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Lúpus Eritematoso 3 180x180 - Lúpus Eritematoso Sistémico

Lúpus Eritematoso Sistémico

O LES (lúpus eritematoso sistémico) é uma doença reumática auto-imune caracterizada pela produção de auto-anticorpos não específicos de órgão dirigidos contra antigénios nucleares, citoplasmáticos e da superfície celular. Afeta preferencialmente mulheres jovens (mais de 90% dos doentes são do sexo feminino e com uma idade média de 35 anos à data do diagnóstico), mas o predomínio do sexo feminino ainda é mais notório quando a doença se inicia entre os 16 e os 49 anos, isto é, durante o período fértil.
Trata-se de uma doença rara, estimando-se a sua prevalência em 10-50 casos por 100000 habitantes. A etiologia do LES permanece desconhecida, mas a suscetibilidade genética, fatores hormonais e ambientais contribuem de forma significativa para o desencadear desta doença. Caracteristicamente existe uma desregulação do sistema imunitário, com produção excessiva de auto-anticorpos, formação de imunocomplexos e lesão dos tecidos por mecanismos imunomediados.

shutterstock 83549875 180x180 - Fibrilhação Auricular (FA) - AVC

Fibrilhação Auricular (FA) – AVC

A FA é o precursor cardíaco mais poderoso e potencialmente tratável de AVC isquémico, aumentando o risco de AVC em cerca de cinco vezes. São fatores de risco de embolismo na FA: prótese valvular mecânica, doença valvular reumática, tromboembolismo prévio, idade superior a 65 anos, hipertensão arterial, diabetes, insuficiência cardíaca e disfunção ventricular esquerda.
Diversos estudos aleatorizados demonstraram o efeito preventivo do tromboembolismo na pelos anticoagulantes orais e também pela aspirina (redução respetivamente de 70% e de 25% do risco relativo de AVC). No entanto, a utilização de anticoagulantes acarreta um risco de hemorragia, nomeadamente cerebral. Este risco é cerca de 1% ao ano e aumenta acima dos 75 anos. Devem prescrever-se anticoagulantes (INR 2 a 3) nos entes que tenham FA e pelo menos um dos fatores de risco acima mencionados. Nos entes com mais de 80 anos, a anticoagulação é também eficaz, devendo ser usada na profilaxia do AVC. Nos doentes com menos de 65 anos, sem fatores de risco, bem como nos doentes com contraindicações para os anticoagulantes, deve prescrever-se ácido acetilsalicílico (250 mg/dia).

vermelho 180x180 - Diagnóstico Diferencial (Olho Vermelho)

Diagnóstico Diferencial (Olho Vermelho)

– Trauma.
– Uveíte.
– Doença reumática.
– Espondilite anquilosante.
– Colite ulcerosa.
– Síndrome de Reiter.
– Tuberculose.
– Herpes.
– Sífilis.
– Sarcoidose.
– Toxoplasma.
– Infecção por Cytomegalovirus.
– Doença de Lyme.

511 1 180x180 - Patogénese II (Endocardite Infecciosa)

Patogénese II (Endocardite Infecciosa)

Os factores de risco associados à ocorrência de EI incluem:
– Os que predispõem à ocorrência de ETNB – doença valvular estrutural, congénita ou adquirida, incluindo a cardite reumática (esta, hoje em dia, rara em Portugal). A ETNB também pode ocorrer, raramente, em doentes com neoplasias, particularmente do pâncreas, pulmão e linfomas.
– Os que predispõem à ocorrência de bacteriemia, transitória ou prolongada – cirurgia dentária (até 85%), utilização de dispositivos de irrigação oral (até 50%), amigdalectomia (28-38%), ressecção prostática transuretral (12-46%), dilatação uretral (18-33%), cistoscopia (17%), intubação naso ou orotraqueal (16%), biopsia hepática percutânea (3-13%), endoscopia digestiva alta (8-12%), clister opaco (11%), colonoscopia (até 10%), entre outros.
A utilização de drogas por via e.v. é, também, um factor de risco importante, designadamente para a ocorrência de endocardite da válvula tricúspide, parecendo que a infecção por VIH é, por si só, um factor de risco independente para a El nesta população. Os doentes hemodialisados constituem, também, um grupo com risco acrescido de EI (0,3%), para o que podem contribuir a colocação frequente de cateteres, a doença valvular calcificante e a própria depressão imunitária associada à uremia.
A febre Q (Coxiella burnetti) é uma zoonose endémica em Portugal, que se admite ser transmitida ao homem essencialmente por via aérea, sendo a exposição classicamente relacionada com o contacto com animais domésticos e gado, designadamente ovino e caprino, apresentando picos de ocorrência nos meses de reprodução destas espécies (Março a Junho). Sendo, na maioria dos casos, uma doença ligeira e autolimitada, pode evoluir para formas crónicas, nas quais a endocardite é uma manifestação clínica frequente.

