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Conclusões (Terapêuticas Psicofarmacológicas)

Importa recordar que a evolução da psicofarmacologia é indissociável do extraordinário desenvolvimento das neurociências, com múltiplas áreas de aplicação à psiquiatria.
Esta evolução não tirou lugar às modalidades de intervenção psicológica, psicossocial e social, mas obrigou à redefinição dos respectivos papéis no quadro de uma disciplina que definitivamente se assumiu como um ramo da medicina e uma especialidade médica por direito próprio.
Neste contexto, a psicofarmacologia tornou-se uma área de saber partilhado entre a psiquiatria e as restantes especialidades médicas, havendo um corpo de conhecimentos básicos – aqui revistos numa perspectiva essencialmente prática – que não pode ser descurado pela formação médica geral.

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Terapêuticas Psicofarmacológicas

A era da moderna psicofarmacologia inicia-se nos anos 50 do século XX com a descoberta dos primeiros antidepressivos, neurolépticos e tranquilizantes benzodiazepínicos, assistindo-se na década seguinte a uma rápida expansão do uso dos psicofármacos, associada a um grande optimismo quanto ao seu alcance terapêutico. Desde então tem-se assistido a um processo contínuo que alterou profundamente a teoria e a prática psiquiátricas.
Na verdade, a psicofarmacologia modificou o panorama da psiquiatria, aumentando dramaticamente o sucesso terapêutico (tanto a eficácia terapêutica como o número de casos tratáveis), diminuindo a necessidade de internamento e inclusivamente facilitando intervenções de tipo psicoterapêutico e psicossocial. Noutro plano, tornou inúmeras situações psiquiátricas acessíveis ao médico não especialista, que passou a lidar com situações que noutras condições escapariam aos cuidados médicos ou seriam desnecessariamente referidas para serviços psiquiátricos.
Hoje em dia, a maioria das prescrições de psicofármacos são oriundas da clínica geral, sucedendo também que os psicofármacos têm indicações fora do âmbito da psiquiatria.
Neste contexto, afigura-se evidente que o manejo dos psicofármacos deve integrar a competência médica geral. Neste breve capítulo apresentamos uma revisão de aspectos farmacológicos e terapêuticos que consideramos relevantes para uma boa utilização psicofármacos, especialmente por parte do decisor terapêutico não especialista.