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Candidíase Vulvovaginal

Estima-se que aproximadamente 75% das mulheres tenham um episódio de candidíase vulvovaginal ao longo da vida. A CA (Cândida albicans) é a espécie que mais comummente causa infecção sintomática, cerca de 90% dos casos. A CA coloniza de forma saprófita a orofaringe, intestino grosso e vagina. A doença clínica pode estar associada a doença sistémica como diabetes mellitus, VIH, obesidade, gravidez, medicação (antibióticos, corticóides e anticoncepcionais orais) e debilidade crónica.

DSCF1229 180x180 - Globo Faríngeo

Globo Faríngeo

Sensação de aperto ou desconforto na orofaringe, provavelmente por espasmo do músculo cricofaríngeo, que alivia com a ingestão de comida, que não causa disfagia e que agrava em momentos de maior ansiedade. Embora a maioria dos casos sejam de etiologia psicológica, deve sempre ser excluído doença esofágica ou gástrica (refluxo gastroesogágico, úlcera gástrica), ou patologia rinosinusal.

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Faringite Crónica

Manifesta-se por desconforto, sensação de presença de secreções ou secura ou ardor da orofaringe. A observação revela hiperemia da parede posterior da faringe e por vezes uma faringite cordonal. Devem ser pesquisados e eliminados factores que perpetuem a situação como tabaco, respiração oral, sinusite crónica, doença peridontal crónica, refluxo faringolaríngeo ou uso abusivo de antisépticos locais.

147310122 180x180 - Laringite Crónica

Laringite Crónica

Mais frequente no sexo feminino, está geralmente associada a esforço vocal, má colocação da voz, tabaco, álcool ou sinusite crónica. Manifesta-se por disfonia de agravamento progressivo ao longo do dia e sensação de corpo estranho na orofaringe. Devem corrigir-se os factores precipitantes e aconselhar repouso vocal e terapia da fala.

meditacao respiracao 180x180 - Respiração

Respiração

É o ponto B do suporte básico de vida. Através da inspeção, da palpação e da auscultação é fundamental garantir que o doente respira ativamente. Caso o faça deve-se fornecer oxigénio suplementar e manter a vigilância da patência da via aérea. Em qualquer dificuldade respiratória ou em presença de um doente inconsciente deve-se assegurar uma via aérea definitiva através da entubação traqueal.
Enquanto tal medida não é conseguida deve-se fornecer ventilação assistida através de:
– Respiração boca a boca.
– Ambu – este dispositivo administra ventilação através de uma máscara facial que deve estar bem adaptada e conecta a uma fonte de oxigénio de alto fluxo com um débito igual ou superior a 15 L/minuto. A eficiência deste método ventilatório de recurso pode ser aferida através da inspeção do tórax ou auscultação pulmonar ou ainda através de oximetria transcutânea. Idealmente este procedimento é efetuado por duas pessoas uma das quais garante uma boa adaptação da máscara à face enquanto a outra manobra o balão e mantém a rectificação da via aérea.
Enquanto se ventila desta maneira o doente, é importante ter o equipamento de aspiração pronto e utilizável de forma a aspirar eventuais secreções da orofaringe, sangue ou regurgitação de conteúdo gástrico. O risco de aspiração de conteúdo gástrico é minimizado mantendo o doente em posição de Trendelenburg. Todo o equipamento necessário para obter uma via aérea definitiva deve estar facilmente disponível.
A administração de oxigénio pode ser feita através de cateter nasal, máscara simples ou máscara de Venturi (existem vários tipos destas máscaras fornecendo FiO2 diferentes em função do débito de oxigénio fornecido – 24%, 28%, 31%, 35% e 50%) nos doentes em respiração espontânea. Nos doentes sob ventilação assistida com Ambu, a fonte de oxigénio está diretamente conectada ao dispositivo com o fluxo máximo disponível. Antes de tentar uma via aérea definitiva é importante pré-oxigenar de forma a possibilitar uma saturação de oxigénio arterial que permita tolerar eventuais dificuldades na entubação.
Se possível, o doente deve estar monitorizado e todas as disfunções cardiocirculatórias são avaliadas e tratadas simultaneamente, designadamente as manobras de restabelecimento da circulação através de massagem cardíaca externa naqueles doentes em que se documente ausência de pulso.
—> Máscara laríngea – é um dispositivo que permite ventilação assistida de uma forma mais fácil, não exigindo treino na entubação traqueal nem laringoscopia direta. Foi desenvolvida para servir como alternativa nos casos de entubação difícil. Trata-se de um tubo de grande calibre que termina numa máscara insuflável que se adapta perfeitamente à hipofaringe, ocluindo o esófago permitindo a ventilação pulmonar sem fuga de ar para o estômago. Existem outros dispositivos relacionados mas este é, talvez, o mais difundido entre nós. O seu uso deve ser monitorizado, preferencialmente através de capnografia.
A máscara laríngea tem de ser encarada como um método de recurso dado que não permite a aspiração da hipofaringe nem impede a aspiração de conteúdo gástrico.

