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Rosácea

A rosácea é um padrão de reacção cutânea, constituída por eritema congestivo da face localizado sobretudo na sua parte média, nomeadamente inter e supraciliar, nariz, regiões genianas e mento. Caracteriza-se pela evolução em diferentes estádios – eritematotelangiectásico, pápulo-pustuloso e fimatoso, ocasionalmente não sequenciais. Estes estádios evolutivos, juntamente com o possível atingimento ocular, permitem definir os quatro tipos principais de rosácea: rosácia eritemato-telangiectásica pápulo-pustulosa, fimatosa e ocular.

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Outras Terapêuticas (Rosácea)

A terapêutica com laser ou com luzes dirige-se, fundamentalmente, ao componente telangiectásico, mas parece não ter resultados na evolução a longo prazo da dermatose.
Utilizam-se, actualmente, dois tipos de tratamento – laser pulsado de contraste (ou corantes) e a luz intensa pulsada. Ambos podem ser eficazes, mas estão limitados pelo custo do equipamento, e só devem ser utilizados por profissionais com experiência na sua manipulação.
Os esquemas de tratamento variam consoante o tipo de rosácea e a sua intensidade.
—> Rosácea eritemato-telangiectásica, ou cuperose – caracteriza-se por surtos congestivos sobretudo pós-prandiais ou relacionados com a ingestão de álcool (efeito vasodilatador), alimentos quentes (efeito vasodilatador facial compensatório do aumento de temperatura na cavidade oral) ou exposição solar, sobretudo mediofacial, que evolui, tendencialmente, para eritema facial permanente associado a telangiectasias dispersas, sobretudo nas regiões frontal, geniana e nariz.
A evicção dos factores desencadeantes, a utilização de sprays de água termal, a aplicação de protector solar adequado (índice de protecção superior a 25) ou o chupar de um cubo de gelo são medidas de l.a linha. A clonidina nas doses referidas pode ser útil nesta fase.
Além das medidas terapêuticas enunciadas anteriormente, as telangiectasias podem ser resolvidas com recurso a electrocirurgia, crioterapia e, sobretudo, laserterapia com laser pulsado de contraste ou luz intensa pulsada. A correcção do eritema pode ser obtida, de forma transitória, com a aplicação de camuflagem contendo verde brilhante.
Rosácea pápulo-pustulosa – sobre fundo eritematoso e telangiectásico surgem pápulas inflamatórias e, mais raramente, pústulas assépticas sobretudo nas regiões genianas, mento e por vezes pálpebras inferiores.
A terapêutica consta sobretudo de antibióticos sistémicos, do grupo das tetraciclinas, ou metronidazol. A minociclina (100 mg/dia) e a doxiciclina (100 mg/dia), à semelhança da acne, são os mais utilizados.
Em caso de falência, a isotretinoína em doses de 0,5 mg/kg/dia ou em esquema de minidose – 2,5-5 mg/dia – pode produzir uma melhoria significativa, embora o efeito seja mais transitório do que na acne.
A terapêutica sistémica deve associar a terapêutica tópica com metronidazol ou ácido azelaico, os quais deverão prolongar-se mesmo após a suspensão da antibioterapia oral.
– Rosácea fimatosa – atinge normalmente o sexo masculino, onde é característico o nariz grande e bosselado (rinofima), por vezes também o mento, revelador de uma hiperplasia sebácea marcada e de uma fibrose dérmica importante.
A utilização da isotretinoína em esquema semelhante ao da acne (na tentativa de redução da dimensão das glândulas sebáceas) pode ter alguma utilidade. O tratamento de 1.ª linha é cirúrgico, com utilização do laser de CO2 para carbonização ou, em alternativa, a electrocirurgia.

rosacea 2 180x180 - Terapêutica Sistémica (Rosácea)

Terapêutica Sistémica (Rosácea)

