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Medidas Gerais a Implementar em Caso de Exposição Acidental

Após a exposição da pele, deve-se lavar o local do contacto com água e sabão, evitando utilizar substâncias abrasivas (lixívia, antissépticos). Em caso de exposição das mucosas, deve-se lavar o local com água corrente ou soro fisiológico durante cerca de 2 minutos.
O sangramento natural das feridas deve ser mantido até à coagulação, mas sem espremer, nem elevar o local, nem realizar outras manobras que possam facilitar a entrada em circulação dos agentes infecciosos. Os detalhes do acidente devem ser registados e considerada a necessidade de obter sangue para testes serológicos (VIH, AgHBs, anti-VHC, VDRL, de acordo com o tipo de exposição).

nasty earwax crumbles 2 180x180 - Rolhão de Cerúmen

Rolhão de Cerúmen

A presença de cerúmen no CAE é normal e necessária para a hemostase e integridade da pele.
A produção excessiva de cerúmen ou o uso de cotonetes que o empurram podem levar à formação de um rolhão, que cursa normalmente com hipoacusia e otalgia. O rolhão pode ser retirado com gancho de cerúmen sob visualização directa, ou com lavagem auricular após colocação de gotas otológicas para liquefacção do cerúmen. A presença de perfuração timpânica ou a história de otites externas de repetição contra-indicam a lavagem auricular e o uso de gotas otológicas.

Disidrose 180x180 - Terapêutica Inespecífica (Eczemas de Causa Externa)

Terapêutica Inespecífica (Eczemas de Causa Externa)

O tratamento geral dos eczemas assenta nas regras já enunciadas para o EA: eliminação dos factores desencadeantes (irritativos e/ou alérgicos), calmar a pele, hidratar.
-> A eliminação dos factores desencadeantes, quer sejam irritativos, quer sejam alérgicos, é fundamental. Nas dermites alérgicas a identificação do alergénio pelas provas epicutâneas deve conduzir à informação do paciente sobre as fontes de possível contacto e modo de as evitar. De igual modo, nas dermites irritativas, o doente deve ser instruído sobre a melhor forma de se proteger das agressões a que está sujeito (solventes, detergentes, produtos de limpeza, etc). Este passo assume primordial importância nos eczemas das mãos, expostas que estão a múltiplas agressões profissionais, ocupacionais, de higiene ou de lazer.
A aplicação de substâncias suaves e calmantes é muito importante nos eczemas agudos; como regra deverá ter-se em conta que, quanto mais inflamatória e exsudativa for a dermatose, mais suave deve ser o tratamento. Nesta fase a aplicação repetida de pensos húmidos com soro fisiológico ou com soluto de ácido bórico (20:1000), de linimento de óxido de zinco (óleo de zinco), de suspensões ou emulsões com maior conteúdo em água (emulsões O/A) é o que está indicado.
Os hidratantes e os emolientes contribuem para a recuperação funcional da pele.
Devem ser utilizados regular e frequentemente, de acordo com a necessidade e com a área a tratar. Na pele das mãos recomenda-se a aplicação múltiplas vezes ao longo do dia, enquanto noutras áreas pode ser suficiente 1 ou 2xdia.

desvio septo nasal 180x180 - Vestibulite Nasal

Vestibulite Nasal

Infecção da pele do vestíbulo nasal habitualmente por Staphylococcus pyogenes. O tratamento deve ser feito com flucloxacilina sistémica e antibioterapia tópica.

SDC11634 180x180 - Tratamento II (Vitiligo)

Tratamento II (Vitiligo)

A associação da fototerapia com outras terapêuticas, em especial com os corticoides tópicos ou com os inibidores da calcineurina, parece ter um efeito superior à fototerapia ou tópicos utilizados isoladamente.
– Despigmentação – se mais de 50% da superfície cutânea está atingida, a despigmentação da pele não afectada pode ser ponderada. Contudo, o agente despigmentante utilizado, o monobenzil éter de hidroquinona, que destrói irreversivelmente os melanocitos, não existe actualmente no mercado.
-Terapêutica cirúrgica – várias técnicas cirúrgicas têm sido desenvolvidas como meio de colocar na pele com vitiligo melanócitos funcionais produtores de melanina. Nelas se incluem os minienxertos, enxertos de pele total e enxertos de bolhas epidérmicas.
O transplante de melanócitos autólogos provenientes de cultura in vitro parece ser também promissor. O recurso a estas técnicas só é feito em casos de vitiligos estáveis e recalcitrantes às terapêuticas médicas, e em centros dermatológicos particularmente vocacionados para o efeito.
– Tratamentos alternativos – vários tratamentos alternativos ou experimentais têm sido propostos. São de referir a L-fenilalanina oral associada a UVA, eficaz no vitiligo infantil, a kelina oral ou tópica associada a UVA ou a radiação solar, a melagenina tópica associada a radiação solar ou a infravermelhos e a pseudocatalase tópica e cálcio associados a UVB. A utilização de ervas medicinais chinesas carece de confirmação científica. Áreas de vitiligo particularmente recalcitrantes podem ser tatuadas com micropigmentos permanentes.

