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epilepsia 180x180 - Epilepsia

Epilepsia

Crises epilépticas são manifestações clínicas estereotipadas (alterações de comportamento e/ou consciência) que resultam de descargas espontâneas e anómalas de neurónios encefálicos. Esta atividade, paroxística, é geralmente intermitente e autolimitada.
A recorrência das crises (duas ou mais) é a característica fundamental da epilepsia.
A prevalência em Portugal é de 4-8:1000 e a incidência anual é de cerca de 50/100000 com picos no primeiro ano de vida e depois dos 60 anos de idade. A taxa de mortalidade global é elevada (cerca de 2/100); em 25% dos casos, a causa está relacionada com as crises (estado de mal, lesão acidental, morte súbita).

1372684313 180x180 - Esclerose Lateral Amiotrófica

Esclerose Lateral Amiotrófica

Clínica – doença degenerativa do sistema nervoso, afetando sobretudo pessoas entre os 55-70 anos, caracterizada por lesão dos neurónios motores da medula espinhal, do tronco cerebral e do córtex motor, o que origina sinais clínicos de diminuição da força muscular, com atrofias e fasciculações, disartria, disfagia e sinais piramidais, em combinação variável. A morte sucede, geralmente, após uma evolução de 3-5 anos, por falência respiratória.
Exames complementares – o electromiograma é o único exame que pode confirmar o diagnóstico, embora outros possam ser úteis para a exclusão de outras entidades clínicas.

alzheimer 1 180x180 - Terapêutica Colinérgica na Doença de Alzheimer

Terapêutica Colinérgica na Doença de Alzheimer

Uma das alterações neuropatológicas descritas na doença de Alzheimer é a degenerescência de neurónios cujos corpos celulares estão sediados em determinados núcleos da base do cérebro, nomeadamente o núcleo de Meynert, e se projetam em vastas áreas do neocórtex cerebral e do hipocampo onde libertam o neurotransmissor acetilcolina.
Várias estratégias têm sido avançadas no sentido de compensar estas alterações degenerativas, através da facilitação da transmissão colinérgica nas células remanescentes. A estratégia até agora mais bem sucedida consiste em utilizar inibidores do enzima que degrada a acetilcolina libertada, a acetilcolinesterase, levando assim ao aumento do neurotransmissor disponível na fenda sináptica. O primeiro destes inibidores a ser aprovado foi a tacrina, ou tetrahidroaminoacridina, que no entanto estava associado a um risco substancial de hepatotoxicidade. Dispomos presentemente de três inibidores da acetilcolinesterase, pertencentes a famílias químicas distintas, donepezil, rivastigmina e galantamina.
Vários ensaios clínicos de boa qualidade demonstraram a eficácia destes inibidores da acetilcolinesterase em estádios de doença de Alzheimer ligeira ou moderada, e estudos mais recentes mostraram que podem ter benefício mesmo na doença grave. A eficácia clínica foi determinada em testes neuropsicológicos, em escalas globais de avaliação da demência, e em escalas de atividades de vida diária, mas a sua magnitude tem de ser considerada modesta. A título de exemplo, evidenciou-se uma melhoria de até 4 pontos num teste cognitivo (Escala de Avaliação da Doença de Alzheimer – Alzheimers Disease Assessment Scale, ADAS-cog, gama 0-70 pontos), em relação ao placebo, aos 6 meses de terapêutica com estes inibidores da acetilcolinesterase. Os efeitos secundários são essencialmente colinérgicos, nomeadamente anorexia, náuseas, vómitos, dispepsia, diarreia, dor abdominal, perda de peso, hipersudorese, síncope, bradiarritmia e cãibras. Também a possibilidade de indução de hemorragia gastrintestinal, crise de asma, e convulsões deverá ser considerada em pacientes suscetíveis. Podem surgir insónia e agitação. É útil dispor de um electrocardiograma recente, pois estes medicamentos podem agravar eventuais alterações de condução cardíaca preexistentes. A ter em conta quando o paciente for submetido a anestesia, os inibidores da acetilcolinesterase potenciam os efeitos dos bloqueadores neuromusculares despolarizantes como a succinilcolina. O donepezil é tomado numa toma única diária (dose inicial (DI) 5 mg, podendo aumentar para 10 mg/dia). A rivastigmina em forma de cápsulas duras é administrada 2xdia, geralmente com as refeições da manhã e da noite, fazendo-se aumento gradual da dose (DI de 1,5 mg 2xdia, subindo pelo menos de 2/2 semanas, se o paciente o tolerar, até à dose máxima de 6 mg 2xdia). Mais recentemente existem também disponíveis formas galénicas de solução oral (2 mg/ml) e de sistema transdérmico (DI de 4,5 mg/24 horas, aumentando para a dose recomendada de 9,6 mg/24 horas). A galantamina existe presentemente numa forma de libertação prolongada para administração oral de manhã (DI de 8 mg, aumentando para a dose recomendada de 16 mg, e, nalguns casos, 24 mg), e também como solução oral (4 mg/ml). De notar que, por vezes, se terá de reduzir a DI ou tornar mais flexível a toma de qualquer destes inibidores da acetilcolinesterase, em doentes muito idosos ou particularmente sensíveis.