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Risco de mortalidade é maior entre diabéticos que se tratam com sulfonilureia dreamstime 180x180 - Uso de Fármacos (Cuidados Paliativos)

Uso de Fármacos (Cuidados Paliativos)

Em cuidados paliativos e de acordo com as indicações de especialistas internacionais de cuidados paliativos, credíveis, como a EAPC (european association ofpaliative care) ou a IAHPC (associação internacional de cuidados paliativos), foi elaborada uma lista de medicamentos essenciais nesta área que identifica um grupo vasto de alternativas farmacológicas que podem ser usadas por várias vias de administração.
Os fármacos abaixo indicados podem ser usados, em alternativa, por via subcutânea (com claros benefícios e comodidade para doente e família):
– Salbutamol.
– Furosemido.
– Dexametasona.
– Metoclopramida.
– Morfina,
– Tramadol.
– Haloperidol.
– Midazolam.
– Cloropromazina.
– Ceftriaxone.
– Butilescopolamina.
– Diclofenac.
– Octreótido.
– Ranitidina.

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Recomendações Práticas

Não dispondo de normas ou recomendações práticas nacionais que nos orientem na decisão de suspender ou não iniciar a terapêutica de suporte de vida, deixamos algumas reflexões e sugestões de actuação que reflectem a experiência pessoal:
— Em todos os casos complexos de decisão bioética, ter a noção de que não se pretende um debate filosófico exaustivo de todas as vertentes do problema e suas implicações, mas sim a sua resolução prática e atempada. E recomendável utilizar uma mesma matriz de análise a percorrer em todos os casos, que inclui: caracterização clínica do caso, prognóstico provável; preferências do doente, se conhecidas de forma escrita ou verbal; qualidade de vida previsível; aspectos conjunturais como económicos, religiosos, ou familiares.
— Um tratamento é considerado fútil quando não irá contribuir para atingir os nossos objectivos fisiológicos, clínicos ou paliativos e, como tal, em nada beneficiará o doente.
Todo e qualquer tipo de tratamento deve ser avaliado em função da sua utilidade ou futilidade, isto é, a suspensão de ventilação mecânica ou de diálise têm a mesma importância e impacto do que um soro e.v. ou alimentação por sonda nasogástrica: se são úteis para tratar ou aliviar o sofrimento, devem ser continuados; quando não é previsível que cumpram qualquer destes objectivos, devem ser interrompidos.
— Tentar formular o prognóstico provável do doente e a influência dessa terapêutica neste prognóstico. A decisão nunca deve ser baseada exclusivamente na nossa previsão prognóstica, mesmo quando quantificada em scores de gravidade tão usados nas UCI, pois são perigosamente falíveis em decisões prospectivas sobre doentes individuais.
— Qualificar a qualidade de vida previsível do doente após uma alta eventual e o que esse doente pensaria desse tipo de existência. Não esquecer que a valoração da qualidade de vida é extremamente variável entre indivíduos e no mesmo indivíduo em diferentes contextos e idades. Presumir tão pouco quanto possível.
— Discutir amplamente a decisão da suspensão terapêutica e nunca avançar sem consenso entre todos os membros da equipa que trata o doente e a família ou outros representantes deste. Facilita este processo que toda a informação seja fornecida sempre por um mesmo médico, bom comunicador, consistente nas suas opiniões e com boa relação com a família. Nos impasses desta “negociação”, resolver sempre a favor da vida, isto é, pela continuação do tratamento.
– Nas conversas com a família, não enfatizar a probabilidade exacta de sobrevivência, que prevemos com dificuldade, mas sim a probabilidade de recuperação para uma existência consciente, integrada e com um mínimo de significado social e familiar.

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Sintomas Respiratórios (Cuidados Paliativos)

O mais frequente é a dispneia, que é também um dos sintomas que gera mais preocupação no doente e na sua família. Ocorre em 70% dos doentes com cancro nas últimas semanas de vida e é grave em 25% dos doentes na última semana. O tratamento farmacológico da dispneia passa por conjugar oxigénio, broncodilatadores, corticosteróides, antibióticos e opióides.