dsc02619 180x180 - Pneumonia de aspiração

Pneumonia de aspiração

É um processo infecioso pulmonar causado pela aspiração para a árvore traqueobrônquica de material da orofaringe colonizado por bactérias patogénicas.
A aspiração silenciosa de material da cavidade oral durante o sono é frequente em indivíduos saudáveis, no entanto, os mecanismos de proteção das vias aéreas (encerramento glótico, reflexo da tosse, integridade do epitélio respiratório ciliado, imunidade celular e humoral) conduzem à depuração do material sem produção de sequelas. Quando estas defesas estão comprometidas e/ou o volume aspirado e grau de agressividade do inóculo bacteriano são elevados, por exemplo perante má higiene dentária, desenvolve-se uma pneumonia de aspiração.
A sua conceção inicial refere-se a infeção por agentes anaeróbios (Peptostreptococcus, octerium nucleatum, Prevoíella, Bacteroides spp.). Na realidade, a maioria dos doentes com pneumonia de aspiração adquirida na comunidade possui uma flora mista que engloba os anaeróbios em associação com Streptococcus pneumoniae, Staphylococcus aureus, Haemophilus influenzae ou Enterobacteriaceae. Quando a aspiração ocorre em meio hospitalar, com internamento em unidade de cuidados intensivos, os microrganismos mais frequentemente identificados são, por ordem decrescente, os Gram-negativo (Pseudomonas aeruginosa, Klebsiella pneumoniae, Escherichia coli) anaeróbios e S. aureus.
Um elevado grau de suspeição diagnostica surge quando se verificam os seguintes critérios:
– Condições propícias para a aspiração orofaríngea e/ou doença periodontal, maioria dos casos, os episódios não são presenciados. *
– Curso indolente (dias a semanas).
– Sintomas como tosse, expetoração purulenta fétida, dispneia, febre baixa, toracalgia, mialgias, astenia, anorexia e emagrecimento.
– No exame objetivo salientam-se sinais da patologia de base que conduziu à aspiração, uma má higiene oral, alterações do estado de consciência, febre, fervores auscultatórios, entre outros.
— Radiografia ou TC de tórax com infiltrado de novo em locais preferenciais como sejam os segmentos posteriores dos lobos superiores e apical dos lobos inferiores (nos doentes cujo episódio de aspiração ocorreu em decúbito dorsal) e segmentos basais dos lobos inferiores (naqueles em que a aspiração se verificou na posição sentada ou ortostática). Frequentemente ocorre progressão para abcesso pulmonar, pneumonia necrotizante ou empiema.
O tratamento deve ser iniciado o mais precocemente possível de forma a diminuir a morbilidade e mortalidade:
– Antibioterapia empírica adaptada ao local e contexto em que ocorreu a pneumonia de aspiração, abrangendo agentes Gram-negativo e Gram-positivo. A escolha recai normalmente sobre as fluoroquinolonas (levofloxacina, moxifloxacina), cefalosporinas de 3.ª geração (ceftazidima), carbapenemes (imipenem) e piperacilina + tazobactam.
A cobertura de anaeróbios é obrigatória no contexto de doença periodontal, expetoração com cheiro fétido, pneumonia necrotizante ou abcesso pulmonar.
– Entubação orotraqueal e ventilação mecânica devem ser equacionadas nos doente incapazes de proteger a integridade da via aérea.
– Descontinuação de entubação nasogástrica e substituição por alimentação parentérica.
A instituição de medidas preventivas é de vital importância no sentido de evitar recidivas:
– Higiene oral e dentária para corrigir possíveis fatores predisponentes.
– Terapêutica da disfagia com treino da deglutição, ensino de dieta correta, redução da dimensão dos alimentos ingeridos, etc.
– Posicionamento com elevação da cabeceira da cama a 45°.
– Farmacoterapia que propicie a depressão do estado de consciência deve ser ponderada (por exemplo, sedativos). As estratégias terapêuticas com corticosteroides IECA, dopamina, amantadina, teofilina ou ácido fólico foram testadas em vários grupos de doentes de acordo com a patologia de base, mas não evidenciaram clara eficácia na prevenção desta patologia.
– Gastrostomia percutânea deve ser equacionada nos doentes que se encontram sob alimentação permanente por sonda nasogástrica, dado que diminui a incidência de pneumonia de aspiração.