Artigos

cropped cuidados paliativos05 180x180 - Diarreia (Cuidados Paliativos)

Diarreia (Cuidados Paliativos)

Embora não seja um sintoma de grande prevalência nos doentes em CP (7-10%), associa-se a efeito indesejável da quimioterapia (5-FU, irinotenano, docetaxel) e da RT pélvica que requer muitas vezes redução de intensidade de dose no tratamento. O tratamento sintomático passa por garantir a hidratação. A loperamida ou outros opióides como a morfina ou codeína podem ser usados para reduzir o número de dejecções. O octreótido, análogo da somatostatina, está indicado para a diarreia secretória intratável ou diarreia causada por tumor neuroendócrino.

indigestion 1 180x180 - Terapêutica (Dispepsia Funcional)

Terapêutica (Dispepsia Funcional)

As armas terapêuticas utilizadas na DF são direccionadas às alterações fisiopatológicas e diferenciam-se atendendo aos subgrupos classificados com base no sintoma dominante.

choco frito 180x180 - Medidas higieno-dietéticas (Dispepsia Funcional)

Medidas higieno-dietéticas (Dispepsia Funcional)

—> Medidas higieno-dietéticas.
Estas medidas devem ser tomadas independentemente do sintoma dominante.
O consumo de tabaco e AINEs associa-se numa frequência dupla ao desencadear de uma síndrome dispéptica, pelo que a sua suspensão está indicada na presença desta sintomatologia. Em relação ao café, gorduras e fritos, condimentos e álcool, a associação sintomática não é tão firme, mas a redução da sua ingesta é recomendável.

pancreatite cronica 2 180x180 - Clínica (Pancreatite Crónica)

Clínica (Pancreatite Crónica)

—> Dor – localizada na região epigástrica que frequentemente irradia para o dorso, é o sintoma dominante na PC (80-95%), principalmente nas fases iniciais, é incapacitante por perturbar o repouso e alimentação. Apenas uma minoria de doentes (5,8 a 20%) com PC alcoólica não tem dor, sendo a insuficiência exócrina e endócrina dominante nestes casos.
—> Emagrecimento – em cerca de 80% dos doentes deve-se principalmente à diminuição na ingestão alimentar e insuficiência pancreática exócrina. A insuficiência exócrina, tardia na evolução da doença (cerca de 5 anos) leva ao emagrecimento e à esteatorreia por redução na síntese e secreção de enzimas pancreáticas. A insuficiência endócrina surge geralmente na PC prolongada, embora apenas cerca de 45% dos doentes com PC desenvolvem diabetes. A fisiopatologia subjacente à diabetes na PC é a destruição das células secretoras de insulina (ilhéus de Langerhans).
O intervalo médio entre o início dos sintomas e o diagnóstico de PC é cerca de 30-55 meses nos alcoólicos e cerca de 81 meses nos não-alcoólicos.

20131206 vyebie 3897917 180x180 - Delirium ou Estados Confusionais

Delirium ou Estados Confusionais

Registado como um sintoma prevalente em doentes sob terapêutica opióide, idade avançada, desidratação, e em últimos dias de vida. As causas subjacentes de delirium têm de ser identificadas e se possível tratadas. Várias medidas não farmacológicas mostraram-se efectivas, mas o plano de intervenção farmacológica prevê desde o uso de haloperidol até à inclusão do midazolam no delirium terminal.