– Antibióticos sistémicos – as tetraciclinas de 1.ª geração (tetraciclina, oxitetraciclina) e as de 2.ª geração (doxiciclina, minociclina) são os antibióticos mais utilizados, em esquemas semelhantes aos utilizados no tratamento da acne (ver “Acne”). Para além da acção antibiótica, parecem ter eficácia devido à sua acção anti-inflamatória. Doses subantimicrobianas de hiclato de doxiciclina (20 mg 2xdia) parecem ter eficácia semelhante a doses de 100 mg/dia, mas ainda não existem estudos suficientes que confirmem em absoluto estes resultados.
Os macrólidos – eritromicina, claritromicina e azitromicina – são também eficazes no tratamento da rosácea pápulo-pustulosa, mas habitualmente apenas são utilizados se houver intolerância, contra-indicação ou falência do tratamento com tetraciclinas.
– Metronidazol – é uma alternativa efectiva às tetraciclinas na dose de 250 mg 2xdia, a qual deve ser reduzida após o controlo efectivo da dermatose. Deve evitar-se o consumo de álcool concomitante pela possibilidade de efeito antabus, e há que ter em conta a possibilidade de aparecimento de leucopenia e neuropatia sensitiva em tratamentos prolongados.
– Isotretinoína – em esquemas terapêuticos semelhantes aos utilizados na acne reduz significativamente as pápulo-pústulas e o componente eritematoso, mas o seu efeito parece ser menos duradouro do que na acne. Nas formas fimatosas (rinofima) poderá reduzir o volume das glândulas sebáceas e melhorar o aspecto cosmético da situação.
– Outras terapêuticas – a clonidina (anti-hipertensor com efeito vasoconstritor alfa-adrenérgico) em doses baixas (cerca de 1/4 de comprimido/dia, correspondendo a 1-2 ug/kg/dia) pode ser benéfica, reduzindo o efeito flushing nas fases iniciais da rosácea.

rosacea rescue 1 180x180 - Terapêutica Tópica (Rosácea)

Terapêutica Tópica (Rosácea)

– Metronidazol – em creme, gel ou emulsão, 0,75-1%, é o composto mais frequentemente utilizado, geralmente bem tolerado. E eficaz tanto no componente eritematoso como nas pápulo-pústulas. Deve aplicar-se inicialmente de manhã e à noite e, após o controlo da doença, deverá manter-se prolongadamente lxdia ou em dias alternados.
– Ácido azelaico – em gel a 15% tem uma eficácia semelhante à do metronidazol e deve ser aplicado de modo similar. Nas fases iniciais, em casos com componente inflamatório mais intenso, pode desencadear algum desconforto e ardor, que melhora com a continuação da terapêutica.
– Sulfacetamida sódica 10% com enxofre a 5% é uma associação eficaz para o tratamento da rosácea. Não está, contudo, comercializada no nosso país.
– Outros tópicos – o peróxido de benzoílo não tem indicação formal para utilização na rosácea. Contudo, nas formas pápulo-pustulosas, pode ser eficaz, em monoterapia ou associado à clindamicina, mas deve ser aplicado com cautela, dado poder provocar alguma irritação.
Os antibióticos tópicos, clindamicina ou eritromicina, em especial se associados ao metronidazol, podem também ser utilizados nas formas pápulo-pustulosas, com resultados aceitáveis.
Nas rosáceas provocadas pela aplicação de corticosteróide (rosácea esteróide), a aplicação dos inibidores da calcineurina (ver “Eczema Atópico”), tacrolimus e pimecrolimus, tem mostrado resultados interessantes, reduzindo a fase de rebound subsequente à interrupção do corticosteróide. Nas outras formas de rosácea a sua eficácia é variável.
Relatos recentes referem que a aplicação local de vasoconstritores nasais (oximetazolina) reduzem o componente telangiectásico da face, com efeito de algumas horas, não dando lugar a rebound posterior, o que, do ponto de vista cosmético e de conforto, poderá ser interessante.
– Medidas complementares – a utilização de protectores solares deve ser a regra, durante todo o ano. A maquilhagem correctora ajuda a melhoria cosmética, reduzindo o eritema e o aspecto congestivo da face.

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Tratamento (Rosácea)

O tratamento da rosácea pode incluir tratamento tópico específico e não específico, tratamento sistémico, sendo a respectiva utilização dependente do tipo e estádio da dermatose, bem como da severidade clínica.