Artigos

Tratamento da hipertensão arterial 1361863427 74 2 180x180 - Tratamento da sépsis e falência multiorgânica

Tratamento da sépsis e falência multiorgânica

A sépsis é uma síndrome clínica que complica a infeção grave, caracterizada por inflamação sistémica e lesões de vários órgãos. Apesar da inflamação ser uma resposta útil do hospedeiro à infeção, a sépsis é hoje olhada como uma desregulação da resposta inflamatória normal, com ativação de neutrófilos e do endotélio vascular, e libertação maciça e descontrolada de mediadores pró-inflamatórios, criando uma cascata de fenómenos celulares e vasculares que levam à lesão tissular generalizada, à distância do insulto original.
Demonstrou-se que as lesões produzidas pela ativação da inflamação podiam complicar igualmente situações não infeciosas (pancreatite aguda, queimaduras, isquemia/reperfusão, ou trauma), pelo que se adotou o termo síndrome de resposta inflamatória sistémica (SIRS), mais abrangente e inespecífico, para denominar as consequências desta resposta inflamatória disfuncional, com ou sem infeção, que, se suficientemente grave e no hospedeiro predisposto, pode levar à síndrome de disfunção multiorgânica (MODS).
A sépsis afeta pelo menos 25% dos doentes internados numa UCI e a sua mortalidade pode exceder os 50%, quando acompanhada de choque séptico, tendo gravidade proporcional ao número de órgãos em falência.

Radioterapia 180x180 - Tratamento Conformacional

Tratamento Conformacional

Utilizando as imagens de TC no planeamento, em conjunto ou não com fusão com outros exames, é possível delimitar com precisão o volume a tratar e os órgãos sãos adjacentes.
Esta delimitação de volumes permite planear a melhor configuração possível dos campos de tratamento, combinando vários campos com incidências diversas e com a forma mais adequada, de forma a minimizar a irradiação fora do volume a tratar. O tratamento efectuado usando estes pressupostos de conformação dos campos de tratamento em conjunto com uma dosimetria detalhada do volume dos órgãos incluídos é designada por RT conformacional. Por vezes, é adicionada a sigla 3D para reforçar o facto de todo o processo de planeamento e dosimetria ter em conta todos os tecidos incluídos no tratamento e a dose global nos seus respectivos volumes.
As doses de tolerância dos diversos órgãos variam com o volume de facto irradiado, pelo que este modelo de tatamento permite reconhecer facilmente quais os riscos de provocar complicações e assim adequar o tratamento ao caso a tratar, reduzindo as doses totais ou, idealmente, procurando configurações e formas de campos mais adequadas, optimizando todos os factores do tratamento. Na maioria dos casos, havendo maiores certezas relativamente à localização tumoral, é possível reduzir as margens de tratamento com segurança e assim conseguir administrar doses de radiação mais elevadas sem maior risco de complicações.

raloxifeno-oral

Terapêutica (Pancreatite Aguda)

