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pancreatite cronica 2 180x180 - Teste de Diagnóstico da Função Exócrina do Pâncreas

Teste de Diagnóstico da Função Exócrina do Pâncreas

—> Directos:
• Secretina – colecistoquinina (CCK): é o gold standard da função pancreática com sensibilidade de 90%. E um teste caro e de difícil aplicação prática.
• O teste de Lundh – é uma refeição standard mais fisiológica, de menor custo mas menos sensível e não mede os bicarbonatos.
• Teste endoscópico da secretina.
• Secretina – CPRM (colangiopancreatografia por ressonância magnética): sensibilidade de 69% e especificidade de 90%.
—> Indirectos:
• Pancreolauryl test – sensibilidade 51% na insuficiência ligeira: sensibilidade 82% na insuficiência moderada; sensibilidade 91% na insuficiência grave.
• Testes fecais – elastase; quimiotripsina; doseamento das gorduras fecais.
• Testes respiratórios – dióxido de carbono exalado; sensibilidade 46% na insuficiência ligeira; sensibilidade 92-100% na insuficiência grave.

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Conclusões (Pancreatite Crónica)

—> O álcool é a principal causa de PC nos países ocidentais e a abstinência está associada a melhor prognóstico.
—» O intervalo de tempo entre os primeiros sintomas e o diagnóstico não se alterou significativamente nos últimos 15 anos.
—> O diagnóstico de PC é resultado da combinação da clínica, imagiologia (CPRM, CPRE, EUS) e testes da função exócrina e endócrina do pâncreas.
—> A terapêutica é restrita ao controlo da sintomatologia, porque não há terapêutica para as causas da doença.
—> A endoscopia terapêutica (CPRE e EUS) tem aumentado as indicações e níveis de intervenção no tratamento das complicações da PC.
—> As técnicas minimamente invasivas, bloqueio do plexo celíaco e esplancnicectomia por toracoscopia, no controlo da dor na PC, necessitam de maior aceitação e confiança dos gastrenterologistas e cirurgiões, para uma utilização mais generalizada.
—> A cirurgia continua a ser a principal indicação no tratamento da dor “intratável”.
—» A PC está associada com uma considerável mortalidade devido às complicações da doença, hábitos e factores socioeconómicos.

Small cell lung cancer   cytology 180x180 - Síndrome de Secreção Ectópica de ACTH

Síndrome de Secreção Ectópica de ACTH

Corresponde a cerca de 15% das causas ACTH dependente. Verifica-se normalmente um aumento substancial do tamanho da SR que pode atingir 25 a 50 gramas.
A síndrome de secreção ectópica de ACTH está associada ao carcinoma de pequenas células do pulmão, brônquico, pâncreas, tumores carcinóides (timo, pulmão, pâncreas, intestinos, ovário), carcinoma medular da tiroideia e feocromocitoma.
Apesar dos níveis elevados de corticosteróides que se podem verificar, muitas vezes não há sintomas relacionados com o hipercortisolismo, provavelmente devido ao início agudo da doença. Estes sintomas muitas vezes limitam-se a fraqueza muscular, hiperpigmentação, HTA, hipocaliemia e alteração do metabolismo da glicose.
Caracteristicamente, estes doentes apresentam níveis extremamente elevados de ACTH, cortisol e de androgénios da SR.
O tratamento eficaz normalmente só é possível nos casos em que o tumor inicial é benigno, como nos casos de carcinóide brônquico ou feocromocitoma.
Nos carcinomas malignos, o tratamento da doença subjacente muitas vezes não melhora o hipercortisolismo e, assim, opta-se pelo tratamento com cetoconazol ou metirapona para diminuir o hipercortisolismo.

cancerdepancreas 180x180 - Cancro do Pâncreas

Cancro do Pâncreas

O risco de cancro do pâncreas é cerca de 2 a 4% aos 10 e 20 anos respectivamente, após o diagnóstico de pancreatite crónica.
A CPRE associada à TC tem demonstrado ser o método mais eficaz no diagnóstico diferencial entre PC e cancro do pâncreas. No entanto, na prática clínica é muito difícil confirmar o diagnóstico de cancro. A citologia esfoliativa (CPRE) e a PAF (EUS) não têm correspondido às expectativas e, por este motivo, tem havido uma tendência crescente na indicação para ressecção cirúrgica em caso de dúvida.