tinnitusc 180x180 - Acufeno

Acufeno

O acefeno é um sintoma descrito como uma percepção acústica de som, ruído, apito, vibração ou pulsação no(s) ouvido(s) ou generalizada à cabeça, que frequentemente se agrava em ambiente silencioso. Deve ser feita uma história clínica e uma observação cuidadosa, que oriente para os exames complementares necessários ao esclarecimento do quadro.
A presença de rolhão de cerúmen ou otite seromucosa podem explicar o sintoma e a resolução da situação de base; resolvem também o acufeno.
O diagnóstico de presbiacusia, ototoxicidade ou trauma acústico está associado normalmente a acufeno permanente de algum grau, devendo o doente ser esclarecido sobre a cronicidade da situação. No caso de acufeno pulsátil, dever-se-á excluir tumor glómico, patologia vascular, cardíaca ou sistémica (por exemplo, hipertiroidismo, anemia).
Deve-se essencialmente tranquilizar os doentes que geralmente receiam tratar-se de um tumor ou outra doença grave. Terapêutica com vasodilatadores, sedativos ou antidepressivos por vezes ajudam a tolerar o acufeno ou a diminuir a sua intensidade. Nos casos em que existe hipoacusia associada, preconiza-se a utilização de prótese auricular que simultaneamente corrige a hipoacusia e mascara o acufeno. É frequente os doentes terem dificuldade em adormecer; pode aconselhar-se a ajuda do rádio ou televisão para mascarar o acufeno.

enxaqueca3 180x180 - Dor

Dor

Não há nada mais subjectivo do que a dor. Qualificá-la ou quantificá-la são tarefas impossíveis, apesar das múltiplas estratégias que se utilizam na prática clínica diária para o fazer. E se a existência do fenómeno doloroso está ligada à existência do próprio Homem – existe dor desde que existe vida humana – o primeiro gesto clínico que o Homem deve ter praticado terá sido, seguramente, a tentativa de a aliviar.
A IASP (International Association for the Study of Pain), em 1990, através de uma task-force nomeada para o efeito, enunciou e divulgou uma série de definições acerca da dor, para que todos os profissionais de saúde passassem a utilizar a mesma nomenclatura e uniformizassem o seu discurso.
Algumas dessas definições:
– Dor – é uma sensação ou experiência emocional desagradável, associada com destruição tissular actual ou potencial, ou descrita em termos dessa destruição.
– Dor aguda – é uma dor de início recente e de provável duração limitada. Normalmente há uma identificação temporal e/ou causal.
– Dor crónica – é uma dor prolongada e persistente no tempo, normalmente com difícil identificação temporal e/ou causal, provocando sofrimento. Pode manifestar-se com várias características e gerar vários estádios patológicos.
A dor aguda é sempre um sintoma, conhecendo-se a sua causa e o momento do seu início, havendo uma expectativa previsível da sua duração. A forma mais paradigmática de dor aguda é a dor do pós-operatório, mas também é dor aguda a dor traumática, a dor de parto, a cólica renal ou os períodos súbitos de agravamento da dor crónica, entre outras.
A dor crónica é uma doença, podendo aparecer, associados, um conjunto de sintomas em que o principal, se assim o quisermos qualificar, é a dor. Tudo é difícil e subjectivo na dor crónica, desde a identificação da causa à precisão do seu início. A dor oncológica é a mais emblemática das várias formas de dor crónica, mas nem por isso a única nem tão pouco a que, necessariamente, coloca aos clínicos maiores problemas.

Fadiga Andrenal 180x180 - Astenia e Fadiga

Astenia e Fadiga

A fadiga constitui o sintoma mais prevalente no doente oncológico; mais de 75% dos doentes em fase avançada referem esta ocorrência; cerca de 70% dos doentes a fazer algum tipo de quimioterapia ou RT referem fadiga. Pode ser um sintoma que leva ao diagnóstico ou à identificação de recorrência. Compromete significativamente o estado funcional do doente, bem como a qualidade de vida e tem-se tornado ainda mais relevante à medida que outras complicações do cancro e seu tratamento têm sido resolvida ou minoradas.
Na maior parte das vezes a etiologia é multifactorial: a própria doença e/ou as terapêuticas podem induzir o sintoma; mas outros factores poderão contribuir: dor, perturbações do humor, perturbações do sono, anemia, deficiências nutricionais, perda de preparação física ou co-morbilidades.
A intervenção terapêutica dever-se-á fazer essencialmente sobre os factores que levam ao aparecimento do sintoma: seja o próprio tratamento da doença ou a adaptação das terapêuticas, seja dos factores referidos acima. Daí ser crucial a identificação de todos os possíveis factores – em particular a correcção de eventual anemia, já que tem sido este o aspecto mais estudado e em que melhor está documentada a eficácia.
O uso de corticóides é uma prática frequente – ainda que o seu uso, para este fim específico, não esteja bem alicerçado (muitas vezes recorre-se a corticóides na tentativa de correcção de outros sintomas concomitantes como a anorexia).
Embora menos reconhecidos e postos em prática, existe evidência de que algumas intervenções não medicamentosas poderão ter alguma utilidade nesta situação: treino físico adequado, terapêutica de sono, técnicas de conservação de energia e suporte psicossocial.

