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Tratamento da hipertensão arterial 1361863427 74 180x180 - Diagnóstico, Estratificação de Risco, Classificação e Correta Técnica de Medição da Tensão Arterial

Diagnóstico, Estratificação de Risco, Classificação e Correta Técnica de Medição da Tensão Arterial

O diagnóstico da HTA baseia-se, para além da história clínica (que deve incluir os dados da tensão arterial prévia, sintomatologia sugestiva, estilos de vida, patologias pregressas e história familiar de doença CV (cardiovascular)) e do exame físico (incluindo uma correta medição da tensão arterial), num conjunto de exames auxiliares laboratoriais e de imagem.
Estes exames destinam-se, acima de tudo, a estratificar o risco basal do doente individual e a detetar lesões de órgão alvo (subclínicas ou não), devendo ser requisitados tendo em conta as características do doente individual e das complicações que apresente na altura da consulta.
Dividem-se em dois grupos:
– Testes laboratoriais – glicemia, colesterol total, HDL, LDL e triglicéridos, ionograma, creatinina, hemograma e proteinúria.
-Testes complementares – electrocardiograma, ecocardiograma, ultra-sonografia carotídea, medição ambulatória das 24 horas e teste à intolerância da glicemia.

Lúpus Eritematoso 3 180x180 - Lúpus Eritematoso Sistémico

Lúpus Eritematoso Sistémico

O LES (lúpus eritematoso sistémico) é uma doença reumática auto-imune caracterizada pela produção de auto-anticorpos não específicos de órgão dirigidos contra antigénios nucleares, citoplasmáticos e da superfície celular. Afeta preferencialmente mulheres jovens (mais de 90% dos doentes são do sexo feminino e com uma idade média de 35 anos à data do diagnóstico), mas o predomínio do sexo feminino ainda é mais notório quando a doença se inicia entre os 16 e os 49 anos, isto é, durante o período fértil.
Trata-se de uma doença rara, estimando-se a sua prevalência em 10-50 casos por 100000 habitantes. A etiologia do LES permanece desconhecida, mas a suscetibilidade genética, fatores hormonais e ambientais contribuem de forma significativa para o desencadear desta doença. Caracteristicamente existe uma desregulação do sistema imunitário, com produção excessiva de auto-anticorpos, formação de imunocomplexos e lesão dos tecidos por mecanismos imunomediados.

tiroide 180x180 - Tiroideia

Tiroideia

A tiroideia é um órgão com cerca de 15-20 g nos adultos e 2×2,5×4 cm de diâmetro.
O iodo inorgânico é rápida e eficazmente absorvido pelo tubo digestivo, que por sua vez é absorvido pelas células tiroideias através da bomba Na+/I ATPase sob estimulação da TSH.
A oxidação do iodo inorgânico é feita pela enzima peroxidase da tiroideia, que utiliza peróxido de O2 e NADPH oxidases como doadores de O2, posteriormente este iodo é incorporado aos resíduos de tirosina da tireoglobulina (Tg) que é secretada pelas células foliculares para o interior do folículo, formando monoiodotirosina e diiodotirosina (organificação).
Finalmente forma-se triiodotironina (T3) e tiroxina (T4) que são as formas activas e que são libertadas para a circulação após a proteólise da Tg por parte das células foliculares sob estimulação da TSH.
O principal modulador do estado funcional e morfológico da glândula tiroideia é a TSH.
A secreção de TSH é estimulada pela TRH e inibida pelas hormonas tiroideias.
Assim, o défice de iodo pode levar à diminuição da síntese T4 e consequentemente ao aumento da TSH que, por sua vez, leva ao aumento da captação de iodo, da organificação e da proliferação celular com bócio.

Fadiga Andrenal 1 180x180 - Vertigem

Vertigem

Consiste numa sensação subjectiva de movimento, geralmente rotatória, mas que pode ser linear. Frequentemente acompanhada de palidez, suores e vómitos. O sinal objectivo da vertigem é o nistagmo.
A manutenção do equilíbrio depende da informação integrada no cérebro proveniente dos ouvidos internos, visão e órgãos proprioceptivos.

comprimidos importados 1362134196 93 180x180 - Clínica (Sarcoidose)

Clínica (Sarcoidose)

