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talking 180x180 - Curarização

Curarização

A curarização dos doentes críticos deve ser reduzida ao mínimo. Pode e deve ser utilizada para facilitar a intubação traqueal dos doentes e iniciar a ventilação controlada, mas o seu uso de rotina como complemento da analgesia/sedação não tem qualquer fundamento (com exceção de situações específicas como a ventilação mecânica de doentes com tétano).
Como consequência da curarização de doentes críticos com níveis de sedação insuficientes, há registo de experiências extremamente traumáticas.
Os relaxantes musculares podem ser divididos em despolarizantes e não despolarizantes.
O relaxante despolarizante succinilcolina, pelo risco de hipercaliemia, agravamento da pressão intracraniana e intra-ocular, tem o seu uso limitado à IOT de emergência em doentes com alto risco de aspiração de vómito. Os relaxantes não despolarizantes incluem os esteróides (vecurónio e rocurónio) e as benzilisoquinolonas (atracúrio e cisatracúrio). Estes últimos, por terem metabolismo independente do fígado e rim, estão indicados nos doentes com insuficiência hepática ou renal e devem ser usados preferencialmente quando são necessárias perfusões de curarizantes.

maxresdefault 13 180x180 - Entubação Orotraqueal

Entubação Orotraqueal

É a via de entubação traqueal preferencial em qualquer doente. É tecnicamente mais fácil permitindo a colocação de um tubo de maior calibre do que na entubação nasotraqueal. Deve haver algum cuidado na entubação de casos de epiglotite, instabilidade atlantoaxial, traumatismo maxilofacial severo e lesão da coluna cervical.

meditacao respiracao 180x180 - Respiração

Respiração

É o ponto B do suporte básico de vida. Através da inspeção, da palpação e da auscultação é fundamental garantir que o doente respira ativamente. Caso o faça deve-se fornecer oxigénio suplementar e manter a vigilância da patência da via aérea. Em qualquer dificuldade respiratória ou em presença de um doente inconsciente deve-se assegurar uma via aérea definitiva através da entubação traqueal.
Enquanto tal medida não é conseguida deve-se fornecer ventilação assistida através de:
– Respiração boca a boca.
– Ambu – este dispositivo administra ventilação através de uma máscara facial que deve estar bem adaptada e conecta a uma fonte de oxigénio de alto fluxo com um débito igual ou superior a 15 L/minuto. A eficiência deste método ventilatório de recurso pode ser aferida através da inspeção do tórax ou auscultação pulmonar ou ainda através de oximetria transcutânea. Idealmente este procedimento é efetuado por duas pessoas uma das quais garante uma boa adaptação da máscara à face enquanto a outra manobra o balão e mantém a rectificação da via aérea.
Enquanto se ventila desta maneira o doente, é importante ter o equipamento de aspiração pronto e utilizável de forma a aspirar eventuais secreções da orofaringe, sangue ou regurgitação de conteúdo gástrico. O risco de aspiração de conteúdo gástrico é minimizado mantendo o doente em posição de Trendelenburg. Todo o equipamento necessário para obter uma via aérea definitiva deve estar facilmente disponível.
A administração de oxigénio pode ser feita através de cateter nasal, máscara simples ou máscara de Venturi (existem vários tipos destas máscaras fornecendo FiO2 diferentes em função do débito de oxigénio fornecido – 24%, 28%, 31%, 35% e 50%) nos doentes em respiração espontânea. Nos doentes sob ventilação assistida com Ambu, a fonte de oxigénio está diretamente conectada ao dispositivo com o fluxo máximo disponível. Antes de tentar uma via aérea definitiva é importante pré-oxigenar de forma a possibilitar uma saturação de oxigénio arterial que permita tolerar eventuais dificuldades na entubação.
Se possível, o doente deve estar monitorizado e todas as disfunções cardiocirculatórias são avaliadas e tratadas simultaneamente, designadamente as manobras de restabelecimento da circulação através de massagem cardíaca externa naqueles doentes em que se documente ausência de pulso.
—> Máscara laríngea – é um dispositivo que permite ventilação assistida de uma forma mais fácil, não exigindo treino na entubação traqueal nem laringoscopia direta. Foi desenvolvida para servir como alternativa nos casos de entubação difícil. Trata-se de um tubo de grande calibre que termina numa máscara insuflável que se adapta perfeitamente à hipofaringe, ocluindo o esófago permitindo a ventilação pulmonar sem fuga de ar para o estômago. Existem outros dispositivos relacionados mas este é, talvez, o mais difundido entre nós. O seu uso deve ser monitorizado, preferencialmente através de capnografia.
A máscara laríngea tem de ser encarada como um método de recurso dado que não permite a aspiração da hipofaringe nem impede a aspiração de conteúdo gástrico.