Nota+ +Farmácias+1 180x180 - Anticoagulantes Orais

Anticoagulantes Orais

Os anticoagulantes são fundamentalmente utilizados na prevenção secundária do AVC isquémico associado a cardiopatias embolígenas de alto-médio risco (por exemplo, próteses valvulares mecânicas, valvulopatia mitral reumática, FA não valvular, miocardiopatias dilatadas) sendo indicado manter o INR entre 2 e 3.
A anticoagulação é muito eficaz na prevenção secundária do embolismo cerebral na FA não valvular, pois evitam-se 90 eventos vasculares (principalmente AVC) se forem tratados com anticoagulantes 1000 doentes com FA durante um ano, e 40 eventos se forem tratados com aspirina. O risco da anticoagulação oral nesta indicação é baixo (3% hemorragia/ano; 0,2% hemorragia intracraniana/ano). A maioria destas hemorragias ocorre quando o INR é superior a 4,5. Existem, contudo, diversas contraindicações para a anticoagulação nesta situação tais como alcoolismo crónico, insuficiência hepática, hipertensão crónica não controlada (tensão arterial diastólica >100 mmHg, tensão arterial sistólica >180 mmHg em pelo menos 2 dias sucessivos), retinopatia hemorrágica, hemorragia intracraniana prévia, diátese hemorrágica, úlcera péptica nos últimos 3 anos, hemorragia gastrintestinal ou hematúria nos últimos 6 meses, gravidez, doença neurológica ou osteoarticular que provoque quedas frequentes, demência, impossibilidade de tomar a medicação consoante as prescrições ou de realizar as análises de controlo com a regularidade necessária, doentes dependentes. A anticoagulação está indicada mesmo em doentes com mais de 80 anos, embora seja menor a segurança da anticoagulação oral neste grupo etário e a possibilidade de a utilizar, porque em geral coexistem uma ou mais contraindicações. Nos doentes com FA e com contraindicações para a anticoagulação devem usar-se antiagregantes (ácido acetilsalicílico numa dose baixa).
Nas cardiopatias potencialmente embolígenas de baixo risco (por exemplo, forâmen oval patente, aneurisma do septo interauricular, prolapso da válvula mitral, área acinética/discinética ou aneurisma da parede ventricular) devem ser excluídas outras possíveis causas de AVC, nomeadamente estenose das artérias pré-cerebrais, estando indicado o ácido acetilsalicílico 250-300 mg/dia, No caso de FOP (forâmen oval patente), associado a AVC por embolia paradoxal, flebotrombose profunda comprovada ou aneurisma do septo interauricular, está indicada a anticoagulação ou o encerramento percutâneo do FOP. O encerramento cirúrgico ou endovascular do FOP é ainda uma alternativa terapêutica em doentes anticoagulados com AVC recorrente. A adição de antiagregantes a anticoagulantes aumenta substancialmente o risco hemorrágico. A sua vantagem só foi demonstrada em doentes com próteses valvulares mecânicas e eventos embólicos recorrentes.

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Insuficiência Valvular Mitral Crónica

Como lesão isolada e desde o declínio da febre reumática, a insuficiência mitral é, na maioria das vezes, provocada por alterações orgânicas (degenerescência mixomatosa, endocardite bacteriana, calcificação do anel), cardiopatia isquémica ou é funcional (alterações da geometria ventricular esquerda resultantes das miocardiopatias dilatadas).
É, a seguir à EA, a valvulopatia mais frequente.
O aparelho valvular mitral envolve os folhetos, as cordas tendíneas, os músculos papilares e o anel mitral, podendo, portanto, qualquer anomalia numa destas estruturas provocar IM.

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Estenose Valvular Aórtica

A EA (estenose aórtica) pode ter como etiologias a febre reumática (rara), a calcificação de uma válvula congenitamente anómala (frequente nos grupos etários mais jovens) e a degenerescência aterosclerótica, a mais frequente (2-7% dos adultos com mais de 65 anos). A EA reumática existe raramente isolada, ocorrendo comummente em associação com a patologia mitral e caracteriza-se pela fibrose dos folhetos e pela fusão comissural, local onde podem ocorrer também calcificações. A EA surge tipicamente pela quinta década de vida e resulta da calcificação exofítica de uma válvula. A EA calcificada representa um espectro de doença que vai desde a esclerose valvular aórtica até à EA. Na sua patogénese há estudos que parecem suportar alguma semelhança com aterosclerose (existência de doença ativa com depósitos de lipoproteínas, processo inflamatório crónico, calcificação dos folhetos). Dados recentes parecem suportar a importância dos lípidos na génese e progressão desta patologia.