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5008 300 180x180 - Dose de diálise e diálise adequada

Dose de diálise e diálise adequada

Como qualquer terapêutica, a hemodiálise tem que ser administrada na dose apropriada o que é um dos fatores determinantes do sucesso da terapêutica e da sobrevivência destes doentes. Usamos como medida indireta dessa dose a depuração de uma pequena molécula, a ureia, e exigimos um mínimo de 12 horas semanais de diálise para assegurar que as moléculas tóxicas maiores são igualmente removidas.
Os métodos mais utilizados para avaliação da eficácia da diálise são a taxa de redução de ureia durante a hemodiálise (URR) e o Kt/V. Este é um índice em que K é a soma das clearances do dialisador ou do peritoneu e da clearance renal residual, t o tempo de tratamento e V o volume de distribuição corporal da ureia, considerado grosseiramente como a água total do organismo, isto é, 60% do peso do corpo. Atualmente é recomendada uma taxa de redução de ureia (ureia pré-diálise – ureia pós-diálise/ureia pré-diálise) de pelo menos 65% e um Kt/V alvo de 1,4/sessão (hemodiálise) ou 2xsemana (diálise peritoneal).
Quando pretendemos aumentar esta dose, devemos confirmar a boa qualidade do acesso vascular e colocação das agulhas, maximizar o débito de sangue efetivo no circuito extracorporal acima de 350 ml/min, e secundariamente aumentar a área do dialisador e o débito da solução dialisante até 800 ml/min. Aumentar o tempo de diálise ou o número de diálises por semana são provavelmente as medidas mais eficazes para aumentar a dose de diálise.

como funcionan los antibioticos 1 0 180x180 - Inibidores de Tirosina Quinases

Inibidores de Tirosina Quinases

—> Dirigidos ao bcr-abl e c-kit – o imatinib foi a primeira destas novas moléculas a ser utilizada; o seu mecanismo de acção é paradigmático da especificidade destas moléculas: inibe a transdução de sinal inibindo a mensagem para divisão celular enviada a partir da tirosina quinase anormal codificada pelo gene de fusão bcr-abl (alteração resultante da translocação 9;22 ou cromossoma Filadélfia); inibe também outras tirosinas quinases; como já referido, usa-se na leucemia mielóide crónica e no GIST.
O dasatinib é um inibidor múltiplo de tirosina quinases; usa-se na leucemia mieloide crónica.
– Dirigidos ao EGFR {epidermal growth factor receptor) – o erlotinib actua por inibição da autofosforilação do EGFR; utilizado no carcinoma de não pequenas células do pulmão e no pâncreas. O gefitinib bloqueia reversivelmente o EGFR e tem sido usado no carcinoma de não pequenas células do pulmão.
Já o lapatinib tem um mecanismo duplo: inibe reversivelmente quer o EGFR, quer o HER2; tem sido usado (em associação a quimioterapia) no carcinoma da mama HER2+metastático.
– Inibidores do VEGF (vascular endothelial growth factor) – o sunitinib é um inibidor de diversos receptores de tirosina quinases, do qual resulta um efeito sobre o crescimento tumoral, a angiogénese e a progressão metastática; tem sido utilizado no carcinoma de células renais, bem como no GIST. O sorafenib é um inibidor multiquinase a partir do qual resulta uma provável inibição da angiogénese; utiliza-se no carcinoma de células renais e no carcinoma hepatocelular.

fármacos 180x180 - Terapêutica Médica (Arritmias)

Terapêutica Médica (Arritmias)

A abordagem ao desenvolvimento dos antiarrítmicos foi, nos seus primórdios, o resultado da descoberta quase fortuita de uma ação antiarrítmica de compostos naturais ou sintetizados para outras aplicações. Esta constatação levou a diversos estudos animais e humanos que permitiram identificar o efeito benéfico das referidas substâncias na supressão das arritmias.
A procura subsequente de derivados com ação mais duradoura, menos tóxicos e mais potentes levou à síntese de moléculas aparentadas com estes compostos iniciais. Infelizmente, um eventual melhor perfil farmacodinâmico não conduziu a um avanço significativo nos resultados terapêuticos. O advento da biotecnologia molecular permitiu que o desenvolvimento e classificação das drogas fosse “orientado” para as estruturas envolvidas no processo patológico.
Na maioria das situações, o prognóstico das disritmias ventriculares está diretamente relacionado com a presença e gravidade de cardiopatia estrutural. O risco de morte súbita associado a disritmias ventriculares é substancialmente mais elevado na presença de disfunção sistólica grave do ventrículo esquerdo, insuficiência cardíaca, cardiopatia isquémica ou miocardiopatia. Sabe-se também que o risco major da FA na presença de cardiopatia orgânica é o de tromboembolismo sistémico, passando por isso a terapêutica por fármacos não exclusivamente antiarrítmicos.