É frequente ser assintomática. Pode ter uma apresentação aguda ou uma instalação mais insidiosa e gradual. O pulmão é o órgão geralmente sempre afetado e a sua demonstração radiológica acontece em 90-95%.
A uveíte aguda pode ser a primeira manifestação da doença. A manifestação cutânea mais habitual é o eritema nodoso. A síndrome de Lõfgren que se apresenta com linfadenopatia hilar bilateral, eritema nodoso, febre baixa e artrite, constitui uma apresentação clínica aguda e geralmente de bom prognóstico. Outras manifestações cutâneas: o lúpus pernio, os nódulos subcutâneos, lesões maculopapulares, etc. Pode haver envolvimento hepático, esplénico, linfadenopatias abdominais e/ou periféricas, renal, cardíaco e neurológico.
A síndrome de Heerfordt geralmente apresenta-se com febre, uveíte, parotidite, xerostomia e paralisia facial. O envolvimento músculo-esquelético, como a miosite e as manifestações osteoarticulares, também são comuns.

thrombotic microangiopathy lung 04 8 180x180 - VASCULITES

VASCULITES

São doenças raras, mas potencialmente fatais. O pulmão é o órgão alvo primordial nas Vasculites dos pequenos vasos, dominando os fenómenos de capilarite pulmonar na granulomatose de Wegener, síndrome de Churg-Strauss e a MPA (poliangeíte microscópica).
Na doença AMBG (Síndrome de Goodpasture), há associada lesão renal grave. A vasculite pulmonar pode ocorrer noutras doenças sistémicas (por exemplo, LED, doença de Behçet, etc.) ou ser induzida por alguns fármacos.

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Classificação TNM

O American Joint Committee on Câncer (AJCC) e a Union Internationale Contre le Câncer (UICC) estabeleceram uma classificação baseada no pressuposto de que tumores na mesma localização anatómica (órgão) e com o mesmo tipo de histologia terão uma história natural semelhante. Esta classificação – TNM – baseia-se nos três grandes passos na evolução do tumor: o crescimento local do tumor (“T”), o envolvimento de gânglios linfáticos do território de drenagem (“N”) (lymph node) e, finalmente, a presença de metástases (“M”).
Para cada órgão definem-se especificações para T ou N; no caso de “M” há apenas duas alternativas – presença ou ausência de metástases (M1 ou M0).
Das diferentes combinações de T, de N e de M é possível definir diferentes estádios da doença. A definição dos estádios é também específica de cada órgão.
A classificação TNM refere-se à que se obtém com base no exame físico e nos meios auxiliares de diagnóstico – estádio clínico; a mesma classificação TNM pode ser modificada com base nos achados anatomopatológicos e é designada de pTNM (estádio patológico).
O estádio clínico conduz à abordagem terapêutica inicial, enquanto o estádio patológico condiciona uma eventual terapêutica adjuvante bem como uma melhor definição do prognóstico. A classificação TNM permite ainda agrupar os doentes de forma a, retrospectiva e prospectivamente, avaliar e comparar evoluções da doença e, particularmente, o impacto de diferentes terapêuticas.
Na maioria dos tumores segue-se a classificação TNM mas em algumas situações utilizam-se outras classificações. É o caso da classificação FIGO (international federation of gynecology and obstetrics) para neoplasias do aparelho ginecológico (aliás já correntemente com a correspondência com o TNM) ou de doenças hemato-oncológicas como, por exemplo, os linfomas que seguem uma classificação própria (por exemplo, estadiamento de Ann Arbor).

02 Psoríase na coxa 180x180 - Terapêuticas Combinadas e Rotativas (Psoríase)

Terapêuticas Combinadas e Rotativas (Psoríase)

A conjugação de terapêuticas tópicas e sistémicas é, em muitos casos, recomendável; destas, a associação do calcipotriol aos UV tem mostrado eficácia superior à de qualquer das duas terapêuticas isoladas. O Re-PUVA, que associa um retinóide oral (acitretina) ao PUVA , é também particularmente eficaz. Mais oportunos parecem ser os esquemas rotativos, que propõem a utilização isolada e sequencial dos diferentes antipsoriásicos, com o objectivo de obter os melhores resultados com sobrecarga mínima de cada órgão alvo (sangue, fígado, rins e pele).
Os medicamentos biológicos podem também ser associados a outras terapêuticas tópicas, a fototerapia com UVB, ou com outros sistémicos, como o metotrexato. Mas em cada caso há que fazer uma avaliação cuidada dos riscos vs benefício que estas associações podem trazer.

