Artigos

com

Combinações de Sulfonamidas com Aminopirimidinas II

– Farmacologia – o cotrimoxazol tem boa biodisponibilidade oral (95-100% da dose administrada é absorvida), estando disponível em combinações com 80 mg de TMP/400 mg de sulfametoxazol ou 160 mg de TMP e 800 mg de sulfametoxazol. Com t1/2 de 6-8 horas, a administração de 12/12 horas permite atingir níveis terapêuticos adequados contra agentes sensíveis. A distribuição é boa na maioria dos tecidos e fluidos corporais, atingindo concentrações no LCR de 40-50% das concentrações séricas. O cotrimoxazol está disponível para administração e.v., embora a administração por esta via deva ser mais frequente (3 a 4 tomas/dia) e necessite de suporte elevado de fluidos (250 ml para cada 960 mg de cotrimoxazol).
– Segurança – as reacções adversas ao cotrimoxazol dependem, sobretudo, da sulfonamida. Podem ocorrer náuseas, vómitos, diarreia, anorexia e hipersensibilidade cutânea, sendo esta mais frequente com a utilização de doses elevadas (tratamento da pneumocistose) e associando-se com frequência a manifestações sistémicas, como febre elevada (síndrome de Sweet), podendo limitar a sua utilização em até 25-40% dos doentes.
A utilização prolongada de cotrimoxazol pode conduzir a má utilização dos folatos, anemia megaloblástica e pancitopenia. A administração de ácido folínico (leucovorina) pode evitar ou reverter esta reacção adversa, mas não há informação suficiente quanto à possível redução do efeito antimicrobiano. Muito raramente, podem ocorrer disfunção renal, colite pseudomembranosa, hepatite medicamentosa (incluindo hepatite fulminante), meningoencefalite, rabdomiólise e uveíte anterior.
– Interacções – pirimetamina, metotrexato, varfarina, fenitoína, tolbutamida, clorpromazina. Sinergismo com rifampicina para S. aureus e com aminoglicósidos para enterobacteriáceas.
– Posologia e administração – 960 mg p.o. 12/12 horas para as infecções do tracto urinário.

inibidores de agregacao plaquetaria oral 1024x1024 180x180 - Hipocoagulação oral (Terapêutica Hipocoagulante)

Hipocoagulação oral (Terapêutica Hipocoagulante)

Os anticoagulantes orais, conhecidos como cumarínicos, inativam a vitamina K nos microssomas hepáticos, interferindo com a formação dos fatores de coagulação dependentes desta vitamina, nomeadamente com a protrombina. São necessários 2 a 7 dias para o seu início de ação após a toma.
Os maiores riscos associados a estes fármacos resultam de valores terapêuticos inadequados, podendo conduzir a complicações tromboembólicas ou hemorrágicas.
A sua monitorização deve ser efetuada através do INR (international normalized ratio), que é um valor de longe mais sensível do que o da taxa de protrombina.
Além de uma monitorização cuidadosa através do valor do INR, aspetos importantes a ter em conta são:
— Interações medicamentosas (muito frequentes com este grupo de fármacos).
— Existência de patologia associada que deva implicar uma adaptação da dose do fármaco (insuficiência hepática, insuficiência renal, disfunção tiroideia).
— Outros fatores (idade, aspetos dietéticos).
A segurança da hipocoagulação oral passa pela educação do doente, explicando os valores de INR pretendidos, cuidados a observar, e chamando a atenção para as interações medicamentosas (a regra mais segura será não tomar fármacos sem consultar o médico assistente).