04 de marzo de 2012 CUIDADOS PALIATIVOS 180x180 - Dor (Cuidados Paliativos)

Dor (Cuidados Paliativos)

Globalmente surge em 70-80% dos doentes, sendo a dor dependente da extensão da doença e relacionada com infiltração de tecidos moles, ósseos, infiltração neuropática ou obstrução de vias ou vísceras. Outras causas são as relacionadas com complicações do tratamento (enterite, cistite radiógena, necrose pós-quimioterapia, mucosite pós-quimioterapia) ou secundárias a complicações da evolução da doença (sépsis por sobreinfecção).
Identificada a causa, a analgesia deve ser regular, ajustando individualmente a dose, e antecipando a toma do analgésico ao aparecimento da dor. Deve ser contemplada a dose de resgate (para dor em acesso eruptivos) e prevenidos os efeitos secundários dos analgésicos (sempre laxantes e antieméticos quando usados opióides, protector gástrico na prescrição de AINEs).
O tratamento da dor oncológica baseia-se no uso racional de analgésicos e adjuvantes segundo a escada analgésica da OMS. Com esta prescrição em cerca de 80% dos casos consegue-se um bom controlo da dor; nos restantes deve ser ponderada a opção por tratamentos como a RT, analgesia epidural, analgesia locorregional.
Pode-se ter uma avaliação prognóstica do controlo da dor recorrendo a ESS (Edmonton staging system), sendo a dor incidental, a dor neuropática, a coexistência de stress emocional, antecedentes de adição e etanolismo, bem como o aumento rápido da dose de opióides factores desfavoráveis no controlo da dor com morfina oral. A noção da probabilidade da resposta ajuda-nos a estabelecer objectivos terapêuticos razoáveis e a propor medidas de tratamento específicas adaptadas aos doentes, famílias e equipas, sempre.
Os princípios do controlo da dor, definidos em 1986, afirmam:
– Prescrição pela boca (sempre que possível deve ser a 1.ª via de administração), seguida da via rectal, subcutânea, e.v. e, por último, i.m.
– Prescrição pelo relógio (intervalos regulares, de acordo com o tempo de acção de cada medicamento).
– Prescrição pela escada.
A escada analgésica deve ser usada conforme a intensidade da dor. De uma forma resumida, a prescrição analgésica deve seguir estes princípios:
– Para a dor de baixa intensidade (escala visual de dor 1-4) – analgésicos comuns de baixa potência +/- – AINEs +/- adjuvantes.
– Na dor de média intensidade (escala visual analógica da dor 5-7), um opióide fraco +/- AINEs +/- adjuvantes.
– Na dor severa (escala 8-10) deve ser usado um opióide forte somado ou não a um analgésico não opióide ou AINE.
Em todos os degraus, e desde o início do tratamento, o emprego de drogas chamadas de adjuvantes deve ser considerado.
Fármacos analgésicos de uso mais generalizado:
– Analgésicos não opióides – paracetamol, dipirona magnésica, AINEs.
– Adjuvantes – anti-depressivos tricíclicos (amitriptilina), anti-convulsivantes (gabapentina, carbamazepina), neurolépticos e outros (benzodiazepinas, miorrelaxantes bisfosfonatos).
– Analgésicos opióides fracos – tramadol (dose diária do tramadol não deve exceder 400 mg) ou codeína.
– Analgésicos opióides fortes – morfina, fentanil, buprenorfina.
Tratar a dor constitui um dos marcos essenciais numa relação de confiança entre o doente, a família e a equipa que dá suporte aos cuidados paliativos.

paliativos riso 180x180 - Organização e Objectivos (Cuidados Paliativos)

Organização e Objectivos (Cuidados Paliativos)