Antibiotics injection241 180x180 - Glicopépticos II

Glicopépticos II

A resistência em enterococos deve-se à síntese bacteriana de moléculas percursoras do peptidoglicano com baixa afinidade para os glicopéptidos. A presença de um ou mais genes (genes VanA-G) codificadores destas modificações pode resultar quer em resistência intrínseca, descrita em estirpes selvagens de E. galinarum e E. flavescens, patogénios raros no homem, ou adquirida, encontrada em E. faecalis e, sobretudo, em E. faecium com uma frequência que, embora inferior à descrita para os EUA, pode ser significativa em algumas unidades hospitalares. Nestas duas espécies, os genes de resistência mais frequentemente encontrados são o VanA, que induz resistência elevada à vancomicina e teicoplanina, e o VanB, que apenas induz resistência à vancomicina.
O isolamento de enterococos dependentes da vancomicina para o seu crescimento (vancomycin-dependent enterococci – VDE), a partir de amostras clínicas, foi descrito em 1994 mas a importância clínica e epidemiológica destas variantes tem sido reduzida.
O isolamento de estirpes de S. aureus resistentes à vancomicina, portadores do gene vanA, foi descrito nos EUA em 2002, mas a importância epidemiológica de S. aureus e estafilococos coagulase-negativo resistentes aos glicopéptidos, na Europa, não tem sido clinicamente relevante.
– Segurança – as reacções adversas relacionadas com a infusão são as mais frequentemente descritas com a utilização da vancomicina. Estas reacções adversas podem ser locais, como a flebite (3-14%), ou sistémicas, como a red man syndrome, reacção anafilactóide manifestada por eritema pruriginoso generalizado, associado ou não a angioedema e hipotensão, que surge pouco após o início da infusão (3-11%), ou, raramente, choque e paragem cardíaca, cuja incidência pode ser reduzida pelo aumento do tempo de infusão.
A nefrotoxicidade associada à vancomicina é relativamente rara (0-7%) quando utilizada isoladamente, embora a combinação com aminoglicósidos possa elevar a frequência de ocorrência de disfunção renal relacionada com o tratamento (14-20%).
Outras reacções adversas incluem exantema morbiliforme (3-12%) (raramente síndrome de Stevens-Johnson ou eritema multiforme), neutropenia reversível (1-2%) e, excepcionalmente, trombocitopenia. A ototoxicidade é, também, excepcional com as doses de vancomicina recomendadas actualmente.
– Interacções – a actividade sinérgica com aminoglicósidos (gentamicina, estreptomicina) contra enterococos tem relevância clínica, sendo recomendada no tratamento da endocardite bacteriana por este agente.
—> Posologia e administração – a dose diária da vancomicina é de 30 mg/kg, divididos em 2 tomas de 12/12 horas em infusão de 30-60 minutos, de modo a reduzir o risco ocorrência de racções anafilactóides, ou em perfusão contínua, sendo a dose inicial mais frequente de 2 g/dia. Após a administração sistemática de uma dose inicial de 15 mg/kg, a fim de se obterem níveis séricos adequados, as tomas subsequentes devem ser ajustadas aos valores da taxa de filtração glomerular, através de utilização de nomogramas ou, quando os recursos o permitirem e em situações seleccionadas, através da MNS. A administração em perfusão contínua (dose diária ajustada à função renal diluída em 50cc de soro fisiológico, perfundida em 24 horas) pode ser uma alternativa eficaz exigindo menor intervenção dos técnicos de saúde, mas não existem estudos que demonstrem de forma clara a vantagem deste modo de administração quanto a eficácia e segurança.

En que consiste la manipulacion genetica 3 180x180 - Genética

Genética

Mais recentemente, o aprofundamento do conhecimento da biologia da célula tumoral tem permitido identificar a presença de oncogenes, genes supressores de tumor, regula dores da apoptose (morte celular programada) e múltiplas moléculas responsáveis pelo microambiente celular como, por exemplo, proteases e factores angiogénicos. A presença ou ausência destes elementos caracterizadores da neoplasia tem permitido um melhor conhecimento da neoplasia, implicando muitas vezes uma melhor definição prognóstica e, em alguns casos, a escolha de fármacos com actividade específica para essas moléculas ou receptores. Nas neoplasias hematológicas, a citogenética continua a ser decisiva nalgumas doenças (por exemplo, leucemia aguda) e a biologia molecular permitiu encontrar “marcadores” que, além de diagnósticos e prognósticos, permitem monitorizar a evolução da doença ou a recaída após remissão (por exemplo, na leucemia mielóide crónica e monitorização do gene de fusão bcr-abl).


