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Logística Da RCR

1) Assegurar em primeiro lugar que o doente não responde a estímulos, não tem pulso carotídeo ou tons cardíacos.
2) Pedir auxílio imediato, se possível um segundo médico e uma enfermeira, ou até a equipa de RCR, se existir uma instituída.
3) Posicionar o doente em decúbito dorsal com o plano do leito na horizontal, se o leito é duro, a tábua dorsal pode ser dispensável, pois acarreta sempre uma interrupção e uma perda de tempo precioso de massagem cardíaca. Se o doente não estava na cama, deitá-lo no chão para iniciar RCR.
4) Fazer chegar o carro de urgência, ligar logo que possível o doente a um monitor cardíaco (eléctrodos colocados fora da face anterior do tórax) ou a um electrocardiógrafo só com as derivações dos membros e iniciar uma tira de ritmo contínua.
É essencial ter o diagnóstico do tipo de paragem, em FV ou em assistolia (bradicardia progressiva até ao desaparecimento de complexos no traçado).
Não interromper constantemente a RCR só para ver se o doente já tem traçado electrocardiográfico autónomo, ou para entubação traqueal ou cateterismo central por pessoal com pouca experiência.

DSC 4339 180x180 - Perspetiva Histórica

Perspetiva Histórica

As tentativas para interpretar as características e propriedades da onda de pulso são tão antigas como a própria Medicina. Inicialmente a avaliação era feita pela palpação e pela observação do pulso para identificação das características do mesmo. Posteriormente foram desenvolvidos métodos para a sua medição.
As primeiras medições invasivas da PA foram realizadas pelo fisiologista inglês Stephen Hales. No segundo volume da sua obra Síatical Assays denominado Hciemastmicks (1733) estão descritas várias experiências animais em que Hales descreve e avalia a “força do sangue”, a qual viria a ser posteriormente chamada PA, o seu movimento, isto é, o débito, e o volume de diferentes vasos.

a12 180x180 - Terapêutica de Manutenção Pós-RCR

Terapêutica de Manutenção Pós-RCR

Quando conseguimos recuperar atividade elétrica no monitor e um pulso palpável:
—> Organizamos a transferência imediata do doente para cuidados intensivos.
—» Otimizamos a ventilação e a oxigenação em geral por ventilação mecânica com FiO2 de 60 a 75% e um volume/minuto para manter PCO2 30 a 35 mmHg.
—> Revemos as vias venosas deixando sempre um cateter central e estabelecendo uma linha arterial se não existia ainda.
—» Obtemos gases no sangue arterial e em sangue venoso “misto” que pode ser colhido pelo cateter na veia cava superior.
Para corrigir distúrbios metabólicos e respiratórios:
—> Avaliamos a função ventricular esquerda restante por ecocardiograma.
—» Pomos em marcha as tentativas de diagnóstico etiológico da paragem cardiorrespiratória.
Uma vez recebido na UCI, se o doente continua em coma, recomenda-se a indução precoce de hipotermia moderada (32 °C – temperatura rectal) por um período de 24 a 48 horas, havendo evidência de benefício no prognóstico neurológico final.
Após RCR pode haver um período transitório de má função sistodiastólica que corresponde a um stunning miocárdico resultante de hipoxia prolongada, que recupera lentamente nas horas ou dias subsequentes.
Se o traçado pós-RCR nos revela uma taquiarritmia não sinusal e com frequência >150/minutos tentar de imediato cardioversão elétrica iniciando com 100 J, otimizando simultaneamente a oxigenação e correção da acidose. Se a frequência é inferior ou se não há resposta à cardioversão:
—> No caso de se tratar de uma fibrilhação auricular/flutter, optar por administrar diltiazem 0,35 mg/kg em cerca de 15 minutos, mantendo depois uma perfusão de 5 a 15 mg/hora ou em alternativa amiodarona com um bolus inicial de 300 mg em 50 ml em cerca de 15 minutos, a que se segue uma perfusão de 60 a 100 mg/hora.
—> Se a taquiarritmia é com complexos largos, utilizar lidocaína em bolus de 0,5 a 0,75 mg/kg e manter uma perfusão de 2 a 4 mg/minutos.
A seleção de fármacos antiarrítmicos subsequentes ou a implantação de desfibrilhadores deve ser baseada quer em monitorização não invasiva por Holter (a técnica mais eficaz), quer em estudos electrofisiológicos orientados por um arritmologista.
Se o ritmo de recuperação pós-RCR é uma bradiarritmia, a nossa atuação dependerá do estado hemodinâmico do doente. Se não houver instabilidade tensional ou sintomatologia de baixa perfusão cerebral ou miocárdica, podemos apenas vigiar ou, se disponível, colocar um pacemaker transcutâneo (nem sempre fácil de captar o miocárdio no doente mais obeso, mal tolerado por alguns doentes em quem provoca contrações dolorosas e lesão dos músculos tóraco-abdominais).
Se a bradiarritmia é sintomática e não há boa resposta à atropina em bolus de 0,5 a 1 mg, iniciar perfusão de adrenalina 10 a 20 mg/minuto ou isoprenalina 5 a 10 mg/minuto e preparar para implantar pacemaker transvenoso provisório.