Artigos

Febre falsa 2 180x180 - Febre

Febre

A febre é um sinal de apresentação muito frequente, não havendo outro com tanta diversidade de diagnóstico causal.
A temperatura normal medida na cavidade oral ronda os 37 °C (36 a 37,5 °C), sendo a temperatura medida no canal auricular e rectal 0,3 a 0,6 °C mais elevada e a axilar 0,6 a 1 °C mais baixa. Registamos valores mais elevados ao fim da tarde, início da noite, padrão este que se mantém em geral no decorrer de doenças febris.
A febre faz parte dos mecanismos de defesa do hospedeiro contra a infecção, reduz a virulência de várias estirpes bacterianas, aumenta a capacidade fagocitária dos neutrófilos e o efeito citotóxico linfocitário.
A presença de febre, mesmo elevada, nem sempre indicia infecção e nem todas as infecções causam febre, ainda que a infecção continue a ser a causa mais frequente de febre. A etiologia mais provável de uma síndrome febril depende da região geográfica onde o doente reside ou para onde viajou, da sua situação socioeconómica, se está institucionalizado ou na comunidade, actividades de risco, estado imunitário e das co-morbilidades preexistentes.
Década após década, em séries publicadas de doentes com síndrome febril de causa desconhecida, as causas infecciosa e neoplásica revelam uma tendência decrescente, as doenças inflamatórias e a doença febril em que nunca se descobre a causa, uma tendência percentualmente crescente.
Actualmente, para operacionalizar a estratégia diagnostica do doente com febre de causa desconhecida, dividem-se estes em:
– SFI (síndrome febril indeterminado) clássica, febre superior a 38 °C em várias ocasiões, por mais de 3 semanas, sem causa detectada em pelo menos três consultas de ambulatório ou 3 dias de hospitalização.
– SFI nosocomial, febre em várias ocasiões, durante mais de 3 dias de hospitalização e que não estava presente na admissão ao hospital.
– SFI no neutropénico, febre em várias ocasiões, durante mais de 3 dias de hospitalização, num doente com menos de 500 neutrófilos/mm3.
– SFI associado à infecção pelo VIH, febre superior a 38 °C em várias ocasiões, sem diagnóstico etiológico ao fim de mais de 4 semanas em ambulatório, ou de 3 dias de hospitalização.
A dinâmica e a complexidade da avaliação diagnostica de uma síndrome febril dependerá da sua forma de apresentação, da gravidade aparente, das hipóteses geradas pelo exame do doente e da competência imunitária deste.

0102 6720 abcd 27 02 00101 gf02 pt 180x180 - Supurações Anais

Supurações Anais

A prevalência das supurações ano-rectais é difícil de estimar, pois muitos doentes com estas afecções não procuram ajuda médica e atribuem as queixas a hemorróidas. Os abcessos anais e fístulas são a mesma manifestação, respectivamene aguda e crónica, do mesmo processo perianal ou rectal. O abcesso anal é uma infecção num ou mais espaços anais. A fístula é uma conexão entre dois espaços epitelizados, sendo um o ânus ou o recto.

hemorroidectomia drozimogama 180x180 - Tratamento cirúrgico, laqueação por doppler e radiofrequência - Dor e Cicatrização

Tratamento cirúrgico, laqueação por doppler e radiofrequência – Dor e Cicatrização

A hemorroidectomia aberta com laqueação do pedículo (Milligan e Morgan), fechada usando sutura absorvível (Ferguson), e a hemorroidectomia submucosa (Parks) são as técnicas cirúrgicas convencionais, muito dolorosas no pós-operatório. A hemorroidectomia com stapler (mucosectomia circunferencial de Longo), que consiste na remoção de um anel de mucosa rectal redundante acima dos pedículos hemorroidários, é uma técnica menos dolorosa. O stapler descartável acresce aos custos da cirurgia, que apresenta como complicações, entre outras, as falsas vontades e a estenose anal. A hemorroidectomia sob anestesia local é segura e eficaz em casos seleccionados.
A laqueação transanal, por sutura, das artérias hemorroidárias guiada por Doppler, utilizando um anuscópio adaptado, é uma técnica descrita como menos invasiva e menos dolorosa, realizada em regime ambulatório sob anestesia local, regional ou geral. As hemorróidas internas de grau dois a quatro são tratadas, identificando-se por Doppler seis a oito ramos terminais da artéria rectal superior, e laqueando-se acima da linha pectínea, através de anuscópio. Este método não tem tido popularidade por ser de difícil execução e ser pouco eficaz na redução do prolapso.
A utilização de radiofrequência na ablação e fixação dos pedículos hemorroidários pequenos, sangrantes, tem sido descrita como uma técnica simples, eficaz, e menos dolorosa. Um gerador de radiofrequência é usado na coagulação do tecido hemorroidário.
O tempo operatório é de 6 a 8 minutos, a permanência média no hospital de 9 horas.
A retenção urinária, a trombose perianal e a infecção estão descritas como complicações raras. Tem como inconveniente o preço inicial, sendo necessários mais estudos comparativos na avaliação da técnica.

1401116716 180x180 - A seguir: Avaliação Mais completa

A seguir: Avaliação Mais completa

—> Anamnese – HDA anterior? Queixas dispépticas? Refluxo? Disfagia? Fármacos (AINEs, aspirina, antiagregantes, anticoagulantes, corticóides)? Álcool? Vómitos repetidos?
Doença hepática crónica (DHC)? Varizes? Doenças associadas (cardiovascular, respiratória, diabetes, insuficiência renal, hemodiálise, neoplasia)?
—> Exame físico – cardiovascular e respiratório, estado de consciência (Glasgow difícil em doentes com encefalopatia hepática), sinais de DHC ou hipertensão portal, toque rectal (melenas?).
—> ECG, raio X tórax, gasimetria.
—> Hemograma, coagulação completa, bioquímica (ureia bem mais elevada que a creatinina significa hemorragia importante) incluindo marcadores do miocárdio e função hepática.
—> Monitorização contínua: pulso, TA, ECG, PaC>2 digital, diurese/hora, lavagem gástrica.
—> Começar IBP e.v. mesmo antes da EDA (vantagem já demonstrada).
—> Corrigir coagulopatia – complexo protrombínico (Octaplex), plasma fresco 2-4 U se INR prolongado; vitamina K 10 mg se INR prolongado por varfarina (mas demora horas a dias a reverter) e repetir pelo menos 3 dias se DHC. Protamina para reversão rápida de anticoagulação por heparina (1 mg para 100 U de heparina).