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VACINA 12 1 180x180 - Fármacos Antivirais: Análogos de Nucleós(T)idos

Fármacos Antivirais: Análogos de Nucleós(T)idos

Estes fármacos consistem em moléculas com estrutura similar aos nucleós(t)idos naturais, mas com modificação indutora da terminação da síntese da cadeia de DNA ou RNA viral em que se integram, por competirem com o substrato natural. Funcionam pela interrupção da síntese de novas cadeias de DNA-VHB, inibindo a DNA polimerase virai associada de modo irreversível.
Compreendem três classes de fármacos: L-nucleósidos análogos da citidina (lamivudina-3TC, telbivudina – Ldt, e emtricitabina – FCT), nucleósidos análogos da desoxiguanosina (entecavir – ETV) e nucleósidos fosfonados acíclicos, que se transformam em nucleótidos após fosforilação intracelular (adefovir – ADV e tenofovir – TDF). Todos estes fármacos estão licenciados e em aplicação clínica generalizada; em Portugal, a telbivudina não está comercializada e a emtricitabina só tem aprovação para a coinfecção com VIH.
Estes fármacos foram introduzidos sucessivamente, com eficácia antiviral comprovada e perfil favorável de segurança, com efeitos adversos ligeiros e infrequentes. A sua comodidade advém da via oral e da posologia simples, de um comprimido diário, o que propicia melhor aderência do doente a tratamentos prolongados.
A sua vantagem mais relevante consiste em poderem ser usados em cirrose hepática, mesmo descompensada, e até em falência hepática. Podem reverter a decadência natural da doença hepática crónica e evitar o transplante hepático. Também podem ser usados em doentes incluídos em lista de espera para transplante, e após transplante, reduzindo a frequência de reinfecção do enxerto para <10%, quando associados a imunoprofilaxia com imunoglobulina hiperimune anti-HBs (HBIg) pós-transplante. Os estudos a curto prazo, após um ano de tratamento com os diferentes análogos, revelam, na hepatite crónica B AgHBe positiva, taxas de negativação virai variáveis (3TC - 39%, ADV - 21%, ETV - 67%, Ldt - 60%, TDF - 74%), mas com taxas de seroconversão do AgHBe (22%, 24%, 22%, 26% e 21%, respectivamente) e de normalização das transaminases (66%, 48%, 68%, 77% e 69%, respectivamente), que não se diferenciam consoante os fármacos. Na hepatite crónica B AgHBe negativa, observa-se uma taxa significativa de negativação da viremia ao primeiro ano, (3TC -72%, ADV - 88%>, ETV – 90%, Ldt – 51%, TDF – 91%), com normalização das transaminases em 72-78% dos casos.
A experiência acumulada com a introdução sucessiva destes fármacos revelou as suas limitações intrínsecas, já que a seroconversão depende da negativação precoce da viremia, o que depende da magnitude da carga virai basal e da potência do fármaco. Na hepatite crónica AgHBe positiva, quando não ocorre seroconversão no primeiro ano, pode vir a observar-se nos anos seguintes, mas 70-80% dos casos requerem tratamento contínuo de anos, de modo a alcançar e manter a negativação de viremia VHB, que se constitui com o objectivo terapêutico tangível que, apesar de ser apenas propiciatório da imunoeliminação virai, se traduz na prática como um resultado com significado prognóstico favorável. Também na hepatite crónica B AgHBe negativa, o seguimento dos doentes tratados revela que a resposta virológica completa só se mantém com o prolongamento indefinido da terapêutica. Só a seroconversão do AgHBs e a aquisição do Ac anti-HBs permitem considerar a conclusão do tratamento.

ansiolíticos e antidepressivos 450x338 ok 180x180 - Inibidores do fator de necrose tumoral (Artrite Reumatóide)

Inibidores do fator de necrose tumoral (Artrite Reumatóide)