Ibu 180x180 -  Hidantina

Hidantina

– PHT – hidantina – comprimidos de 100 mg, ampolas de 250 mg.
• As indicações e contra-indicações terapêuticas, o mecanismo de ação e o metabolismo da fenitoína são semelhantes aos da CBZ.
• Administração – o risco de toxicidade pelo metabolismo saturável, as frequentes interações e os efeitos adversos justificam a tendência para o declínio do seu uso prolongado. Contudo, a possibilidade de impregnação rápida e o baixo custo mantêm a sua utilidade. E possível atingir um nível sérico dentro dos limites terapêuticos ao fim de 4 horas, por impregnação oral de uma dose de 15 mg/kg. Na instituição de terapêutica crónica a dose calculada deve ser de 5 mg/kg/dia. Esta dose é geralmente repartida em 3 tomas, mas dada a longa semivida e a maior possibilidade de adesão à terapêutica pode ser administrada em toma única. O valor sérico normal está entre 10-20 ug/dl. A partir dos 15 ug/dl o metabolismo torna-se lento e o risco de toxicidade é muito grande, pelo que os incrementos de dose devem ser mínimos.
• Efeitos adversos e interações – o uso nas mulheres é limitado devido ao tipo de reações acessórias (acne, hirsutismo, hipertrofia gengival, osteoporose). O uso prolongado pode originar neuropatia periférica, atrofia do cerebelo e fácies grosseiro. Pode causar náuseas, ataxia, sonolência, tremor, dificuldades cognitivas (efeitos dose-dependente). Raramente surge por idiossincrasia, hepatotoxicidade, eritema, S. Stevens-Johnson, síndrome de Lupus-like, adenomegalias, aplasia medular. As interações mais importantes são com a cimetidina, propoxifeno isoniazida, sulfonamidas por inibição do metabolismo e perigo de intoxicação pela PHT.
O ácido fólico e a CBZ induzem-lhe o metabolismo. Acelera o metabolismo de alguns medicamentos, diminuindo-lhes os níveis séricos: anticoagulantes, teofilina. digitoxina, CO, corticóides, VPA, CBZ.
A fosfenitoína (FOS) que é um percursor da PHT surgiu posteriormente e tem como vantagens a possibilidade de ser usada por via e.v. ou intramuscular, podendo a velocidade de administração ser superior à da PHT.

9988283 180x180 - Contracepção Hormonal na Mulher com Patologia. Recomendações Baseadas em Consensos e Opinião de Especialistas (Nível C)

Contracepção Hormonal na Mulher com Patologia. Recomendações Baseadas em Consensos e Opinião de Especialistas (Nível C)

– Contracepção oral combinada:
• Formulações com menos de 35 ug de etinilestradiol podem ser utilizadas nas mulheres com dislipidemia controlada.
• Considerar alternativa contraceptiva nas mulheres com LDL superior a 160 mg/dl, trigliceridemia superior a 250 mg/dl ou múltiplos factores de risco adicionais para doença coronária.
• Contra-indicado nas mulheres com doença coronária, insuficiência cardíaca congestiva ou na doença cerebrovascular (utilizar contraceptivos com progestagénio isolado).
– Acetato de medroxiprogesterona suspensão injectável:
• É apropriado e tem benefício não contraceptivo na anemia falciforme.
• O seu uso de longa duração em mulheres saudáveis não é uma indicação para avaliação da densidade óssea mineral.
• Individualizar a utilização prolongada em adolescentes (risco de osteoporose e fracturas.

métodos contraceptivos vantagens e desvantagens 180x180 - Contracepção Hormonal na Mulher com Patologia. Recomendações Baseadas em Evidência Científica Limitada ou Inconsistente (Nível B)

Contracepção Hormonal na Mulher com Patologia. Recomendações Baseadas em Evidência Científica Limitada ou Inconsistente (Nível B)

