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doenca de parkinson 180x180 - Parkinsonismo

Parkinsonismo

A síndrome de Parkinson ou parkinsonismo é composta pela associação dos sintomas/sinais cardinais: tremor de repouso, rigidez (hipertonia tipo roda dentada), bradicinesia e instabilidade postural. A execução de movimentos finos está também habitualmente comprometida. A distinção entre as várias doenças que cursam com parkinsonismo (por exemplo, doença de Parkinson (DP), parkinsonismo iatrogénico, parkinsonismo vascular, atrofia olivopontocerebelosa, degenerescência nigro-estriada, paralisia supranuclear progressiva, degenerescência corticobasal) é feita pela existência concomitante de outros sinais. Cerca de 2/3 dos doentes que se apresentam inicialmente com os sintomas cardinais têm DP.

mal parkinson 2 180x180 - Degenerescência Corticobasal

Degenerescência Corticobasal

—> Etiologia – degenerescência seletiva do córtex cerebral (frontal e parietal) e do estriado, de causa não esclarecida.
—> Sintomatologia – o quadro de parkinsonismo associa-se habitualmente a três sinais que fazem suspeitar do diagnóstico: mioclonias, apraxia ou défice de sensibilidade cortical (frequentemente assimétrico) e distonia segmentar.
—> Diagnóstico – as mioclonias e a apraxia fazem suspeitar do diagnóstico. A TC/RM pode mostrar atrofia dos lobos frontais e parietais, geralmente assimétrica.
—> Terapêutica – a L-DOPA é geralmente ineficaz, estando descrito agravamento da distonia com a L-DOPA. As mioclonias geralmente não respondem ao valproato de sódio, e o clonazepam é o único medicamento eficaz (0,5 mg bid até 4 mg tid), em mais de 30% dos casos, embora com taquifilaxia (perda de eficácia com o tempo).

dsc03054 180x180 - Paralisia Supranuclear Progressiva

Paralisia Supranuclear Progressiva

—> Etiologia – lesão primária multifactorial que desencadeia atrofia progressiva dos núcleos subtalâmicos, mesencéfalo e protuberância.
—> Sintomatologia – além do parkinsonismo de predomínio axial, surge precocemente paralisia dos movimentos oculares verticais (o mais importante e precoce é a infradução), seguida de disfagia, disartria, disfonia e sinais piramidais.
—» Diagnóstico – a paralisia dos movimentos oculares verticais faz suspeitar do diagnóstico. A TC/RM pode mostrar em fases avançadas o “sinal do colibri”: atrofia pedúnculo-pôntica.
—> Terapêutica – ao contrário da MSA, a L-DOPA quase não tem eficácia (6%) e apenas no primeiro ano pós-diagnóstico. A amantadina (100 mg id até 100 mg tid) e a amitriptilina (10 mg id até 10 mg tid) podem melhorar a disfagia e até a marcha, mas apenas de forma ligeira. A terapêutica não farmacológica, nomeadamente a gastrostomia endoscópica percutânea, é fundamental para evitar o sofrimento e emaciação pela disfagia e a morte por pneumonia de aspiração, sendo a abordagem terapêutica isolada que mais pode melhorar a qualidade de vida do doente, se efetuada precocemente.

mal parkinson 3 180x180 - Atrofia de Sistemas Múltiplos ou Atrofia Multissistémica (MSA)

Atrofia de Sistemas Múltiplos ou Atrofia Multissistémica (MSA)

—> Etiologia – a MSA inclui duas variantes: variante atrofia olivopontocerebelosa (MSA-OPCA); variante degenerescência nigro-estriada (MSA-SND).
—> Sintomatologia – MSA-OPCA: parkinsonismo com ataxia (da marcha, apendicular) e disartria em 97% dos casos. A disfagia, disautonomia e demência ocorrem tardiamente (5-10 anos). MSA-SND: parkinsonismo com grande predomínio de rigidez axial com quedas e compromisso disautonómico, em maior ou menor grau, como queixas iniciais.
– Diagnóstico – MSA-OPCA: a presença de sinais cerebelosos faz suspeitar do diagnóstico. A TC/RM revela atrofia acentuada da protuberância e cerebelo desde o segundo ano de doença. MSA-SND: a RM demonstra, tardiamente, deposição de metais pesados no estriado.
– Terapêutica – A L-DOPA tem eficácia ligeira a moderada no alívio do parkinsonismo, sobretudo da rigidez, durante 2-3 anos, em média. Na MSA-OPCA, e concretamente no tratamento da ataxia, têm sido usados outros medicamentos (L-5-HO-triptofano, buspirona, valproato de sódio) com resposta clínica medíocre. Na MSA-SND, a L-DOPA não melhora a marcha e pode até agravar a disautonomia, para a qual não existe terapêutica comprovada. Em casos pontuais há benefício ligeiro com a domperidona (de 10 a 60 mg tid) e com a fludrocortisona (de 0,1 a 0,6 mg/dia).

mal parkinson 2 180x180 - Parkinsonismo Iatrogénico

Parkinsonismo Iatrogénico

—> Etiologia – todos os fármacos com ação antidopaminérgica (neurolépticos, antieméticos, antivertiginosos), alguns antidepressivos (SSRI, trazodone), os bloqueadores dos canais de cálcio com acção central (flunarizina, diltiazem) e os expoliadores sinápticos (reserpina, tetrabenazina) podem provocar uma síndrome parkinsónica.
Mais raramente outros medicamentos também podem causar tremor ou rigidez, como os antiepilépticos, os P-miméticos ou os corticosteróides.
—> Sintomatologia – semelhante à DP, mas geralmente o quadro é simétrico.
—> Diagnóstico – história farmacológica, com pesquisa de interações e terapêutica anterior imprescindível. A existência de relação temporal, e se possível desaparecimento ou variação do sintoma após suspensão do medicamento facilitam ou fazem o diagnóstico.
—> Terapêutica – deve seguir os procedimentos que indicamos:
• Desmame do agente iatrogenizante até dose mínima tolerável.
• Adição de anticolinérgico (risco: alucinações).
• No caso de ser necessário manter os neurolépticos, usar os antipsicóticos com baixa ação extrapiramidal (por exemplo, clozapina, olanzapina, rísperidona, quetiepina).