Enquanto as pancreatites ligeiras apenas necessitam de terapêutica de suporte, nomeadamente correcção da hipovolemia, da hipoxemia e da dor, nos doentes idosos (mais de 70 anos), nos obesos (IMC >30), quando existem co-morbilidades associadas ou na insuficiência de órgãos, deve ser ponderada a transferência para uma UCI.
A pancreatite aguda induz um estado hipercatabólico com consequente redução de peso, perda de proteínas e de lípidos. Por esse motivo e para estabilizar a barreira intestinal prevenindo a translocação bacteriana, o suporte nutricional deve ser iniciado precocemente entre os 3.°-4.° dias. Nas pancreatites ligeiras, a dieta poderá ser oral, em alternativa para os doentes mais graves pode-se optar por uma dieta entérica por sonda nasojejunal que se coloca por via endoscópica. Se a alimentação entérica não for tolerada, a opção é a alimentação parentérica.
Em relação à profilaxia antibiótica, ela não tem indicação nas pancreatites intersticiais, já nas pancreatites necrosantes, é tema de debate. A utilização empírica do carbapenem pretende reduzir o risco da infecção bacteriana (geralmente Gram-negativo com origem intestinal) dos tecidos pancreáticos necrosados. Se por um lado os estudos comparativos sobre a redução da morbilidade e da mortalidade não são conclusivos, por outro existe o risco da sobreinfecção fúngica associada à profilaxia antibiótica.
Quando existe a suspeita de infecção da necrose pancreática, seja pelos sinais sistémicos de toxicidade seja pela insuficiência de órgãos, uma punção aspirativa guiada por TC deverá ser realizada, iniciando-se a antibioterapia de acordo com o antibiograma. A necrose pancreática infectada necessita igualmente de desbridamento cirúrgico (necrosectomia) ou uma alternativa menos invasiva, a drenagem percutânea através de um ou mais cateteres.
A CPRE na pancreatite aguda litiásica deverá ser realizada com carácter de urgência (nas primeiras 24 horas) nos doentes com suspeita de colangite ou nas pancreatites agudas graves com falência de órgão. A CPRE electiva com esfincterotomia deverá ser realizada nos doentes com persistência de obstrução da via biliar principal (elevação da bilirrubinemia, via biliar principal dilatada), nos doentes sem condições para colecistectomia e nos doentes colecistectomizados com coledocolitíase.
Nos doentes com pancreatite litiásica, a colecistectomia deverá ser programada antes da alta hospitalar com o objectivo de evitar a recidiva da pancreatite.

a0050b0e961f8fa5356db8afad7d2321 180x180 - Sífilis

Sífilis

A sífilis é uma infecção provocada pelo Treponema pallidum. Se não for tratada de início, evolui para a cronicidade, cursando com períodos assintomáticos alternando com sintomas clínicos. É sistémica desde o início, podendo atingir múltiplos órgãos.
Clinicamente divide-se em sífilis primária (acidente primário), secundária (rash, manifestacões mucocutâneas e adenopatias) e terciária (lesões cardíacas, neurológicas, oftalmológicas, auditivas e gomas). Em função da sua duração divide-se em recente (menos de um ano) e tardia (mais de um ano). Como tal, os períodos assintomáticos ou latentes também se dividem em recente e tardio. Esta divisão tem importância para o tratamento.
O diagnóstico pela pesquisa de T. pallidum, em fundo escuro, nas lesões cutâneo-mucosas só é efectuado em centros especializados, pelo que, na prática clínica, são utilizados os testes serológicos: VDRL ou RPR para despiste e TPHA ou FTA-ABS para confirmação. No controlo da terapêutica deve-se usar o VDRL.

Dores musculares no corpo todo e1359983602275 180x180 - Tipos de dor

Tipos de dor

—> Dor nociceptiva – dor resultante da aplicação de um estímulo que provoca dano ou lesão em órgãos somáticos ou viscerais.
A dor nociceptiva pode ainda ser somática, quando ocorre nas estruturas somáticas de revestimento ou nas articulares, caracterizando-se por ser uma dor constante e bem localizada; ou visceral, quando ocorre ao nível dos órgãos, caracterizando-se por ser insidiosa, mal definida, vaga e surgindo com cólicas, moinhas ou paroxismos.
—> Dor neuropática – dor resultante de processos somatossensoriais aberrantes, por agressão de diferentes elementos do sistema nervoso.
—> Dor psicogénica – dor complexa que não permite a detecção de qualquer lesão orgânica ou envolvimento nociceptivo, associada a distúrbios emocionais com poderoso envolvimento psicológico.

amebiase 1024x768 180x180 - Amebíase

Amebíase

O agente etiológico da amebíase é um protozoário, a Entamoeba histolytica, que se encontra no lume do intestino grosso do homem e que, em determinadas condições, pode atingir alguns órgãos como o fígado, o pulmão, o coração, o cérebro, etc. O abcesso amebiano do fígado é a forma mais frequente da amebíase extra-intestinal.