“Os CP afirmam a vida e consideram a morte como um processo natural, procuram um alívio da dor e dos outros sintomas que geram sofrimento, integram os aspectos psicológicos e espirituais nos cuidados aos doentes, oferecem um sistema de suporte para ajudar os doentes a viver tão activamente quanto possível até à morte, e propõem um sistema de apoio à própria família, ajudando-a a suportar a doença do familiar/amigo e o seu próprio luto.”
O objectivo dos CP é obter a melhor qualidade de vida possível para os doentes e as suas famílias. Muitos dos princípios dos CP são igualmente aplicáveis desde o início da evolução da doença, em associação com um tratamento antineoplásico. A prática diária dos cuidados paliativos contempla as necessidades de cada doente, o que terá de ser estimado sob uma cuidadosa avaliação. Os profissionais de saúde têm necessariamente de acompanhar o ponto de vista das prioridades desenvolvidas nos doentes com cancro avançado, devendo empenhar-se em acompanhar realidades que possam ter como ganho uma qualidade de vida funcional.
A avaliação das necessidades de cada doente tem obrigatoriamente que incluir a história da vida pessoal, os valores e expectativas, co-morbilidades, caracterização total da doença.
Descriminando os objectivos a atingir, podemos descrever como alvos definidos:
– Controlar os sintomas físicos, psíquicos e aliviar o sofrimento.
– Manter a autonomia das pessoas em fim de vida o maior tempo possível.
– Prestar cuidados globais através de uma abordagem interdisciplinar.
– Apoiar a família e envolver os doentes e familiares no processo de tomada de decisões.
– Flexibilizar os horários de cuidados.
– Promover disponibilidade para reunião/entrevista familiar.
– Colher dados e participar registos disponibilizando-os para articulação em equipa.
Esta prática deve basear-se num conhecimento de objectivos éticos na abordagem de doentes com cancro avançado, num conhecimento ajustado do controlo sintomático, mas também favorecendo factores e estratégias preventivas contra o burn-out dos profissionais de saúde.
Na organização dos recursos, requere-se, como premissa elementar, que os cuidadores sejam elementos que tenham escolhido livremente o trabalho em CP. Idealmente, as equipas que praticam cuidados paliativos deverão ter uma formação sólida na área técnica a par de qualidades de altruísmo, tolerância, capacidade de escuta, equilíbrio psíquico e emocional, maturidade, e deverão estar habilitados a promover uma boa comunicação.

cuidados paliativos imagem grande 180x180 - Cuidados Paliativos (CP) e Tratamento da Dor

Cuidados Paliativos (CP) e Tratamento da Dor

A medicina paliativa, no seu esforço académico actual, tem duas prioridades bem definidas. A primeira é a que diz respeito à expansão do conhecimento no controlo sintomático (tal como a abordagem da dor refractária intratável e outros sintomas relacionados com o cancro), a segunda diz respeito à transferência do conhecimento e à investigação em inovação da educação (nomeadamente no que tem a ver com a formação para a percepção do sofrimento e da morte, etapa essencial para o desenvolvimento do conceito de vida com dignidade).
Os cuidados paliativos, segundo a OMS (2002), começariam quando a cura já não é possível e definem-se como uma resposta activa aos problemas decorrentes da doença prolongada, incurável e progressiva, na tentativa de prevenir o sofrimento que ela gera e de proporcionar a máxima qualidade de vida possível a estes doentes e suas famílias.
São cuidados de saúde activos, rigorosos, que combinam ciência e humanismo.
Numa perspectiva mais recente pretende-se uma integração desde o início do diagnóstico da doença oncológica, num sentido cooperativo muito mais precoce. As perspectivas de mudança das necessidades dos doentes em diferentes fases da sua trajectória da doença obrigam a inter-relacionar conceitos de “terapêutica de suporte”, “cuidados paliativos” e “cuidados em fim de vida”.
As infra-estruturas organizacionais da prática de excelência destes cuidados requerem cooperação e coordenação com médicos de outras áreas (incluindo radioterapia, cirurgia, fisiatras, psico-oncólogos, anestesistas de unidade de dor e medicina paliativa bem como profissionais de enfermagem, assistência social, psicologia, terapeutas ocupacionais, agentes da pastoral, e outros.