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Tratamento (Escabiose)

Benzoato de benzilo em solução – é aplicado em toda a superfície corporal. A solução deve permanecer em contacto com a pele durante 24 horas, aconselhando-se a aplicação duas a três noites consecutivas. Eventualmente, poderá repetir-se o tratamento 1 semana depois. Este fármaco tem efeito irritativo na pele, pelo que o doente deve ser avisado para não manter a aplicação para além do período estipulado pelo médico.
—> Permetrina 5% em creme é utilizado numa única aplicação, em todo o tegumento cutâneo, devendo lavar-se ao fim de 8-12 horas.
—> Crotamitona a 10% em creme. Deve aplicar-se durante vários dias consecutivos, uma vez que a sua acção escabicida é limitada.
—> O lindano 1% (hexacloridrato de ciclo-hexano ou gamabenzeno) em loção ou creme ou o malatião 0,5% em solução aquosa, outrora disponíveis e de extrema eficácia, foram entretanto retirados do mercado, devido a potenciais efeitos neurotóxicos.
Os escabicidas devem ser aplicados em toda a superfície corporal, excepto cabeça e pescoço. Nas crianças com menos de 3 anos, estas regiões não devem ser poupadas.
Todos os membros do agregado familiar e as pessoas com contacto físico com o doente devem efectuar simultaneamente o tratamento, mesmo que não tenham sintomas.
No final do tratamento, o doente deve efectuar banho de limpeza e as roupas interiores e do leito devem ser esterilizadas (escaldadas ou lavadas a alta temperatura na máquina).
Após o tratamento correcto da escabiose o prurido pode persistir por mais de 1 semana (prurido pós-escabiótico), cuja causa é a hipersensibilidade aos ácaros mortos e às suas fezes. Em doentes atópicos e com prurido muito intenso pode ser necessário utilizar corticosteróides tópicos e/ou sistémicos por período curto.
Os nódulos escabióticos podem persistir durante semanas após o tratamento correcto da escabiose. O tratamento é feito com corticosteróides potentes tópicos ou intralesionais.

sarcoptes galerias 180x180 - Escabiose

Escabiose

A escabiose (ou sarna) é uma doença parasitária causada pelo Sarcoptes scabiei, que vive e se multiplica apenas na pele humana. Penetra na pele pouco depois do contacto e escava galerias. A fêmea escava durante a noite e põe ovos durante o dia. Vive 4-6 semanas e põe 40-50 ovos, que eclodem ao fim de 72 a 96 horas.
O ácaro transmite-se por contacto directo com o parceiro sexual, com outros membros do agregado familiar, durante brincadeiras infantis, ou para o pessoal da saúde que trata doentes infestados. Pode ainda transmitir-se, indirectamente, através de roupas infestadas, pois os ácaros podem permanecer vivos nas roupas e leitos mais de 2 dias.
A institucionalização (lares da 3.ª idade, orfanatos, camaratas, etc.) constitui factor de risco para a escabiose.

Pityriasis versicolor frontal retouche 180x180 - Pitiríase Versicolor

Pitiríase Versicolor

A pitiríase versicolor tem como agente causal fungo leveduriforme anteriormente designado Malassezia furfur, mas que na taxonomia actual se designa de Malassezia globosa. Este fungo lipofílico é habitual na pele de grande parte da população saudável.
A semelhança do que acontece com a candidíase, a infecção surge quando o fungo se torna patogénico, sendo o seu desenvolvimento influenciado pela exposição excessiva e prolongada à radiação solar, pela temperatura ambiente, pela transpiração e pelo uso de vestuário.
As lesões localizam-se preferencialmente no tronco e membros superiores; nas crianças, a orla do cabelo pode ser atingida. São, em regra, manchas de contornos bem delimitados, com tendência para a confluência e de superfície descamativa, furfurácea, com escassa sintomatologia acompanhante. A cor das manchas pode variar no mesmo indivíduo, sendo frequentes as manchas hipopigmentadas, alternando com as de tom castanho e as eritematosas. O prurido é, em regra, inexistente ou discreto.
A passagem do fungo da fase comensal para a fase parasitária causadora da doença depende, para além dos factores ambientais, de factores individuais que predispõem à recidiva frequente da doença.

