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SII 1 180x180 - Medidas gerais (Síndrome do Intestino Irritável)

Medidas gerais (Síndrome do Intestino Irritável)

Estas são muitas vezes suficientes para o tratamento de síndromes ligeiras e deverão acompanhar sempre a terapêutica farmacológica quando esta se torna necessária.
– Relação médico-doente “centrada numa boa comunicação – compreender e esclarecer”.
A redução da sintomatologia e a diminuição da frequência de consultas estão relacionadas com a excelência da relação terapêutica. À segurança de um diagnóstico positivo tem que juntar-se o perfil sintomático crónico e reverberativo, sem risco oncológico acrescido, o suficiente para influenciar a história natural e o prognóstico desta patologia.
—> Adaptações no estilo de vida “consideradas como empíricas”.
Deve-se incentivar o exercício físico, sugerir uma dieta equilibrada e valorizar a metodologia adequada ao processo defecatório. Promover o registo diário de sintomas, hábitos dietéticos e alterações psicológicas como potenciais factores desencadeantes.
A identificação e correcção de factores psicossociais que desencadeiam ou perpetuam o complexo sintomático reduzem, muitas vezes, a frequência das consultas.
—> Factores dietéticos e medicamentosos “causa de alterações nos hábitos intestinais”.
A visualização, odor e ingestão de alguns alimentos podem desencadear sintomas. As dietas de exclusão demonstraram uma redução sintomática em 15% dos doentes. Podem agravar a diarreia: café, chá, leite, álcool ou alimentos com sorbitol e frutose incluídos nos frutos, doces e bebidas. Alimentos ricos em lípidos ou os citrinos aumentam a viscerocepção e acentuam os reflexos intestinais. A fermentação cólica e a formação de gás ficam aumentadas com o consumo de leguminosas ou couves. A suplementação de fibras dietéticas (20 a 40 g/dia), preferencialmente solúveis, podem aliviar a obstipação, mas têm um benefício limitado. As fibras são polissacáridos solúveis ou insolúveis que a microflora cólica metaboliza em gás, fluidos e ácidos gordos de cadeia curta. Estes diminuem o tempo de trânsito intestinal levando à diminuição da pressão intracólica e aliviando a obstipação, reduzindo potencialmente o desconforto abdominal.

fármacos 180x180 - Ortofosfatos

Ortofosfatos

Dois tipos de ortofosfatos foram ensaiados – o ácido e o neutro – no tratamento de doentes com litíase cálcica. Os ortofosfatos diminuem a hipercalciúria ao conseguirem a diminuição da absorção intestinal do cálcio, pela redução da síntese da 1,25 vitamina D.
O ortofosfatos neutro tem um efeito mais marcado na redução do cálcio, sendo acompanhada dum aumento da excreção de fosfato e consequentemente do citrato urinário. Os efeitos inibidores da cristalização, na urina, do citrato e do pirofosfato são benéficos. Indicação formal dos ortofosfatos são também os estados de hipercalciúria, mas os efeitos secundários são elevados. Os mais frequentes são a diarreia, cãibras abdominais, náusea e vómitos. É necessário controlar os níveis de PTH (paratormona). Uma redução de dose pode ser necessário para os controlar.
Na revisão da literatura encontram-se apenas dois trabalhos, com dupla ocultação. Num dos trabalhos não se encontram efeitos terapêuticos, no outro demonstrou-se uma redução na formação de novos cálculos. Também se verificou uma boa adesão ao tratamento, quer nestes trabalhos quer noutros com metodologia e doses diferentes. Em resumo, os ortofosfatos não são um medicamento de 1ª escolha no tratamento de hipercalciúria, se nos quisermos fundamentar numa evidência científica comprovada na clínica, mas podem vir a sê-lo, em casos selecionados, como uma boa alternativa.