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Epilepsia

Crises epilépticas são manifestações clínicas estereotipadas (alterações de comportamento e/ou consciência) que resultam de descargas espontâneas e anómalas de neurónios encefálicos. Esta atividade, paroxística, é geralmente intermitente e autolimitada.
A recorrência das crises (duas ou mais) é a característica fundamental da epilepsia.
A prevalência em Portugal é de 4-8:1000 e a incidência anual é de cerca de 50/100000 com picos no primeiro ano de vida e depois dos 60 anos de idade. A taxa de mortalidade global é elevada (cerca de 2/100); em 25% dos casos, a causa está relacionada com as crises (estado de mal, lesão acidental, morte súbita).

parkinson 180x180 - Características clínicas (Distonias)

Características clínicas (Distonias)

—> Características clínicas – podem definir-se vários tipos de distonia dependendo dos fatores precipitantes, duração, sinais acompanhantes e resposta à terapêutica.
• Distonia com resposta à dopa (doença de Segawa) é uma forma de distonia de predomínio diurno acompanhada habitualmente de sinais parkinsónicos (familiar ou esporádica) e com excelente resposta à levodopa.
• Distonia mioclónica apresenta movimentos mioclónicos para além da distonia, tem início nas primeiras duas décadas de vida, com um envolvimento preferencial dos membros superiores e metade superior do corpo.
• Distonia paroxística cinesigénica apresenta-se como episódios distónicos de curta duração (menos de 5 minutos) desencadeados por movimentos súbitos ou ruídos.
• Distonia paroxística não cinesigénica (ou coreoatetósica) caracterizada por episódios distónicos com a duração de 2 minutos a 4 horas.

Fotolia 45724287 ECG 180x180 - Taquicardia Paroxística Supraventricular

Taquicardia Paroxística Supraventricular

As taquicardias paroxísticas supraventriculares constituem um grupo heterogéneo a que foi dado este nome genérico e incluem taquicardias com complexos estreitos e intervalos R-R regulares. Incluem a taquicardia de reentrada nodal AV e a taquicardia de reentrada AV por via anómala oculta ou manifesta, com condução anterógrada pelo nódulo AV e retrógrada pela via anómala (taquicardia ortodrómica), podendo ainda confundir-se no ECG de superfície com as taquicardias auriculares.
As frequências presentes oscilam entre 150-250/minuto, na maior parte dos casos entre 180-200/minuto, podendo, no entanto, ser superiores a 250 ou inferiores a 110. A onda P está muitas vezes integrada no QRS e não é por isso visualizável, embora possa surgir logo a seguir ao mesmo, com um pequeno entalhe.
Na taquicardiade de reentrada nodal AV existe dualidade de condução ao nível do nódulo AV, estando presentes duas vias de condução (slow e fast pathways) com velocidades de condução e refractoriedades diferentes, proporcionando que uma extrassístole possa desencadear a arritmia que se perpetua por um mecanismo de reentrada entre estas duas vias. A modalidade slow fast é a mais comum, em que a condução anterógrada é pela “via lenta” e a condução retrógada pela “via rápida”.
Este tipo de disritmia é benigna, ocorre frequentemente em doentes sem patologia orgânica subjacente, mas pode levar a crises anginosas, agravamento de insuficiência cardíaca ou mesmo síncope se a frequência for excessivamente elevada. O prognóstico sem doença estrutural associada é geralmente bom.
O tratamento pode ser feito com manobras vagais (Valsalva, massagem do seio carotídeo, imersão da face em água fria). Após estas medidas, a adenosina (6-12-18 mg e.v. em bolus rápido seguido de flush com soro) é a droga de eleição. O verapamil (5-10 mg e.v.) ou o diltiazem (0,25-0,35 mg/kg e.v.) constituem fármacos opcionais em caso de insucesso ou de recorrência imediata. Também os (bloqueantes podem ser usados com sucesso, em particular os de ação rápida como o esmolol (50-200 mg/kg/minuto) ou o propranolol (1-3 mg e.v.).
Em caso de instabilidade hemodinâmica, a opção pela cardioversão elétrica sincronizada pode ser contemplada, mas é excecional dada a rapidez de ação da adenosina. Cargas baixas, na ordem dos 20-50 J, são normalmente suficientes para converter a disritmia.
Para prevenção das recorrências pode usar-se P-bloqueantes ou verapamil. Em alternativa também as drogas de classe IC e III podem ser utilizadas.
A ablação com energia de radiofrequência constitui terapêutica de 1ª linha como alternativa aos fármacos, apresentando taxas de cura superiores a 95% e risco de BAV como complicação do procedimento inferior a 1%, pelo que é uma excelente opção em doentes jovens, com crises frequentes ou mal toleradas e que não desejem terapêutica farmacológica crónica.
Nas taquicardias de reentrada AV pela presença de via anómala, existe uma via acessória de condução AV ao nível do anel mitral ou tricúspide, que pode apenas conduzir retrogradamente (vias ocultas – sem expressão no ECG basal) ou anterogradamente e retrogradamente (vias manifestas – padrão de pré-excitação ventricular no ECG). Estas taquicardias incluem a variante ortodrómica (mais frequente, de complexos QRS estreitos) em que a condução anterógrada é feita pelo nódulo AV e a condução retrógrada pela via anómala e a variante antidrómica (rara), em que a condução se faz no sentido oposto e em que os complexos QRS são alargados dado que a ativação ventricular é excêntrica por ser feita exclusivamente pela via anómala (ver síndomes de pré-excitação ventricular). Pode suspeitar-se de taquicardia ortodrómica quando temos uma taquicardia com complexos estreitos e um P invertido após o QRS, normalmente com um intervalo RP>PR. As frequências são habitualmente superiores às da reentrada nodal (>200/minutos), mas existe uma grande sobreposição em ambos os casos. O tratamento desta disritmias é semelhante ao da reentrada nodal, bem como os fármacos para prevenção das recorrências. A ablação com energia de radiofrequência é também neste caso curativa, de baixo risco e com excelente taxa de sucesso, pelo que é o tratamento de eleição em alternativa à terapêutica antiarrítmica.