Human tongue infected with oral candidiasis 180x180 - Candidíase

Candidíase

A candidíase cutânea tem como agente mais comum a Cândida albicans, fungo comensal do homem, presente no tubo digestivo e noutras mucosas, como a vaginal. A infecção surge quando o fungo passa de comensal a patogénico, sendo o seu desenvolvimento favorecido por múltiplos factores (por exemplo, diabetes mellitus).
Na pele, as lesões elementares são pápulo-vesículas, de localização preferencial nas pregas cutâneas (inguinais, axilares, inframamárias, interglúteas e umbigo), com tendência para a confluência em áreas de cor vermelho-vivo, exsudativas, com acentuada sensação de ardor e prurido.
Consoante a localização, a candidíase cutânea assume aspectos clínicos particulares, de que são exemplo a “boqueira” ou rágada e a perioníquia.
As mucosas mais comummente atingidas na infecção superficial candidiásica são a mucosa oral (sobretudo em crianças), com a ocorrência de monilíase ou “sapinhos” – pápulas brancas, confluentes e aderentes que, ao serem destacadas, revelam superfície vermelha e sangrante – e a mucosa vaginal, com lesões semelhantes às da mucosa oral, com aspecto exsudativo, cor vermelho-vivo, ponteado branco e corrimento de cor clara, arejado e acompanhado de sensação de ardor e prurido intensos. A balanite ou balanopostite cursa com lesões e sintomatologia semelhantes às descritas anteriormente, salientando-se o eritema vermelho-vivo da glande.

Wart filiform eyelid 180x180 - Verrugas Virais

Verrugas Virais

As verrugas são lesões da pele e mucosas adjacentes produzidas pelo vírus do papiloma humano (VPH) de que se conhecem mais de 100 genótipos. Há alguma relação entre estes tipos virais e a localização, morfologia e evolução das lesões.
Existem várias formas clínicas que se distinguem pela localização e/ou morfologia, podendo classificar-se em três subgrupos principais – cutâneas, anogenitais/mucosas e enidermodisplasia verruciforme (EV).
As verrugas cutâneas podem assumir diversos tipos:
—» Verrugas vulgares – lesões salientes, de superfície rugosa, por vezes espiculada, em regra com poucos milímetros de diâmetro. Podem agrupar-se e localizam-se em qualquer ponto da pele, mas têm predilecção por algumas áreas como o dorso das mãos, dedos, dorso dos pés, joelhos, cotovelos e couro cabeludo.
—> Verrugas periungueais – semelhantes às verrugas vulgares, localizam-se em volta das unhas e são frequentes em indivíduos com o hábito da onicofagia.
-> Verrugas planas – discretamente salientes, têm superfície plana, cor acastanhada e dimensões inferiores às anteriores. Aparecem na face, pescoço, dorso das mãos e joelhos. Nalguns casos distribuem-se ao longo de escoriações lineares.
—> Verrugas filiformes – longas, finas e implantadas numa base minúscula, observam-se
na face e pescoço.
—> Verrugas plantares – têm o aspecto de pequena formação córnea encastoada na planta
do pé, sobretudo nas áreas de pressão. São dolorosas e frequentemente confundidas
com calosidades.
As verrugas anogenitais serão reportadas no capítulo sobre condilomas. Outras mucosas, porém, tais como a boca e as vias respiratórias podem ser atingidas.
A EV é uma afecção hereditária rara (autossómica recessiva) caracterizada por défice imunitário associado a infecção crónica com VPH, que se inicia, em regra, na infância, com o aparecimento de verrugas múltiplas disseminadas, de diversas variantes clínicas, com predomínio nas áreas expostas, em especial mãos e antebraços. Os tipos 5 e 8, frequentemente envolvidos, têm potencial oncogénico.
A infecção com o VPH faz-se através de soluções de continuidade traumáticas da parte superior da epiderme, maceração, ou ambas, como acontece nos pés de frequentadores de piscinas, nas regiões periungueais em pessoas com o hábito de “roer as unhas”, em crianças que “chucham” nos dedos, nas áreas barbeadas, em profissões que mantêm as mãos molhadas por períodos prolongados e nas mucosas genitais, especialmente quando há exsudação persistente que leva à maceração. A infecção é favorecida por estados em que a imunidade está deprimida, como acontece em transplantados submetidos a terapêutica imunossupressora e doentes infectados com o vírus da imunodeficiência humana.
O período de incubação pode variar entre 1-12 meses, em média 2-3 meses.
A idade de maior prevalência das verrugas vulgares é entre os 12 e os 16 anos, mas observam-se, com frequência variável, em todos os grupos etários.
Embora a maioria das infecções pelo VPH estejam associadas com lesões benignas, um pequeno número sofre transformação maligna. Tal pode verificar-se sobretudo na EV e, mais esporadicamente, em duas outras situações: no colo do útero e nos condilomas genitais gigantes.