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sono 1 180x180 - Outras Hipersónias Centrais

Outras Hipersónias Centrais

A hipersónia idiopática é caracterizada por uma sonolência excessiva, com sestas prolongadas não reparadoras. Distingue-se da narcolepsia pela ausência de cataplexia e pela ausência de SOREM (<1) no TLMS. O sono noturno avaliado pela PSG é normal, podendo o tempo total de sono noturno estar ou não muito prolongado (>10 horas).
A hipersonolência destes doentes é tratada de forma semelhante à narcolepsia com estimulantes (modafinil, anfetaminas, metilfenidato).
A hipersónia recorrente mais bem caracterizada é a síndrome de Kleine-Levin, em que existem episódios de hipersónia com duração de dias a semanas acompanhados de alterações comportamentais (hiperfagia, hipersexualidade) e cognitivas, separados por períodos livre de sintomas. Nesta patologia, a terapêutica com carbonato de lítio parece ser eficaz na redução da duração dos episódios de hipersónia e sintomas comportamentais. A hipersónia pode ser melhorada com modafinil. Outros fármacos já utilizados, com resultados contraditórios, incluem antiepilépticos (carbamazepina, valproato de sódio), neurolépticos e antidepressivos.
A hipersónia associada a outras doenças pode encontrar-se em patologias neurológicas (por exemplo, doença de Parkinson, AVC, encefalite), psiquiátricas, metabólicas ou tóxicas e genéticas (por exemplo, síndrome de Prader Willli, doença de Nieman Pick C, distrofia miotónica). A etiologia deste sintoma é provavelmente multifactorial nestes casos (fármacos, lesão SNC, disrupção do sono). É fundamental, por isso, a otimização da terapêutica de base e o tratamento de patologias de sono associadas. Na doença de Parkinson, distrofia miotónia e esclerose múltipla, a terapêutica da hipersónia com modafinil foi já testada com bons resultados.

sonambulismo 0 180x180 - Parassónias

Parassónias

Clínica – são acontecimentos desagradáveis ou indesejáveis que acompanham o sono e englobam diferentes manifestações clínicas (físicas e experienciais), tais como movimentos, comportamentos, emoções, perceções, sonhos e alterações autonómicas, sem controlo consciente deliberado. Podem causar traumatismos durante o sono, fragmentação do sono e alterações psicológicas/sociais, afetando tanto o doente como o seu companheiro. Não provocam primariamente insónia ou sonolência diurna excessiva (SDE), pelo que a presença destes sintomas deve fazer suspeitar de outra doença do sono concomitante.
As parassónias são classificadas nos seguintes grupos:
• Perturbações do despertar (do sono NREM)
– Despertar confusional (ICSD-2) – episódio recorrente de confusão mental durante o despertar do sono.
– Sonambulismo (ICSD-2) – deambulação durante o sono associada a pelo menos um dos seguintes sintomas ou sinais: dificuldade em acordar, confusão após o acordar de um destes episódios, amnésia parcial ou completa para o episódio, comportamentos rotineiros que ocorrem na altura errada, comportamentos inadequados ou ilógicos, comportamentos perigosos ou potencialmente perigosos.
– Terror noturno (ICSD-2) – episódio súbito ocorrendo durante o sono, que se inicia geralmente por um grito ou choro e que é acompanhado por manifestações autonómicas e comportamentais de medo intenso. Está presente pelo menos um dos seguintes: dificuldade em acordar, confusão mental após o acordar de um destes episódios, amnésia completa ou parcial para o episódio, comportamentos perigosos ou potencialmente perigosos.
• Parassónias geralmente associadas ao sono REM
A mais frequente destas patologias é o distúrbio do comportamento associado ao sono REM (REM behavioural disorder – RBD). Outras parassónias do sono REM são a paralisia do sono isolada recorrente e distúrbio dos pesadelos.
O RBD é caracterizado por um comportamento motor exuberante, violento ou perigoso durante o sono REM, associado a ausência de atonia muscular. Durante estes episódios, frequentemente o doente recorda um sonho geralmente vivido.
Estes comportamentos podem resultar em traumatismos e lesões do próprio ou do companheiro. Os doentes com este distúrbio têm um risco significativo de desenvolver doença de Parkinson, atrofia multissistémica e doença com corpos de Lewy.
De acordo com o ICSD-2, o diagnóstico implica a presença de REM sem atonia na PSG, associada a história de traumatismos/comportamentos potencialmente perigosos ou disruptivos durante o sono ou comportamentos anormais durante o sono REM documentados por PSG. E obrigatória a ausência de atividade epileptiforme no electroencefalograma durante o sono REM.
• Outras parassónias.
Fisiopatologia – são perturbações associadas ao despertar durante o sono, instabilidade do sono ou a alterações da transição entre diferentes fases do sono.
– Diagnóstico – o diagnóstico é clínico na maioria das parassónias. A PSG completa, frequentemente com registo simultâneo de audiovídeo, é contudo essencial no diagnóstico da RBD e permite o diagnóstico de co-morbilidades associadas (muito frequentes principalmente no adulto).

sepse 1024 180x180 - Encefalopatia da sépsis

Encefalopatia da sépsis

A terapêutica da encefalopatia da sépsis é a da própria sépsis, privilegiando a pressão de perfusão e a oxigenação cerebral, o respeito pelo repouso noturno, a comunicação com a família e a estimulação sensorial. No decorrer da terapêutica da sépsis, é frequentemente necessário sedar o doente ventilado ou tranquilizar o doente agitado com delírio agudo.
A medicação de eleição para sedação é o midazolam em perfusão contínua na dose de 1 a 8 mg/hora ou o propofol na dose de 0,3 a 3 mg/kg/hora, este último muito mais caro, com maior risco de infeção, menos amenesiante, com a vantagem essencial em relação ao midazolam da sua ação se esgotar muito mais depressa, pois o midazolam em infusões prolongadas tem grande acumulação no tecido adiposo, chegando a sedação induzida a perdurar dias após a suspensão da infusão.
A sedação deve ser interrompida uma vez por dia e reiniciada, se necessário, quando o doente acorda e mostra sinais de desconforto ou agitação.