Toxicodermias y Sindromes de hipersensibilidad a farmacos Figura 2 180x180 - Toxidermias

Toxidermias

Qualquer molécula, por mais simples que seja, pode ser indutora de reacções tóxicas ou alérgicas.
São conhecidos os medicamentos mais frequentemente implicados e os respectivos padrões clínicos, mas existem variações relacionadas com os hábitos terapêuticos e as afecções mais comuns de cada país e região.
Os padrões morfológicos/clínicos de toxidermias podem ser localizados ou difusos. Estes podem ser simples se afectam exclusivamente a superfície cutânea (acompanham-se frequentemente de prurido, ocorrem nos primeiros 10 dias após a instituição da terapêutica responsável e menos de 48 horas após a sua reintrodução) ou complexos se afectam outros órgãos, podendo ocasionar hepatite, nefrite, linfadenopatias, eosinofilia e agranulocitose, acompanhando-se sempre de febre. Destes, os mais importantes são a síndrome de Stevens-Johnson, a necrólise epidérmica tóxica ou síndrome de Lyell (com descolamento epidérmico generalizado e envolvimento das mucosas), e a síndrome de hipersensibilidade (que pode evoluir com lesões purpúricas, bolhosas ou descamativas).
Nos primeiros, os fármacos mais frequentemente envolvidos são sulfonamidas-anticonvulsivantes, AINEs, barbitúricos e alopurinol, entre oiutros. Na síndrome de hipersensibilidade, os anticonvulsivantes são os medicamentos mais frequentemente imputados.
Das formas exantemáticas simples, salientam-se os padrões morbiliforme e escarlatiniforme, com máculas e/ou pápulas dispersas; formas em toalha, em que há confluência destas lesões elementares em grandes áreas; e eritrodérmicas, com envolvimento de todo o tegumento, fazendo fronteira com as formas de toxidermias complexas, atendendo à existência de alterações sistémicas, de termorregulação e equilíbrio hidroelectrolítico.
Das formas localizadas, destaca-se o eritema fixo, que se traduz habitualmente por uma lesão única: mancha eritematosa, que evolui para infiltraição, por vezes bolha, e regride deixando mancha residual cinzento-acastanhada persisstente, e que reaparece em menos de 48 horas no mesmo local, com as mesmas características, sempre que há ingestão da mesma molécula. Os medicamentos mais frequentemente envolvidos são os AINEs, incluindo o ácido acetilsalicílico, os antibióticos e sulfonamidas, e os anticonvulsionantes, principalmente a carbamazepina.

Dermatite Atópica 2 180x180 - Fisiopatologia (Eczema)

Fisiopatologia (Eczema)

A anomalia imunológica principal consiste no desvio dos linfócitos Th0 para Th2 na sequência da estimulação alergénica. Os Th2 dominam a resposta central e, através do seu perfil específico de secreção de citocinas (IL-4), induzem as células B a produzir IgE alergénio-específicas. Estas são segregadas para a circulação e sensibilizam diferentes órgãos, ligando-se aos receptores de alta afinidade FceRI dos mastócitos e células dendríticas (células apresentadoras de antigénio, incluindo as células de Langerhans, da epiderme). É nestes receptores que se ligam alguns alergénios, como os aeroalergénios (pó da casa, por exemplo), para desencadear uma reacção de tipo retardado, que dará origem ao eczema.
Na pele afectada, uma inter-relação complexa entre Thl, Th2, células dendríticas e mastócitos conduz à inflamação.
Por outro lado, existem inequívocos factores extrínsecos desencadeantes: a colonização ou infecção por Staphylococcus aureus, alergias de contacto sobrepostas, o stress, as alterações sazonais ou climáticas, os irritantes tópicos como os detergentes e solventes vários, os poluentes, alguns alimentos e a sudação podem desencadear surtos de agravamento ou ser factores de manutenção de eczema. Em alguns casos de EA na face, é possível que fungos do género Malazessia possam assumir um papel desencadeante importante.

