Artigos

20130117093922 180x180 - Ileocolite/Colite

Ileocolite/Colite

Na DC ligeira a moderada, a terapêutica de indução depende da sua localização preferencial. Em caso de afecção do ileo e/ou cólon proximal, o budesonido na dose de 9 mg/dia, administrada durante 8 a 16 semanas, tem sido demonstrado como mais eficaz na indução de remissão em relação ao placebo ou à messalazina e igualmente eficaz e mais seguro do que os corticosteróides convencionais. Nos doentes com afecção confinada ao cólon, a sulfassalazina na dose de 3 a 6 g/dia até às 16 semanas, tem sido demonstrada como mais eficaz que o placebo, mas menos eficaz do que os corticosteróides convencionais.
Os doentes que iniciem o tratamento com sulfassalazina ou budesonido e não obtenham resposta devem ser tratados subsequentemente com prednisona, na dose de 40 a 60 mg/dia, seguido de uma redução progressiva, ou com IFX. Os doentes com doença moderada a grave ou com sintomas sistémicos devem iniciar prednisona, na dose de 40 a 60 mg/dia.
No que respeita à terapêutica de manutenção de remissão, após indução terapêutica, na DC ligeira ou moderada, a evidência de eficácia no caso dos aminossalicilatos é insuficiente como recomendação terapêutica de manutenção comprovada e os corticosteróides convencionais são também ineficazes ou demasiado tóxicos para serem recomendados. No caso dos doentes com ileocolite induzidos em remissão com budesonido, podem ser mantidos com este fármaco, na dose de 6 mg/dia, durante 3 a 6 meses adicionais. Os imunomoduladores (tiopurinas, MTX) são eficazes na terapêutica de manutenção, após indução com corticosteróides convencionais.
Nos doentes com actividade moderada a grave e em caso de corticodependência ou corticorresistência, para além dos imunomoduladores, deve ser considerado o início de terapêutica biológica.

intesti1 180x180 - Sulfassalazina

Sulfassalazina

A sulfassalazina permite induzir a remissão em 35 a 80% dos doentes com CU ligeira a moderada, na dose de 4 a 6 g/dia. A taxa de indução de remissão é dupla em relação ao placebo.
A sulfassalazina altera a absorção de folatos, pelo que estes devem ser administrados concomitantemente. Na manutenção de remissão, a dose de 2 g/dia é a mais equilibrada em termos de relação eficácia/efeitos adversos.
Na DC, a sulfassalazina confere benefício apenas em doentes com doença ileocólica ou afecção exclusiva do cólon, na dose de 3 a 5 g/dia, como indução de remissão, não tendo eficácia na manutenção de remissão.
Os vários compostos de messalazina oral têm eficácia superior ao placebo, na indução de remissão na CU ligeira a moderada, em doses superiores a 2 g/dia, com aumento de eficácia em doses progressivas até 4 g/dia. A messalazina oral é eficaz na manutenção de remissão, em doses semelhantes às utilizadas na indução de remissão.
Na DC a messalazina oral pode ser teoricamente eficaz em doentes com afecção do jejuno e ileo, ao contrário da sulfassalazina, permitindo induzir a remissão da DC ligeira a moderada, habitualmente em doses superiores às utilizadas na CU, = 3,2-4 g/dia. Contudo, alguns ensaios clínicos abordando a utilização de messalazina oral na DC não demonstram clara evidência de benefício em relação ao placebo, pelo que o seu uso é controverso). Na prática clínica, dada a escassa evidência de efeitos adversos, a messalazina oral é geralmente utilizada na fase inicial do tratamento da DC. Alguns trabalhos de meta-análise indicam que a messalazina oral é benéfica no tratamento de manutenção de remissão na DC, embora este benefício seja apenas observado em doentes com remissão induzida cirurgicamente, ileíte e/ou doença com duração prolongada.

Paracetamol tablets 180x180 - Corticosteróides convencionais

Corticosteróides convencionais

Os corticosteróides foram os primeiros agentes terapêuticos com eficácia demonstrada em ensaios clínicos na CU.
São eficazes no tratamento da CU, qualquer que seja a sua extensão. Nos surtos moderados a graves, os corticosteróides, em doses equivalentes a 40 a 60 g/dia de prednisona, são agentes efectivos de 1.ª linha.
Doses superiores estão associadas a maior incidência de efeitos secundários, sem benefício clínico adicional.
Na CU moderada a grave, a junção de sulfassalazina não confere eficácia adicional.
Os corticosteróides não têm efeitos benéficos como agentes de manutenção e prevenção da recidiva, na CU. Um estudo permitiu avaliar a evolução a 1 ano, após um primeiro ciclo de administração de corticosteróides, em doentes com DII, numa população de Olmstead County (E.U.A.). Foram incluídos 185 doentes com CU: de 63 tratados inicialmente com corticosteróides, entraram em remissão completa 54%, remissão parcial 30% e 16% não obtiveram resposta. Ao fim de 1 ano, verificou-se resposta prolongada em 49%, corticodependência em 22% e necessidade de intervenção cirúrgica em 29%.
Na DC, os corticosteróides na forma oral ou parentérica são eficazes no tratamento da doença luminal (não fistulizante) activa, independentemente da localização da doença. Nos surtos moderados a graves, os corticosteróides, na dose equivalente a 40 a 60 g/dia de prednisona, são agentes de 1.ª linha, eficazes na indução de remissão.
O seu uso em doses mais elevadas não confere benefício adicional. Nos surtos moderados a graves de DC do cólon, a junção de sulfassalazina não confere eficácia superior, à utilização isolada de corticosteróides. Após a entrada em remissão, deverá ser introduzido um regime de desmame, 5 mg/semana, até à dose de 20 mg/dia, a partir da qual a redução de dose deverá ser mais lenta, 2,5 mg/semana. O regime de desmame, sobretudo a partir dos 20 mg/dia, só deverá ser prosseguido caso a doença esteja seguramente inactiva. Os corticosteróides não têm qualquer eficácia na prevenção de recidiva de DC, após indução de remissão. Munkholm et al estudaram a evolução a 1 ano, após um primeiro ciclo de administração de corticosteróides em doentes com DC, com base na análise de uma população de Copenhagen County. De um total de 109 doentes, tratados com corticosteróides, inicialmente 48% obtiveram remissão completa, 32% remissão parcial e 20% não obtiveram resposta. No final do estudo, 1 ano, dos 87 doentes que obtiveram remissão completa ou parcial, 45% tinham apresentado recidiva de doença ou tinham desenvolvido corticodepência; do total de 109 doentes, ao fim de 1 ano 36 % eram corticodependentes, 44% apresentavam resposta mantida e 20% eram corticorresistentes.