– Contracepção oral combinada:
• Pode ser utilizada nas mulheres saudáveis e não fumadoras até aos 50-55 anos após avaliação dos riscos e benefícios.
• Não recomendado como 1.ª linha nas mulheres a amamentar devido ao impacto negativo dos estrogénios na lactação (considerar o seu uso só depois da lactação estar bem estabelecida).
• Pode ser utilizada na hipertensa, bem controlada, com menos de 35 anos, não fumadora e sem evidência de doença vascular de órgão alvo.
• Pode ser utilizada na diabética, com menos de 35 anos, não fumadora sem evidência de hipertensão, nefropatia, retinopatia ou outra doença vascular.
• Pode ser utilizada na mulher com enxaquecas sem sinais focais neurológicos, com menos de 35 anos e não fumadora (preferir progestagénio isolado, dispositivo intra-uterino ou métodos de barreira).
• Usar com precaução na mulher obesa com mais de 35 anos dado o risco aumentado de trombose venosa.
• Deve ser considerado o uso de profilaxia com heparina, antes de cirurgia major, nas utilizadoras.
– Contraceptivos orais com progestagénio isolado/acetato de medroxiprogesterona suspensão injectável:
• Pode ser iniciado com segurança nas mulheres a amamentar (6 semanas depois do parto) e nas mulheres que não amamentam (imediatamente).
– Contracepção hormonal:
• Não ocorre agravamento dos sintomas nas mulheres com perturbações depressivas.

2332949 1450 rec 180x180 - Contracepção Hormonal na Mulher com Patologia. Recomendações Baseadas em Evidência Científica Boa e Consistente (Nível A)

Contracepção Hormonal na Mulher com Patologia. Recomendações Baseadas em Evidência Científica Boa e Consistente (Nível A)

– Contracepção oral combinada:
• Sem contra-indicação na doença mamária benigna ou na presença de história familiar de cancro da mama.
• Segura no lúpus ligeiro sem anticorpos antifosfolípidos.
• Não é recomendada a mulheres com tromboembolismo venoso de causa desconhecida ou associado a gravidez ou a uso de estrogénios exógenos, a não ser que estejam anticoaguladas.
• Prescrição com precaução a mulheres com mais de 35 anos e fumadoras.
– Sistema intra-uterino libertador de levonorgestrel:
• Apropriado a mulheres com diabetes sem retinopatia, nefropatia ou outras complicações vasculares.

art wdppo1803  vacinas 1 180x180 - Anafilaxia III

Anafilaxia III

Sendo os fármacos uma causa significativa de reacções graves, podendo ocorrer inclusive nas instituições de saúde, a prevenção passa pela investigação da história prévia de alergias a fármacos, evicção de medicamentos com reactividade cruzada, utilização da via oral sempre que possível, vigilância durante um período mínimo de 30 minutos após administração parentérica de fármacos, incluindo vacinas anti-infecciosas ou antialérgicas.
Aos doentes a quem seja identificado o agente agressor, devem ser claramente indicadas as medidas de evicção, incluindo fármacos a evitar e devem ser sempre portadores de cartão e pulseira ou colar identificadores da sua situação clínica, devendo ser organizado o esquema terapêutico a iniciar em eventuais episódios futuros. Em situações particulares estará indicada a profilaxia medicamentosa e a utilização de produtos de baixa osmolaridade (reacções a contrastes iodados), a indução de tolerância a fármacos (por exemplo, insulina, antibióticos, AAS) ou a administração de vacinas anti-alérgicas (por exemplo, veneno de himenópteros).

reduzir riscos do uso de antibioticos para criancas e simples 1  2012 10 22151531 180x180 - Metadona

Metadona

A metadona é um analgésico opióide agonista com muitas propriedades idênticas às da morfina e grande eficácia analgésica por via oral, e.v. e epidural. Administrada em dose única, a sua potência analgésica é similar ou mesmo um pouco maior do que a da morfina. Quando a dose é repetida, a sua potência analgésica chega a ser 3 vezes superior à da morfina e a sua duração de acção cerca de 1,5 a 2 vezes superior. Na dor crónica oncológica, o seu papel pode ser de extrema importância, não apenas pela conveniência da sua eficácia por via oral, como também pelo facto de não apresentar, tal como a morfina, uma dose tecto. Além do mais, a necessidade que alguns destes doentes apresentam, no decurso do seu tratamento, em rodar de opióide, fazem da metadona a escolha ideal para muitas dessas situações.