img 3 23 180x180 - Ascite II

Ascite II

A apresentação inaugural da ascite representa o declínio da função hepática, mais do que a elevação crítica da hipertensão portal, não havendo correlação com valor limiar para desencadear a ascite. E a forma mais frequente de descompensação inicial da cirrose hepática (50% com ascite, 35% com hemorragia digestiva alta, 15% com encefalopatia porto-sistémica, como sintoma revelador).
A sua instalação sub-reptícia correlaciona com a deterioração da doença hepática crónica e tem significado de mau prognóstico, com sobrevida ao 5.° ano de 20%, comparado com 50% após descompensação inicial com hemorragia digestiva alta e 0% com encefalopatia porto-sistémica. A presença de ascite propicia outras complicações específicas da cirrose hepática, como a peritonite bacteriana espontânea (PBE) e a síndrome hepatorenal (SHR), as quais, sem tratamento adequado, conduzem a mortalidade elevada (70% com PBE, 100% com SHR).
No entanto, a ascite pode ser precipitada por uma intercorrência extrínseca à cirrose hepática, como uma infecção ocasional (urinária, respiratória, entérica) ou a toma de fármaco hepatotóxico ou stress médico ou cirúrgico, que desencadeiam agravamento extemporâneo da função hepática, devido à reacção inflamatória sistémica, alterações metabólicas e hemodinâmicas que comprometem o equilíbrio precário da função hepática residual.
A própria cirrose hepática pode suscitar condições para descompensação adicional como um episódio de hemorragia digestiva, de peritonite bacteriana espontânea, hepatite aguda alcoólica ou exacerbação de hepatite crónica de qualquer etiologia, trombose da veia porta, ou mesmo carcinoma hepatocelular.
Nestes contextos, a apresentação é súbita e progressiva, com agravamento rápido da ascite associada a edema ascendente dos membros inferiores, oligúria, náuseas, enfartamento, lombalgias e intolerância ao esforço.
O diagnóstico clínico é evocador pela semiologia clássica de distensão abdominal, globosa ou redundante em ventre de batráquio, com macicez à percussão nos quadrantes inferiores do abdómen, definindo uma linha de transição para o timpanismo curvilínea, côncava no sentido cefálico; essa área de macicez é deslocável com a mudança de posição do doente, de decúbito dorsal para lateral direito, ficando a macicez confinada aos quadrantes laterais em posição reclinada. Pode ser detectado o sinal de onda líquida à percussão.
A associação com edema maleolar e pré-tibial é frequente, atingindo por vezes a raiz das coxas, o que revela compromisso de drenagem venosa por compressão da veia cava inferior pela ascite volumosa. Nos homens, pode disseminar para edema escrotal e hidrocelo; em casos graves de retenção hídrica progride para edema ascendente da parede abdominal e região lombossagrada, ou mesmo para anasarca.
A pressão intra-abdominal elevada do líquido ascítico pode franquear os pontos fracos da parede abdominal, ocasionando o aparecimento de hérnias inguinais ou umbilicais, preenchidas quase sempre apenas com fluido. A abordagem terapêutica destas hérnias depende do grau de insuficiência hepática e das complicações eventuais das hérnias; só deverão ser referenciadas para cirurgia urgente as hérnias encarceradas, estranguladas ou com ruptura estabelecida ou iminente por ulceração cutânea.

maxresdefault 15 180x180 - Estratégias de Tratamento (Síndrome do Intestino Irritável)

Estratégias de Tratamento (Síndrome do Intestino Irritável)

A terapêutica deve ser individualizada e permanentemente actualizada com base no sintoma perdominante e na gravidade do complexo sintomático.