pancreatite cronica 1 180x180 - Pancreatite Crónica

Pancreatite Crónica

Define-se PC (pancreatite crónica) como uma doença inflamatória crónica, progressiva, com repercussões morfológicas e destruição gradual das funções exócrina e endócrina do pâncreas.
A principal causa de PC nos países ocidentais é o álcool (70 a 80%), enquanto nos países asiáticos, como a índia, é a subnutrição. A PC idiopática é observada em cerca de 17% dos casos e a PC hereditária em cerca de 6%. A PC nas crianças é rara e na maioria dos casos a causa é uma variação anatómica, o pâncreas divisum.

ultrassonografia 3 180x180 - Diagnóstico Imagiológico (Pancreatite Aguda)

Diagnóstico Imagiológico (Pancreatite Aguda)

A ultra-sonografia abdominal é mandatória nos doentes com suspeita de pancreatite aguda apesar de, em cerca de 50% dos casos, não se visualizar o pâncreas em toda a sua extensão devido à interposição gasosa. No entanto, tem a vantagem de ser um exame não invasivo, de ter um baixo custo e de poder ser realizada à cabeceira do doente. Os mais importantes achados ecográficos estão relacionados com a presença de litíase na via biliar e também da presença de litíase vesicular. Na pancreatite interstícia vai-se observar uma diminuição da ecogenicidade pancreática e um aumento difuso da glândula devidos à presença de edema. Na pancreatite necrosante, a ecogenicidade é heterogénea devido à presença de áreas focais de hemorragia e de necrose e o processo inflamatório extende-se para além da glândula, podendo existir líquido livre intraperitoneal.
A tomografia computorizada (TC) é um exame de acesso mais difícil e de maior custo, mas tem a vantagem de poder excluir outras situações de dor abdominal, nomeadamente a perfuração de úlcera péptica e a isquemia mesentérica. Pode igualmente ser útil nos casos duvidosos que cursem com amilasemias normais.
A administração e.v. de contraste em bolus durante a realização da TC permite detectar a extensão da necrose pancreática que constituiu um indicador importante da gravidade da pancreatite com implicações no prognóstico e na estratégia do tratamento. Combinando o score das alterações tomográficas com o score da percentagem de necrose pancreática, Balthazar e colaboradores estabeleceram um índice de Gravidade por TC. Doentes com o índice 0-1 não apresentam morbilidade nem mortalidade, enquanto nos que apresentam um índice de 7-10, a mortalidade é de 17% e a morbilidade é de 92%.
A realização da TC vai permitir igualmente a detecção de outras complicações, nomeadamente: colecções líquidas pancreáticas, abcessos pancreáticos, lesões vasculares, lesões do tubo digestivo ou dos órgãos sólidos vizinhos (fígado, baço, rim).

pancreatite 180x180 - Pancreatite Aguda

Pancreatite Aguda

A primeira reunião internacional para a classificação de pancreatites ocorreu em 1963 em Marselha, classificando-se as alterações inflamatórias do pâncreas em duas categorias distintas, as pancreatites agudas e as pancreatites crónicas M. Esta distinção, que tem como base alterações morfológicas e funcionais do pâncreas, está limitada pela dificuldade em obter amostras de tecido pancreático. No entanto, classificam-se as pancreatites em agudas quando há restituição integral das alterações pancreáticas após a fase aguda da doença e em crónicas quando as lesões pancreáticas persistem e podem até progredir mesmo após a eliminação do agente causal. Esta distinção entre pancreatites agudas e crónicas pode não ser fácil sobretudo nas fases iniciais da doença.
Em 1992 em Atlanta, definiram-se vários critérios relacionados com a pancreatite aguda, entre eles o de pancreatite aguda grave, que se definiu como sendo um processo inflamatório agudo associado a complicações locais (necrose, abcesso ou pseudoquisto) e/ou insuficiências de outros órgãos.
A pancreatite aguda resulta de um processo de autodigestão causado pela activação prematura dos zimogenos em enzimas proteolíticas com a consequente lesão do pâncreas, contudo os mecanismos fisiopatológicos envolvidos nesse processo não estão ainda totalmente esclarecidos.