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osteoporose 180x180 - Clínica (Osteoporose)

Clínica (Osteoporose)

A OP cursa durante muito tempo de forma assintomática. O quadro clínico da OP estabelecida é dominado pelas fraturas ósseas, que surgem com traumatismos mínimos ou de forma espontânea. As localizações mais frequentes são a extremidade distal do rádio (fratura de Colles), as vértebras (dorsais e lombares), o fémur proximal (colo do fémur e intertrocantérico) e a extremidade proximal do úmero. As duas primeiras localizações são típicas da OP pós-menopáusica, enquanto as segundas são habituais nos idosos.
Quando já existem múltiplas fraturas vertebrais, as alterações posturais podem condicionar o aparecimento de dor axial crónica, com ritmo mecânico. A progressiva diminuição de altura leva a uma procidência do abdómen e muitas vezes a caixa torácica chega a tocar a crista ilíaca. Estas deformações são responsáveis pelas manifestações clínicas da OP vertebral grave: enfartamento pós-prandial, infeções e insuficiência respiratória.

calcitonina nasal 180x180 - Calcitonina (Doença Óssea de Paget)

Calcitonina (Doença Óssea de Paget)

A calcitonina inibe a função dos osteoclastos que está activa no processo pagético.
É administrada por injecção subcutânea ou por spray nasal, mas esta última formulação só tem aprovação no tratamento da osteoporose.
A calcitonina de salmão é inicialmente usada em doses baixas para aumentar a tolerância e progressivamente aumentada até 100 unidades MRC (Medicai Research Council). A melhoria clínica e laboratorial é notada entre a 2ª e a 6ª semanas, com diminuição para 50% dos níveis de FA sérica e melhoria das lesões líticas em 3 a 6 meses. Após este período a dose pode ser diminuída para 50 MRC em dias alternados.
A duração do tratamento não está definida e em casos de doença grave pode ser necessário continuar o tratamento indefinidamente para haver melhoria clínica e laboratorial.
Os efeitos secundários mais comuns são: náuseas, flushing e gosto metálico.
Efeitos raros incluem diarreia, dor abdominal e reacções alérgicas. Estes efeitos podem ser atenuados se a administração for feita à hora de deitar.
Salienta-se que a calcitonina é cada vez menos utilizada no tratamento desta doença, sendo reservada para casos de contra-indicação ou intolerância aos bifosfonatos.

0711 aborto 1 180x180 - Gravidez (Terapêutica Hipocoagulante)

Gravidez (Terapêutica Hipocoagulante)

Os cumarínicos têm um potencial efeito teratogénico no primeiro trimestre da gravidez. Nas doentes com indicação para efetuar esta terapêutica, existem quatro alternativas, sem vantagens demonstradas entre os vários esquemas:
—> Substituir o hipocoagulante oral por heparina s.c. antes da conceção, manter a heparina durante todo o primeiro trimestre e voltar aos cumarínicos até 2 semanas antes do parto (reiniciando a heparina neste período).
—> Substituir o hipocoagulante oral por heparina s.c. antes da conceção, manter a heparina durante toda a gravidez (risco de osteoporose considerável).
—> Se a gravidez não foi planeada, substituir o hipocoagulante oral por heparina s.c. logo que se saiba da gravidez e optar depois por um dos esquemas acima.
—> Manter os cumarínicos no período pré-concepcional, efetuando testes de gravidez frequentes, para interrupção do fármaco logo que o diagnóstico se confirme. Depois optar pelo 1.° ou 2.° esquema.
Apesar de em muitos centros se estar a utilizar heparinas de baixo peso molecular na gravidez, em vez da heparina e.v., não existem estudos suficientes a documentar a eficácia/segurança desta prática.

