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Tratamento da hipertensão arterial 1361863427 74 180x180 - Prevenção e Terapêutica não Dialítica

Prevenção e Terapêutica não Dialítica

O primeiro passo na prevenção é identificar os doentes com risco aumentado de AKI e intervir preventivamente, otimizando a volemia/perfusão sanguínea renal e removendo sempre que possível os agentes nefrotóxicos potenciais.
São inúmeros os estudos negativos, de drogas promissoras em conceito, ou na experimentação animal e que somaram desilusões em estudos clínicos nem sempre bem desenhados. Entre os fracassos testados, quer em prevenção, quer na terapêutica, e por conseguinte não recomendados na prática clínica, contam-se, entre outros: 1) os diuréticos de ansa, como o furosemido, a utilizar por períodos curtos apenas para gestão de volume, pois aumentam o risco de agravar a lesão renal; 2) o manitol; 3) a dopamina em dose dopaminérgica, ou, como ironicamente foi chamada, em dose renal; 4) o fator natriurético auricular ANP (atrial natriuretic peptide); 5) a N-acetilcisteína; f) os fatores de crescimento, ou 6) anticorpos antimediadores inflamatórios.
No estado actual do conhecimento, o ponto forte da prevenção e terapêutica da AKI continua a ser a ressuscitação rápida e agressiva de volume, sabendo-se que o rim lesado auto-regula deficientemente, compensando mal qualquer défice na pressão de perfusão.
Apesar desta prática disseminada, não existe qualquer evidência científica robusta que estabeleça vantagem duma infusão de volume mais agressiva (fluid challenge) na prevenção ou tratamento da AKI na sépsis, por outro lado, estudos recentes recomendam moderação no uso liberal de volume no manejo de doentes críticos, que pode ser lesivo na falência pulmonar (ARDS) ou na síndrome compartimentai abdominal.
No estudo SAFE não foi encontrada nenhuma vantagem entre a albumina e as soluções eletrolíticas na melhoria da diurese, prevenção da falência de órgãos ou número de dias de diálise.
As soluções colóides, principalmente as de maior peso molecular (>450 kDa), como o HES 10% testado no estudo VISEP, contribuem potencialmente para o agravamento da AKI, por toxicidade para tubo proximal, devendo ser usados judiciosamente.
No doente adequadamente ressuscitado com volume e ainda hipotenso, a utilização de drogas vasomotoras segue as mesmas recomendações do tratamento da sépsis / FMO (falência multiorgânica). Tal como ocorre com outros vasoconstritores, com efeitos paradoxais nos doentes com sépsis, a vasopressina, que reconstitui o tónus vascular e a resposta a outras aminas vasomotoras, é uma hormona antidiurética, mas aumenta a diurese em doentes sépticos e a perfusão sanguínea no segmento renal mais vulnerável, a transição corticomedular.
A má-nutrição aumenta a morbilidade e mortalidade em doentes com AKI. Ao contrário do que se preconizou no passado, em que a dieta parentérica ou entérica era personalizada para o doente renal agudo, com restrição de volume, aumento consequente de osmolaridade e aumento do rácio calorias/proteínas, hoje em dia a disponibilidade de técnicas dialíticas diárias ou contínuas eliminou a restrição de volume e a fundamentacão subjacente à chamada “dieta renal” caiu por terra, os objetivos da nutrição ficaram semelhantes aos dos restantes doentes críticos, nomeadamente os com sépsis/FMO.
Assim, recomenda-se que o suporte nutricional se inicie tão precocemente quanto possível (<24 horas), administrado preferencialmente por via entérica, sem benefício adicional de uma suplementação parentérica concomitante, um aporte calórico cerimonioso, com cerca de 15 a 20 Kcal/kg em hidratos de carbono (reduz mediadores inflamatórios, melhora o perfil metabólico e a sobrevivência) e um mínimo de 0,8 g/kg de proteínas, dependendo do catabolismo proteico do dia anterior. A caliemia e o metabolismo ácido-base devem ser cuidadosamente monitorizado. Hoje em dia, com o fácil acesso a técnicas depurativas, a caliemia raramente constitui um problema e a acidose tem em geral como causa a hipoperfusão sistémica associada ou não a redução da metabolização hepática de lactatos. Deve ser tratada não com diálise ou bicarbonato, mas com adequada reanimação hemodinâmica e cardiovascular. De salientar que, na hipercaliemia superior a 6,5 mEq/L, enquanto se aguarda o início de uma técnica depurativa, a terapêutica apropriada é a infusão de glicose hipertónica e insulina de ação rápida, 50cc a 100cc de dextrose a 20% com 10 a 15U de insulina, monitorizando as glicemias capilares, ou, se houver alterações eletrocardiográficas de hipercaliemia, bolus de 10 ml de gluconato de cálcio a 10%, que se podem repetir cada 15 minutos se necessário. O bicarbonato não faz parte do tratamento da hipercaliemia. Para termos esperança de sucesso a curto prazo, a nossa energia terapêutica terá que incidir na sépsis e FMO, os precursores mais frequentes da AKI. O que se recomenda é agrupar em "pacotes" terapêuticas "avulsas" para as quais existe evidência científica consolidada de melhoria, mesmo que modesta, e esperar que os benefícios se potenciem. A aplicação sistemática das recomendações da Surviving Sepsis Campaign, nomeadamente o controlo urgente do foco séptico, o uso precoce e apropriado de antibióticos, a reanimação hemodinâmica segundo o early goal-directed therapy, ventilação com proteção pulmonar, controlo apertado de glicemias, uso apropriado de corticóides e de proteína C ativada, mostraram ser exequíveis e eficazes também na prevenção e terapêutica conservadora da lesão renal na sépsis. Note-se que a ênfase é colocado na execução correta de atitudes simples e padronizáveis, mas também na rapidez da sua implementação.