Os inibidores do fator de necrose tumoral (anti-TNF-oc) antagonizam o efeito do TNF, que é um importante mediador da inflamação articular e ativador de outras citocinas inflamatórias (IL-1 e IL-6). Promove também alterações do endotélio, a expressão de moléculas de adesão, a libertação de metaloproteinases e a osteoclastogénese, sendo todos estes mecanismos, uma parte integrante da patogénese da AR.
Estão disponíveis e aprovados para uso clínico três moléculas: o etanercept, o infliximab e o adalimumab. Qualquer dos três fármacos é mais eficaz em terapêutica combinada com o metotrexato do que em monoterapia. Apresentam resultados muito importantes na melhoria dos sintomas e sinais desta patologia e atrasam a progressão da destruição articular fazendo, por vezes, regredir a evolução radiológica.
O etanercept é um antagonista do TNF-a, que consiste numa proteína de fusão do recetor solúvel (p75) do TNF-a ligado à porção Fc da IgG humana. Comparativamente ao placebo, demonstrou ser bem tolerado e com eficácia demonstrada na atividade inflamatória da doença, fazendo atrasar ou regredir a evolução radiológica. Tem sido utilizado em associação ao metotrexato, quando não há resposta deste fármaco. O etanercept também pode ser administrado isoladamente quando há ausência de resposta a uma ou mais terapêuticas de fundo. É administrado por injeção subcutânea 1 (50 mg) a 2 vezes (25 mg)/semana.
O infliximab é um anticorpo monoclonal quimérico IgGl que se liga ao TNF circulante e ao TNF-a ligado às células. Tem sido utilizado em associação ao metotrexato nos doentes que não obtiveram resposta satisfatória ao metotrexato isoladamente. E administrado por via e.v. na dose de 3 mg/kg nas semanas 0,2 e 6, e deve ser mantida a administração a intervalos regulares (de 8 em 8 semanas).
Quer a dose, quer o intervalo entre as administrações podem ser alterados consoante a resposta obtida. O infliximab tem obtido eficácia similar à do etanercept, sendo capaz de, numa percentagem significativa de doentes, obter bons resultados na atividade inflamatória e nos índices de avaliação funcional da doença.
O adalimumab é um anticorpo monoclonal humano IgGl que inibe o TNF de forma semelhante ao infliximab. É administrado por via subcutânea a cada 2 semanas em doses variáveis de 20 mg a 80 mg.
Os inibidores do TNF-a têm sido clinicamente eficazes no tratamento da AR, contudo, a sua utilização tem sido associada a alguns efeitos secundários, alguns dos quais de alguma gravidade. O etanercept e o adalimumab podem causar reações cutâneas no local de administração, as quais raramente levam à suspensão do tratamento. O infliximab tem sido associado a reações alérgicas aquando da infusão e.v., podendo variar de rash a urticária, febre e raramente anafilaxia. Poderá ocorrer uma diminuição progressiva da eficácia deste fármaco, devido à produção de auto-anticorpos antifármaco, o que predispõe também a um maior número de reações alérgicas durante a infusão.
A inibição do TNF-a pode interferir com a defesa natural contra as infeções, existindo um risco acrescido para infeções bacterianas e oportunistas, em particular a reativação de tuberculose latente. Devido a este risco acrescido, deve ser sempre feito o rastreio de tuberculose ativa ou latente antes de se iniciar a terapêutica com agentes biológicos. Outros efeitos secundários, mais raros, incluem a doença desmielinizante e o lúpus induzido.

Artrite reumatoide001 180x180 - Patogénese

Patogénese

A etiologia da AR é desconhecida. Estudos familiares demonstraram que a doença pode estar dependente de fatores genéticos. A presença de moléculas DR4 no complexo major de histocompatibilidade encontra-se ligada à ocorrência de AR na maioria das populações estudadas, mas em grau variável. Doentes com AR do Norte da Europa, podem apresentar haplotipos HLA DR4 em até 80% dos casos. Por contraste, em populações do Sul da Europa, como entre os judeus gregos e israelitas, a prevalência do haplotipo HLA DR4 entre doentes com AR pode variar entre 40 a 60%.
Na patogénese da doença podem estar também implicados fatores infeciosos, nomeadamente os que se relacionam com a hipótese de indução da doença por partículas virais ou bacterianas, que teriam responsabilidade na iniciação e perpetuação dos processos inflamatórios necessários à definitiva expressão da doença. Entre estes agentes, os parvovírus e determinados peptidoglicanos bacterianos parecem ser os principais candidatos, em associação a uma prévia predisposição genética.
Apesar de desconhecido até ao momento, o estímulo desencadeante da doença é capaz de iniciar e perpetuar as alterações imunológicas responsáveis pelos efeitos de destruição tissular inerentes à AR.

Pill Bottle Red and White w Base 180x180 - Heparina Não Fracionada

Heparina Não Fracionada

A heparina é um mucopolissacárido heterogéneo, constituído por moléculas de vários pesos moleculares e com um conjunto complexo de ações no sistema de coagulação e na parede vascular. A heterogeneidade do fármaco e o facto de a heparina no plasma se ligar a vários tipos de proteínas diminuem a sua biodisponibilidade a baixas concentrações, levam a uma variação na resposta hipocoagulante a doses fixas e explicam o fenómeno de resistência à heparina.
O seu principal eleito hipocoagulante resulta da interação com a antitrombina III e com a trombina. O complexo heparina-antitrombina III inibe a trombina e os fatores da coagulação Xa e IXa (entre outros). Para inibir a trombina ligada à fibrina são necessárias concentrações de heparina muito superiores às necessárias à inibição da trombina livre.