoniazida, mais expostos aos riscos de toxicidade deste fármaco, e o efeito que polimorfismos ao nível do gene que codifica a isoenzima 3A4 do citocromo P450, como a variante 516T, podem ter na exposição aos fármacos inibidores não nucleósidos da transcriptase reversa do VIH, particularmente do efavirenze, com impacto na toxicidade associada a este fármaco.