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Tratamento (Dermatoses Infecciosas Bacterianas)

No tratamento do impétigo (em especial nas crianças) é fundamental o despiste de dermatoses pruriginosas prévias, como a escabiose ou as pediculoses. Nestes casos é fundamental tratar simultaneamente estas, pois, caso contrário, o impétigo recidivará.
Nas infecções localizadas, em especial no impétigo contagioso, o tratamento deverá ser essencialmente tópico. São importantes as medidas higiénicas locais, que incluem a remoção progressiva das crostas e a desinfecção das lesões com solutos antissépticos com clorexidina ou povidona iodada.
Na antibioterapia tópica podem utilizar-se diversos fármacos, que devem ser aplicados 2xdia, durante 7-10 dias: creme ou pomada de ácido fusídico, pomada de bacitracina ou, mais recentemente, pomada de retapamulina. A mupirocina tópica, muito utilizada noutros países, não está disponível, comercialmente, em Portugal a não ser em pomada para aplicação nasal. Quanto aos tópicos contendo gentamicina ou eritromicina são, em regra, menos utilizados, mas poderão ser úteis nalguns casos pontuais. Devem ser evitados os tópicos contendo neomicina, pelo perigo de desencadearem alergia de contacto.
A antibioterapia sistémica justifica-se nos casos em que a infecção é extensa ou está em fase de rápida disseminação.
Os antibióticos mais frequentemente utilizados no impétigo estreptocócico são: a eritromicina (30-50 mg/kg/dia durante 10 dias nas crianças; 2-3 g/dia durante 7-10 dias nos adultos), ou a claritromicina (15 mg/kg/dia, durante 10 dias nas crianças; 0,5-1 g/dia, durante 7-10 dias, nos adultos). No impétigo bolhoso aconselha-se a associação amoxicilina + ácido clavulânico (50 mg/kg/dia, durante 10 dias nas crianças; 2 g/dia, durante 7-10 dias nos adultos), ou a flucloxacilina (20-50 mg/kg/dia, durante 10 dias nas crianças; 1,5-2 g/dia nos adultos, durante 7-10 dias).

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Tratamento (Líquen Plano)

A necessidade de tratamento surge, sobretudo, nas formas muito extensas e sintomáticas, pruriginosas, ou em localizações particulares, como na mucosa oral, nas regiões palmo-plantares e no couro cabeludo (possibilidade de alopecia cicatricial definitiva).
Os corticosteróides (tópicos, intralesionais, orais) constituem a terapêutica mais eficaz nesta entidade. Nos casos mais sintomáticos, os corticosteróides, em pomada ou creme de potência média, aplicados l-2xdia, aceleram a resolução das lesões e diminuem o prurido. Em lesões persistentes, localizadas e muito pruriginosas, estão indicados corticosteróides mais potentes, se necessário sob penso oclusivo, durante períodos curtos (± – semanas). A injecção intralesional de betametasona, repetida com intervalos de 3 a 4 semanas, pode ser benéfica nas lesões mais infiltradas, em particular nas lesões hipertróficas dos membros inferiores e nas da mucosa oral. A corticoterapia sistémica é reservada para os casos mais graves e refractários à terapêutica tópica; a prednisona oral (20 a 30 mg/dia) durante 2 a 3 semanas, com redução progressiva da dose, conduz à interrupção da actividade da dermatose e atrasa as recidivas.
A ciclosporina é também muito eficaz nas formas extensas e pruriginosas. Em doses iniciais de 2,5-3 mg/kg/dia controla, habitualmente, os surtos, devendo fazer-se a redução progressiva da dose até à suspensão. A reactivação da dermatose após a suspensão é rara.
Nas formas extensas, sintomáticas e refractárias à corticoterapia, a fotoquimioterapia oral (PUVA) ou os retinóides orais (acitretina), em esquemas terapêuticos idênticos aos da psoríase, podem ser uma alternativa.