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reduzir riscos do uso de antibioticos para criancas e simples 1  2012 10 22151531 180x180 - Derivados Imidazólicos

Derivados Imidazólicos

—> Metronidazol – é um antibiótico sintético derivado do 5-nitroimidazol. Para além do seu interesse como fármaco antiparasitário, o metronidazol tem actividade bactericida através da sua activação em meio anaeróbio que leva à sua acumulação no interior das bactérias, resultando na oxidação dos componentes do citoplasma e na desnaturação do ADN. O facto de ter actividade selectiva para bactérias anaeróbias, incluindo C. difficile, torna-o um agente terapêutico de grande utilidade na terapêutica anti-infecciosa.
• Farmacologia – é bem absorvido por via oral, com uma biodisponibilidade de 80%.
A sua distribuição é boa na maioria dos tecidos, incluindo o osso, os fluidos seminal e vaginal, a placenta, o leite materno e o LCR (43% da concentração plasmática).
É eliminado sobretudo por via urinária (60 a 80%) e fecal, sendo os níveis pouco afectados em situações de insuficiência renal. Metabolização hepática de 30-60% (hidroxilação, oxidação e glucoronidação), pelo que a sua depuração está reduzida na disfunção hepática. No homem, a administração oral de 500 mg proporciona níveis plasmáticos de 11,5 a 13 mg/L com Tmax de 3 horas. A 11/2 é de cerca de 8 horas, quer p.o., quer e.v.
– Segurança – descrita a ocorrência de convulsões, neuropatia periférica, pelo que são recomendadas precauções particulares quando tiver de ser utilizado no tratamento de infecções do SNC (abcesso cerebral, por exemplo). Outras reacções adversas incluem disguesia (sabor metálico), glossite, reacção urticariforme, disúria e tenesmo urinário, pancreatite, febre medicamentosa, leucopenia (reversível) e trombocitopenia (rara, mas potencialmente irreversível). O metronidazol é carcinogénico no modelo animal, e foi descrito um aumento de risco de ocorrência de neoplasias intestinais na doença de Crohn em doentes medicados com metronidazol durante períodos prolongados.
– Interacções – o metronidazol inibe o metabolismo dos anticoagulantes orais e da fenitoína, aumentando as suas concentrações plasmáticas com potencial desenvolvimento de toxicidade. O fenobarbital reduz as concentrações do metronidazol, podendo comprometer a sua eficácia terapêutica. A cimetidina inibe o metabolismo do metronidazol. A co-administração de etanol e metronidazol induz um risco de reacções do tipo dissulfiram.
• Posologia e administração – estão disponíveis formulações orais sólidas (250 mg e 500 mg) e para administração parentérica (e.v.), 500 mg/unidade. Disponíveis formulações para uso tópico com interesse no tratamento de parasitoses. Útil no tratamento de infecções sistémicas ou localizadas quando se suspeite do envolvimento de anaeróbios, designadamente nos abcessos abdominais e do SNC, como adjuvante do tratamento cirúrgico. No tratamento da doença associada ao C. difficile, pode ser uma alternativa à vancomicina oral, embora com eficácia algo inferior, provavelmente devido à sua rápida e elevada absorção, reduzindo os níveis no lume intestinal.
A posologia recomendada, no adulto, é de 250 a 500 mg de 8/8 horas p.o., e 500 mg de 12/12 a 8/8 horas, e.v., recomendando-se uma dose de carga de 15 mg/kg na 1.ª toma. A dose diária não deve exceder 4 g. A sua utilidade no tratamento combinado da infecção por H. pylori tem sido reduzida devido à emergência de estirpes resistentes desta bactéria.

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CETOACIDOSE

Ocorre por oxidação lipídica ora numa atmosfera de défice relativo de insulina como na diabetes insulinodependente, ou de hipoglicemia como na cetoacidose da fome, ou ainda na inibição da libertação de insulina como na cetoacidose alcoólica.
Na cetoacidose, a velocidade de produção de H+ é muito mais lenta do que na acidose láctica; dar bicarbonato aumenta substancialmente o risco já existente de hipocaliemia. Só damos bicarbonato junto com KC1 se a acidose for grave com HCO3 mEq/L e/ou a acidose se agravar após início do tratamento com insulina, pois nessas circunstâncias talvez a própria acidose esteja a contribuir para a resistência à insulina. Na cetoacidose diabética, o tratamento consiste essencialmente em repor volume e administrar insulina.
O cetoácido predominante inicial é o hidroxibutirato, que não é detectado pelo teste para corpos cetónicos urinários; com a melhoria da situação, o acetoacetato torna-se o cetoácido mais abundante, a deteção urinária de corpos cetónicos torna-se paradoxalmente mais positiva e estes aniões orgânicos são por um lado excretados na urina com os catiões Na e K, o que provoca hipovolemia e a hipocaliemia conhecidas, por outro metabolizados em bicarbonato. A correção da acidose será tanto mais perfeita no imediato se fomos mais agressivos na correção do défice de insulina do que na correção do défice de volemia, pois a normalização rápida da volemia vai aumentar a excreção de cetoácidos e espoliar bicarbonato potencial.
Hipocaliemia, hinofosfatemia e hipomagnesiemia ocorrem com frequência no rescaldo da correção das cetoacidoses; há que vigiar e corrigir.
A acidose da insuficiência renal crónica é evidenciável laboratorialmente em apenas alguns doentes quando o débito do filtrado glomerular baixa dos 20 ml/min, o AG sobe sempre menos do que o défice de bicarbonato em si também discreto, pois existe também um componente misto de acidose com AG normal ou hiperclorémica, predominantemente nos casos com maior envolvimento túbulo-intersticial.
O tratamento com bicarbonato é muito raramente necessário, salvo em crianças e adolescentes em quem a correção mais exigente da acidose melhora o estado nutricional e a doença óssea renal. A utilização generalizada de carbonato de cálcio como quelante do fósforo na prevenção da osteodistrofia renal nos doentes com insuficiência renal crónica moderada a grave é, em geral, suficiente para manter o pH dentro dos limites do normal. Na acidose com AG normal, se o AGU é positivo, significa que a excreção de NH4 é anormalmente baixa ou por defeito da amoniagénese ou por um dos múltiplos défices de secreção tubular de H+. O diagnóstico diferencial do tipo de acidose tubular renal pertence ao especialista, o tratamento é com bicarbonato oral na dose de 1 a 2 mEq/kg, ou mais corretamente e bem tolerado com citrato de potássio existente no nosso mercado na forma de soluto de Sholl, um preparado de farmácia oficinal com ácido cítrico, citrato de sódio e potássio de paladar desagradável, tolerável se bem gelado e misturado com sumo de citrinos (uma colher de sopa por cada 10 a 20 kg de peso), ou mais recentemente em comprimidos (Acalka) três a seis comprimidos por dia. Nas acidoses tubulares hipercaliémicas, frequentes na obstrução urinária e/ou nefrites intersticiais, evitar IECA (inibidores da enzima de conversão da angiotensina), que a agravam, e dar furosemido que corrige a acidose e a hipercaliemia.
Se o AGU é negativo, as causas mais prováveis são perda de bicarbonato no aparelho digestivo, o pHU é alcalino tal como na acidose tubular renal, devido ao excesso de excreção de NH4, pelo que pHU não tem valor diagnóstico. Além das diarreias baixas, são também causa destas acidoses derivações digestivas do aparelho urinário (conduto ileal, neobexigas), principalmente se parcialmente obstruídas, o que não é raro na clínica, em que associam um componente de acidose tubular renal hipercalémica.