1 verrugas genitales 180x180 - Condilomas

Condilomas

São lesões salientes, quase sempre maceradas e de superfície espiculada – “em crista de galo” -, mas que podem ter aspecto plano ou digitiforme. Localizam-se nos órgãos genitais, regiões peri-anal e anal e nas áreas próximas. São também designadas por condilomas acuminados ou verrugas venéreas. Nalguns doentes, por razões que se desconhecem, desenvolvem-se verrugas anogenitais exuberantes, designadas por condilomas gigantes ou tumores de Buschke-Lowenstein, que correspondem muitas vezes a tumores malignos. Frequentemente, indivíduos com condilomas têm outras infecções genitais, nomeadamente por Cândida albicans, Ureaplasma urealyticum e Gardnerella vaginalis, que favorecem a expressão clínica dos condilomas.
Embora se tenham encontrado mais de 70 tipos de VPH nas regiões anogenitais, os que causam mais vezes os condilomas são o 6 e o 11. Estes tipos, juntamente com os 16, 18, 31 e 33 estão frequentemente associados a displasia genital, nomeadamente do colo do útero, embora o mesmo se verifique com outros. Pelo menos 20% das mulheres com condilomas cervicais clinicamente detectáveis têm neoplasia intra-epitelial (CIN).
Há indivíduos com lesões subclínicas, sem queixas, apenas diagnosticáveis por colposcopia, ou mesmo só por histologia. Há casos em que sintomas como o prurido, o ardor ou a dispareunia são devidos a infecção pelo VPH, mesmo na ausência de formações vegetantes. E há portadores aparentemente sãos em que a presença do vírus só é detectada por técnicas de PCR.
A transmissão do vírus pode ser feita por outras vias, mas faz-se quase sempre por contacto sexual. A localização das lesões predomina nos locais sujeitos a maior atrito durante o coito.

mamografia 180x180 - Outros órgãos e Sistemas II (Complicações da RT)

Outros órgãos e Sistemas II (Complicações da RT)

O tratamento dos tumores da mama pode também aumentar o risco de doença coronária, embora este risco seja reduzido com as técnicas de tratamento actuais. Existe ainda o risco de indução de neoplasias secundárias, 10 a 20 anos após o tratamento, embora a incidência seja muito baixa.
A inclusão de partes do fígado nos volumes de tratamento pode causar alterações hepáticas agudas ou crónicas, incluindo a fibrose hepática. Estas são pouco frequentes para volumes reduzidos, quase sempre possíveis usando uma técnica de tratamento adequada. A vigilância das provas de função hepática é recomendável.
Uma das zonas mais difíceis de irradiar é o abdómen, pela relativa maior sensibilidade do intestino, em particular o delgado. As complicações incluem fibrose, estenose, obstrução, ulceração, síndromes de mal-absorção, sendo os efeitos mais importantes nas combinações com quimioterapia ou cirurgia.
A irradiação dos rins pode levar a insuficiência renal se não forem respeitadas as recomendações de dose e volumes de tolerância aceitáveis. É importante vigiar as provas de função renal e o sedimento urinário após o tratamento.
A bexiga é relativamente radiorresistente, mas pode evidenciar reacções tardias incluindo hematúria, piúria, disúria, aumento da frequência urinária, incontinência, cistite crónica ou fibrose. A vigilância é feita com avaliação microscópica do sedimento e avaliação cistométrica.
A irradiação das gónadas representa risco de disfunção sexual e redução na secreção hormonal específica. Os testículos são particularmente sensíveis e uma dose relativamente baixa pode levar a uma esterilização total. A irradiação ovárica acarreta o risco de malformações na eventualidade de uma gravidez após irradiação, mesmo que não directamente dirigida à região pélvica. A gravidez numa mulher irradiada obriga a cuidados especiais no despiste precoce de malformações. A irradiação directa do útero exclui, em princípio, a possibilidade de uma gravidez.
O tratamento de tumores localizados no SNC induz tardiamente alterações mais ou menos evidentes das capacidades cognitivas, mais notáveis pela diminuição da capacidade de memorização ou senilidade precoce. Alterações motoras ou sensitivas são pouco frequentes no adulto. A irradiação pituitária tem quase sempre como consequência alterações diversas na função hormonal, que deve ser vigiada de perto, sendo efectuada terapêutica de substituição quando necessário. Estas alterações são mais evidentes em casos pediátricos pela diminuição de produção de hormona de crescimento.