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Reabilitação cardíaca (Doença Cardiovascular Aterosclerótica)

A reabilitação cardíaca definida pela OMS como o “conjunto de medidas necessárias para assegurar, aos doentes cardíacos, condições física, mental e social que lhes permitam ocupar um lugar tanto quanto possível normal na sociedade a que pertencem” é parte integrante da prevenção secundária, obrigatória na abordagem terapêutica do doente coronário. O entendimento atual de um programa de reabilitação cardíaca engloba não só o exercício físico, tradicionalmente considerado como o seu elemento principal, como também a identificação e controlo dos fatores de risco presentes e o apoio psicológico, sempre que necessário. A correta aplicação deste processo multidisciplinar permite, com riscos reduzidos, aumentar a tolerância ao esforço, diminuir os sintomas isquémicos com consequente melhoria da qualidade de vida, reduzir a recorrência de eventos cardíacos e aumentar a sobrevida. Poderão ser incluídos doentes com antecedentes de EAM, doentes que foram submetidos a qualquer tipo de revascularização miocárdica, doentes com angina crónica estável ou com insuficiência cardíaca crónica não descompensada, salvaguardadas as contraindicações para a prática do exercício. A redução de medicamentos e a diminuição do número de reenfartes ou de reinternamentos, conjuntamente com uma melhor e mais rápida reinserção socioprofissional favorecem a relação custo-benefício, tornando a reabilitação cardíaca economicamente justificável.

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Prevenção Primária

A prevenção primária tem como objetivo reduzir a incidência de AVC em indivíduos sem antecedentes conhecidos de doença vascular cerebral. Para tal deve diminuir-se a prevalência dos fatores de risco na população em geral e identificar e tratar os indivíduos com fatores de risco: hipertensão arterial, diabetes, hiperlipidemia, tabagismo, alcoolismo, fibrilhação auricular não valvular e estenose carotídea.

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Prevenção dos fenómenos embólicos (Fibrilhação Auricular)

Têm indicação para anticoagulação oral todos os doentes com EM:
– e FA recorrente ou permanente.
– e episódios embólicos prévios.
– grave e com dimensão da aurícula esquerda superior a 50-55 mm no ecocardiograma.

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Prevenção (Osteoporose)

A prevenção da OP tem como objetivo a obtenção do melhor pico de massa óssea e deve ser feita desde a infância até à adultícia jovem. Embora os fatores genéticos que determinam o pico de massa óssea não possam ser modificados, é possível alterar fatores nutricionais e ambientais que também o influenciam. As medidas não farmacológicas preconizadas devem ser mantidas durante toda a vida porque ajudam também a retardar a perda de massa óssea que se inicia por volta dos 30-35 anos.
Embora na aprovação regulamentar dos fármacos com ação no osso exista uma distinção entre efeitos na prevenção da perda óssea em mulheres com DMO normal ou osteopenia e no tratamento de mulheres com OP, esta distinção não é, hoje em dia, considerada útil nem relevante na prática clínica, dada a gradual mudança de paradigma na abordagem da OP, baseada no risco fracturário.