Como actua la morfina para calmar el dolor 1 180x180 - Morfina

Morfina

A morfina, o primeiro opióide a ser introduzido na prática clínica e ainda o mais utilizado, distribui-se rapidamente por todo o organismo, graças à sua hidrofilia. A via oral exige doses 3 a 5 vezes superiores às administradas por via parentérica, devido ao efeito de uma primeira passagem hepática.
A titulação das necessidades farmacológicas de cada doente é um passo imprescindível em todas as estratégicas terapêuticas, uma vez que existe uma apreciável variabilidade interpessoal na dose média que cada doente necessita. A dose padrão de 10 mg de sulfato de morfina por via parentérica (i.m. ou subcutânea), para um adulto de idade média com peso aproximado de 70 kg, tem-se mostrado excessiva para uns e insuficiente para outros, pelo que a titulação é sempre obrigatória.
A duração da analgesia com as formas galénicas de biodisponibilidade imediata de morfina ronda as 4 horas, seja ela administrada por via oral, subcutânea ou i.m. Contudo, a morfina tem hoje apresentações particulares, de libertação retardada de 12 horas que garantem apenas 2 tomas diárias (no máximo três) e até de 24 horas, exigindo apenas uma única toma diária.
É o mais utilizado opióide em todo o mundo, pela sua potência analgésica, pelas características farmacológicas acima descritas e ainda por se adaptar às mais diversas vias de administração, como são a via oral, e.v., i,m., epidural e intratecal. É o fármaco de referência do 3.° degrau da escada analgésica da OMS.

como funcionan los antibioticos 1 0 180x180 - Terapêutica Sistémica Hormonal Anti-Androgénica

Terapêutica Sistémica Hormonal Anti-Androgénica

Esta terapêutica é particularmente útil nas mulheres com outros sinais de hiperandrogenia associados, nas mulheres jovens em que seja considerada a contracepção oral, e nas mulheres pós-menopáusicas, quando a terapêutica de substituição hormonal seja adequada. A resposta é geralmente lenta e consiste, basicamente, na paragem da evolução da alopecia.
—> AC (acetato de ciproterona) – é um potente inibidor das gonadotrofinas, diminuindo a síntese glandular de androgénios, para além de ser um inibidor competitivo da DHT ao nível do receptor citosólico, nas células alvo periféricas.
Com o objectivo de estabilizar o ciclo e de proporcionar a necessária protecção contraceptiva, o AC é administrado nas doentes seleccionadas em tratamento cíclico combinado com um estrogénio (35 ug de etinilestradiol) ou com uma associação estroprogestagénica de contracepção de baixa dosagem. Do 5.° ao 14.° dias do ciclo administra-se 25-100 mg de AC, e do 5.° ao 25.° dias uma associação de 2 mg de AC e etinilestradiol ou uma associação estroprogestagénica. Nas mulheres pós-menopáusicas ou histerectomizadas, o tratamento é feito apenas com AC na dose de 25-50 mg por dia em ciclos de 21 dias de tratamento, seguidos de 7 dias de pausa.
Em cerca de 10% dos casos há necessidade de suspender a terapêutica devido à ocorrência de efeitos secundários. Pode surgir hepatotoxicidade com doses iguais ou superiores a 100 mg.
—> Espironolactona – a espironolactona é um anti-hipertensor antagonista da aldosterona que simultaneamente possui actividade anti-androgénica. Inibe a biossíntese ovárica de androgénios e é um inibidor competitivo da DHT, bloqueando os receptores de androgénios. Utiliza-se na dose de 50 a 200 mg/dia. O seu uso pode ser limitado pelos seus efeitos secundários, nomeadamente hipercaliemia, irregularidades do ciclo menstrual, tensão mamária, náuseas e depressão. Os resultados são melhores se em associação com uma combinação estroprogestativa contraceptiva. Está contra-indicada em casos de meno ou metrorragias, gravidez, lactação, insuficiência renal e hipercaliemia.