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disseccao arteria epigastrica inferior 180x180 - Revascularização Miocárdica

Revascularização Miocárdica

Vários fatores influenciam a indicação para revascularização miocárdica na AE. A resposta ao tratamento médico, a morfologia coronária, a função ventricular esquerda, a evidência de isquemia do miocárdio, bem como a sua gravidade, são determinantes na decisão. Outros fatores, como a idade, a existência de patologias associadas, a atividade que o paciente pretende ter ou a limitação que aceita, também podem influenciar. A ICP tem expandido as suas indicações, particularmente nos últimos anos em que surgiram os stents com fármaco, reduzindo a taxa de reestenose. Inicialmente limitada à doença de um vaso, depois de dois e três vasos, é agora também utilizada para tratamento de estenoses complexas e para alguns casos de estenose do tronco comum. Quando indicada a revascularização, a opção entre a ICP e a cirurgia é determinada pela localização e morfologia das lesões, pela qualidade dos vasos distais, pela função ventricular esquerda, pelo risco/benefício relativo de cada uma das intervenções, e até mesmo pela experiência das equipas.
Recomendações para revascularização para melhorar o prognóstico em doentes com AE:

Classe I (há evidência e/ou acordo geral que um dado procedimento ou tratamento é benéfico, útil e eficaz):
• Cirurgia coronária para a doença significativa do tronco comum ou equivalente
(estenose grave ostial ou do segmento proximal das artérias descendente anterior e circunflexa) (nível de evidência A).
• Cirurgia coronária para estenoses proximais significativas dos três vasos, particularmente quando a função sistólica do ventrículo esquerdo é anormal, ou com isquemia reversível precoce ou extensa nos testes funcionais (nível de evidência A).
• Cirurgia coronária para doença de um ou dois vasos com grau de estenose elevado da artéria descendente anterior proximal com isquemia reversível nos testes não invasivos (nível de evidência A).
• Cirurgia coronária para doença significativa com disfunção ventricular esquerda e viabilidade demonstrada por testes não invasivos (nível de evidência C).
Classe lia (evidência conflituosa e/ou divergência sobre a utilidade/eficácia de um dado procedimento ou tratamento, mas em que o peso da evidência/opinião é a favor de ser útil e eficaz):
• Cirurgia coronária para doença de um ou dois vasos, sem doença significativa da artéria descendente anterior proximal, em doentes que sobreviveram a morte súbita ou a taquicardia ventricular sustida (nível de evidência B).
• Cirurgia coronária para doença significativa de três vasos em diabéticos com isquemia reversível nos testes funcionais (nível de evidência C).
• ICP ou cirurgia coronária para doentes com isquemia reversível nos testes funcionais e evidência de episódios frequentes de isquemia durante as atividades diárias.
Recomendações para revascularização para melhorar sintomas em doentes com AE:
Classe I (há evidência e/ou acordo geral que um dado procedimento ou tratamento é benéfico, útil e eficaz):
• Cirurgia coronária para doença multivaso tecnicamente adequada para cirurgia em doentes com sintomas moderados ou graves não controlados com a terapêutica médica, quando o risco da cirurgia não supera o potencial benefício (nível de evidência A).
• ICP para doença de um vaso tecnicamente exequível em doentes com sintomas moderados a graves não controlados com terapêutica médica, quando o risco do procedimento não supera o potencial benefício (nível de evidência A).
ICP para doença multivaso sem anatomia de elevado risco, em doentes com sintomas moderados a graves não controlados com a terapêutica médica, e quando o risco do procedimento não é maior que o potencial benefício (nível de evidência A).
Classe IIa:
• ICP para doença de um vaso tecnicamente exequível em doentes com sintomas ligeiros a moderados, não aceitáveis para o doente, quando o risco do procedimento não supera o potencial benefício (nível de evidência A).
• Cirurgia coronária para doença de um vaso tecnicamente exequível, em doentes com sintomas moderados a graves não controlados com a terapêutica médica, e quando o risco da cirurgia não é superior ao potencial benefício (nível de evidência A).
• Cirurgia coronária em doença multivaso tecnicamente exequível em sintomas ligeiros a moderados, não aceitáveis para o doente, e quando o risco da cirurgia não supera o potencial benefício (nível de evidência A).
• ICP para doença multivaso tecnicamente exequível em doentes com sintomas ligeiros a moderados, não aceitáveis para o doente, e quando o risco do procedimento não supera o potencial benefício (nível de evidência A).
Classe IIb (há divergência e a utilidade/eficácia é menos bem estabelecida pela evidência/opinião):
• Cirurgia coronária em doença de um vaso tecnicamente exequível em doentes com sintomas ligeiros a moderados, não aceitáveis para o doente, quando o risco da cirurgia não é maior que a mortalidade anual estimada (nível de evidência B).