Abdomen definition meaning what is it dictionary 180x180 - Abdómen e Pélvis (Complicações da RT)

Abdómen e Pélvis (Complicações da RT)

A irradiação de vísceras ocas é aquela que gera uma maior quantidade de sintomas mal tolerados, sendo o risco maior em zonas de fixação de ansas intestinais, principalmente de intestino delgado. Isto acontece porque, sendo a acção das radiações proporcional à dose absorvida, qualquer órgão que se possa movimentar, e eventualmente deslocar-se para fora do campo de tratamento, está menos sujeito a evidenciar essas lesões.
Os sintomas vão desde as náuseas e vómitos iniciais, de maior ou menor intensidade, até à diarreia mais ou menos intensa. No tratamento da diarreia, é habitualmente empregue a loperamida com eficácia. As náuseas e vómitos são facilmente controlados com os procinéticos do tipo da metoclopramida. A irradiação da ampola rectal pode levar ao aparecimento de tenesmo rectal, embora com pouca frequência, podendo obter-se alívio local empregando enemas com corticóide.
Durante o tratamento de tumores pélvicos pode ainda ocorrer uma sintomatologia típica de cistite. Todos os sinais e sintomas descritos pelo doente são sobreponíveis aos de uma cistite infecciosa, no entanto a análise microbiológica da urina raramente tem critérios de infecção. A irradiação provoca uma lesão no urotélio, em tudo idêntica à devida a uma sobrepopulação bacteriana, donde a semelhança do quadro. O tratamento das situações mais avançadas inclui a hidratação e eventual acidificação da urina, através da administração da vitamina C.
Curiosamente a administração de antibióticos, como numa cistite infecciosa, é eficaz no alívio desta situação, suportando a hipótese de a sintomatologia se dever à acção da população bacteriana da bexiga, pela descida relativa do seu limiar infeccioso (habitualmente estabelecido numa concentração de 100000 bactérias por mm3) condicionado por uma mucosa fragilizada.

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Pele (Complicações da RT)

Este é o órgão comum a todas as localizações tratadas com RT externa, respondendo da mesma forma independentemente do local. Alguns factores locais ou gerais podem modular a intensidade e duração dos sintomas e sinais desenvolvidos, mas a altura do seu aparecimento é quase uma constante, ocorrendo cerca de 3 semanas após o início da RT.
De início, apenas é notável um eritema com sensação de calor ou prurido. A evolução é com frequência para um eritema mais intenso com descamação, sem exsudação, acompanhada da exacerbação dos sintomas anteriores. A maior parte dos casos não sofre agravamento, e a medicação limita-se à utilização de tópicos emolientes (pantenol, biafine), eventualmente com corticóide (deve ser usado com precaução pois interfere nos mecanismos naturais de cicatrização). A aplicação de violeta de genciana, especialmente nas zonas intertriginosas é eficaz para prevenir infecções secundárias, ajudando a manter estas zonas secas e limpas.
Raramente a dermite evolui para uma forma mais grave, com aparecimento de exsudação, obrigando à interrupção da RT. Nestas circunstâncias a aplicação de tópicos contendo óxido de zinco é benéfica. A utilização de antibióticos é desnecessária, excepto se se comprovar a presença de infecção. Melhor que estas medidas de tratamento activo, parece funcionar a prevenção, evitando traumatismos locais ou visando a melhoria das condições locais (hidratação e massagem, higiene, prevenção da maceração por fricção ou exposição).
Constitui agressão para a pele qualquer factor que favoreça a sua fragilização, seja um dano propriamente dito ou interaja com as radiações potenciando a sua acção. No primeiro ponto, qualificam-se as zonas intertriginosas, onde a humidade local e o atrito constante constituem elementos facilitadores do aparecimento de reacções secundárias à RT. O mesmo raciocínio é aplicável a locais sujeitos a atrito ou traumatismos mais ou menos evidentes, de uma forma rotineira, como seja a pele da face, sujeita ao barbear diário, nos homens, e aos elementos exteriores (radiação solar, frio, calor, humidade, etc). Na segunda categoria está o uso de tópicos, pomadas, cremes, pastas ou loções, que, não sendo lesivos por si sós, contêm elementos que interagem com a radiação, aumentando a dose absorvida pela pele (por exemplo, tópicos contendo zinco). Estes têm um efeito designado de bolus, aproximando da superfície a zona de maior dose, devendo pois ser cuidadosamente retirados antes da administração da RT.
Relativamente aos anexos da pele, nomeadamente os folículos pilosos, por se encontrarem a uma profundidade maior do que a da camada basal da pele, não beneficiam do efeito de build-up. Doses acima de 30 Gy em 3 semanas provocam o desaparecimento temporário do cabelo, na zona irradiada, enquanto que 60 Gy em 6 semanas ou mais determinam uma epilação permanente.
Para além da pele, anteriormente abordada, estão sujeitas a efeitos secundários do tratamento, as mucosas das vias aéreas e digestivas superiores e seus acessórios, nomeadamente as glândulas salivares e papilas gustativas e o aparelho fonador.