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Anticoagulação e prática clínica

A prevenção e tratamento das doenças tromboembólicas difere conforme atinjam a circulação arterial ou venosa. A prevenção da trombose arterial passa por prevenir a aterosclerose (por exemplo, controlo da hipertensão arterial e do colesterol, reduzir o tabaco e aumentar o exercício físico). As complicações são reduzidas pelo uso dos antiagregantes plaquetários (AAS, ticlopidina ou clopidogrel).
Em relação à trombose venosa, são utilizados os anticoagulantes por via parentérica (heparina não fraccionada ou de baixo peso molecular – HBPM)) ou os anticoagulantes orais (varfarina ou acenocumarol).
Actualmente as HBPM estão recomendadas para terapêutica e profilaxia em todas as situações clínicas, talvez com a excepção da embolia pulmonar maciça.
A passagem para anticoagulação oral pode começar a ser feita ao fim de 3/4 dias de heparinas, mantendo a HBPM até os níveis de INR (ver tabela 8.1) estarem no intervalo terapêutico pelo menos em duas determinações com intervalo mínimo de 3 dias. Se a profilaxia de uma situação clínica não é urgente (por exemplo, fibrilhação auricular estabilizada), não há necessidade de fazer HBPM.
A dose inicial de varfarina a administrar pode ser de 5 mg, com excepção das pessoas idosas, doentes debilitados, com insuficiência cardíaca congestiva ou com doença hepática, em que a dose deve ser inferior. De início a monitorização deve ser feita com intervalo de 2/3 dias e após estarem estáveis sugere-se um intervalo não superior a 4 a 6 semanas.

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Prevenção das lesões gastroduodenais na utilização dos AINEs

Em termos de custo/benefício, quando se introduz uma terapêutica com AINEs, só se preconiza a prevenção de lesões erosivo/ulceradas gastroduodenais nos doentes de risco: idade superior a 60 anos, co-terapia com antiagregantes plaquetários, corticóides ou anticoagulantes, uso de doses altas de AINEs ou associação de AINEs e antecedentes pessoais de UP. Os fármacos mais rentáveis para esta prevenção são os anti-secretores, nomeadamente os IBP. Em doentes sem risco cardiovascular e com antecedentes pessoais de UP sob AINEs e que necessitem de os manter, estes podem ser substituídos pelos inibidores selectivos da COX-2. No caso destes doentes terem risco cardiovascular, pode manter-se os AINEs e associar um IBP, em terapêutica de manutenção.
A erradicação do Hp é controversa nos indivíduos sob AINEs. Nos casos da utilização de novo dos AINEs, a erradicação prévia do Hp pode ser benéfica. Nos utilizadores crónicos tal não se verifica e só se preconiza naqueles que já sofreram uma UP hemorrágica.
Mas, neste caso, a erradicação do Hp não parece ser suficiente para prevenir a recidiva ulcerada e deve associar-se um IBP, em terapêutica de manutenção.

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Estrogénios (Osteoporose)

A utilização de estrogénios para a prevenção e tratamento da OP pós-menopáusica não é actualmente considerada terapêutica de 1ª linha, dados os resultados de estudos. Embora este estudo tenha demonstrado que os estrogénios reduziam o risco fracturário, ficou também claro que os riscos de cancro da mama e cardiovascular estavam aumentados. Assim, a relação risco-benefício não é considerada vantajosa, se a decisão para iniciar estrogénios estiver apenas relacionada com o osso.
As normas internacionais recomendam a utilização de estrogenoterapia de substituição nos casos em que existam sintomas de climatério significativos. A duração da terapêutica não deve ultrapassar os 5 anos. Durante esse tempo a mulher vai beneficiar também do efeito sobre o osso.
A dose de estrogénios utilizada na prevenção é a equivalente a 0,625 mg de estrogénios equinos conjugados ou 50 jxg/dia nas formas transdérmicas. Nas mulheres que não tenham sido submetidas a histerectomia, é obrigatória a utilização conjunta de progestagénios, de forma cíclica ou contínua, para reduzir o risco de hiperplasia e cancro do endométrio.

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Prevenção das quedas (Osteoporose)

A prevenção das quedas, frequentes nos idosos, é uma das pedras basilares para a prevenção das fracturas.
Devem ser identificados os fatores de risco, intrínsecos e extrínsecos, associados às quedas e feita a sua correção.
Entre os fatores intrínsecos deve ser dada particular atenção à correção de défices de audição e de visão e à melhoria da má função muscular e cognitiva.
Quanto aos fatores extrínsecos, para além dos cuidados com os riscos relacionados com o ambiente envolvente, deve ser tida em conta a utilização cautelosa de fármacos anti-hipertensores e com ação no sistema nervoso central (antidepressivos, hipnóticos, ansiolíticos), cujo uso está relacionado com o risco aumentado de queda com fratura.

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Prevenção Secundária

O risco de recorrência após um AIT (9%/90 dias) ou AVC (6 a 9%/ano) varia de acordo com a idade, os fatores de risco vascular, o tipo de AVC e o tempo decorrido desde o AIT/AVC, sendo máximo nos primeiros dias e meses que a ele se seguem e decrescendo progressivamente ao longo do tempo. A prevenção secundária do AVC compreende o controlo dos fatores de risco, terapêutica antitrombótica e, em certos casos, a remoção cirúrgica ou endovascular de estenoses arteriais severas.