NUEVO Gonadotrofina Corionica 180x180 - Substituição de Gonadotropinas

Substituição de Gonadotropinas

– Sexo feminino – substituição estrogénica/progestagénica
Estradiol oral 1 a 2 mg/dia, estradiol transdérmico 0,05-0,1 mg/dia ou estrogénios conjugados: 0,3 a 1,25 mg/dia (por exemplo, 0,625 mg/dia primeiras 3 semanas).
Alivia os sintomas vasomotores, previne a osteoporose e mantém as características sexuais secundárias.
Deve-se sempre conjugar um progestagénio como, por exemplo medroxiprogesterona, 5 a 10 mg, intercalado com o estradiol (3 semanas de estradiol e 1 semana de medroxiprogesterona, seguida de uma semana de menstruação) para evitar a hiperplasia do endométrio.
– Sexo masculino – substituição androgénica
Enantato de testosterona 100 mg/semana ou 200 mg/2 semanas ou 300 mg a cada 3 a 4 semanas, i.m. ou testosterona transdérmica.
Permite restaurar a libido, previne a osteoporose, aumenta o crescimento dos pelos e barba, e aumenta a força muscular e o bem-estar geral.
Deve-se iniciar o tratamento com 50 mg, aumentando a dose a cada 2 semanas, através do doseamento da testosterona sérica, avaliada imediatamente antes da administração. Manter vigilância do hemograma, função hepática e PSA.

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Complicações da Hormonoterapia

Na mulher, o uso de análogos LH-RH conduzem à supressão ovárica e, portanto, à infertilidade (embora não seja terapêutica contraceptiva suficiente); se mantidos mais prolongadamente, podem gerar também o que resulta da insuficiência estrogénica: osteoporose,e alteração do perfil lipídico. Estes efeitos poderão ser mais acentuados quando se combina com outro tipo de hormonoterapia (tamoxifeno ou inibidor da aromatase).
Frequentemente também são referidas alterações do humor e depressão.
Ao tamoxifeno têm-se associado inúmeros efeitos acessórios, mas salientam-se: redução da massa óssea na coluna lombar e fémur nas mulheres pré-menopáusicas (embora não se tenha documentado aumento de risco de fractura), redução do colesterol LDL, espessamento do endométrio (nas terapêuticas mais prolongadas), aumento do risco trombo-embólico (mas inferior a 1%), afrontamentos e ganho de peso (predominantemente nas mulheres com mais de 45 anos).
Com os inibidores da aromatase estão também descritos: afrontamentos, artralgias, mialgias, agravamento da osteoporose e dislipidemia.
No homem, o uso de análogos LH-RH conduz também à infertilidade e ainda impotência e redução da libido.
Os anti-androgénios podem provocar com maior frequência afrontamentos, dores (várias) ou ginecomastia.
Ainda no homem, a terapêutica de supressão/antagonismo androgénico feita de forma prolongada pode também agravar o desenvolvimento de osteoporose.

calcitonina nasal 180x180 - Calcitonina (Osteoporose)

Calcitonina (Osteoporose)

A calcitonina de salmão, na dose de 200 UI diárias, em nebulização nasal, é uma alternativa terapêutica de 2.a linha na OP estabelecida, particularmente em doentes com múltiplas fracturas vertebrais.

remédios 180x180 - Bifosfonatos (Osteoporose)

Bifosfonatos (Osteoporose)

Os bifosfonatos são potentes inibidores da reabsorção óssea. Existem vários compostos, cujas diferenças assentam nas cadeias laterais, sendo utilizados, na OP, os aminobifosfonatos (com radicais de azoto): alendronato (ácido alendrónico), risedronato, ibandronato e zoledronato (ácido zoledrónico).
Com excepção do zoledronato, todos estes fármacos são administrados por via oral e, para aumentar a sua absorção, devem ser feitos em jejum, com água, devendo a ingestão de alimentos ser feita com um intervalo mínimo de 30 minutos (cerca de 45 minutos para o ibandronato). Uma vez que todos os aminobifosfonatos orais podem provocar uma esofagite química, é recomendado que após a toma do fármaco seja mantida a posição vertical do tronco (de pé ou sentado) até à ingestão de alimentos.
A utilização destes fármacos nos doentes com esofagite de refluxo grave e/ou hérnia do hiato deve ser cautelosa. No caso do zoledronato, cuja administração é e.v., recomenda-se uma hidratação adequada antes e depois da administração.
A Posologia dos bifosfonatos disponíveis é a seguinte:
– Alendronato – 10 mg/dia ou 70 mg/semana.
– Risedronato – 5 mg/dia ou 35 mg/semana.
– Ibandronato – 150 mg/mês.
– Zoledronato – 5 mg/ano em administração e.v. lenta (15 minutos).
Recomenda-se ainda uma avaliação prévia do cálcio sérico e da função renal, uma vez que a hipocalcemia e a insuficiência renal graves são contra-indicações para a administração de bifosfonatos.

osso 180x180 - Terapêutica (Osteoporose)

Terapêutica (Osteoporose)

O objetivo da terapêutica da OP é a prevenção das fraturas de fragilidade e das suas consequências.
Para a decisão terapêutica, devem ser ponderados para além do risco fraturado do doente, a eficácia dos fármacos (principalmente a redução de risco) e os seus efeitos acessórios. O risco absoluto, expresso pela probabilidade de fratura a 10 anos e determinado pelo FRAX® deve ser utilizado para a decisão. No entanto, o valor a partir do qual se considera justificada a intervenção terapêutica depende também de decisões de política de saúde, e no nosso país ainda não está determinado. Apesar disso é fundamental ponderar, em cada doente, os fatores de risco que compõem o FRAX® antes de tomar a decisão terapêutica.
As recomendações da SPR/SPODOM consideram que:
Os indivíduos que apresentem uma história de fratura de fragilidade (mesmo que a DEXA revele apenas osteopenia) ou a quem, em densitometria criteriosamente solicitada, tenha sido detetado um índice T inferior a -2,5 desvios-padrão, têm indicação para fazer tratamento da OP.
—» A osteopenia sem fractura, mas com factores de risco importantes, pode justificar uma actuação farmacológica idêntica à do tratamento da OP.
—> A osteopenia isolada, em indivíduos sem factores de risco para OP, não justifica terapêutica farmacológica.
Os RCT (ensaios randomizados e controlados) dos fármacos actualmente existentes para tratamento da OP demonstraram que todos eles têm capacidade para aumentar a DMO de forma significativa quando comparados com placebo. A eficácia demonstrada na redução do risco de fractura (vertebral, não vertebral e da anca) é variável nos diferentes fármacos.
Nas medidas farmacológicas não deve ser esquecido o tratamento das complicações associadas às fracturas vertebrais múltiplas e a intervenção não farmacológica deve ter em conta a prevenção de quedas nos indivíduos em risco.

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Protectores das ancas (Osteoporose)

Os protectores das ancas, em material sintético que provoca uma absorção de energia aquando da queda, demonstraram ser particularmente úteis na prevenção das fracturas da anca, em indivíduos idosos institucionalizados. A sua utilização neste contexto deve ser fomentada.

73 180x180 -  Prevenção das quedas (Osteoporose)

Prevenção das quedas (Osteoporose)

A prevenção das quedas, frequentes nos idosos, é uma das pedras basilares para a prevenção das fracturas.
Devem ser identificados os fatores de risco, intrínsecos e extrínsecos, associados às quedas e feita a sua correção.
Entre os fatores intrínsecos deve ser dada particular atenção à correção de défices de audição e de visão e à melhoria da má função muscular e cognitiva.
Quanto aos fatores extrínsecos, para além dos cuidados com os riscos relacionados com o ambiente envolvente, deve ser tida em conta a utilização cautelosa de fármacos anti-hipertensores e com ação no sistema nervoso central (antidepressivos, hipnóticos, ansiolíticos), cujo uso está relacionado com o risco aumentado de queda com fratura.