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Ingestão de sumos e frutas

A conversão do ascorbato em oxalato é a razão que fundamenta a proibição de grandes administrações de vitamina C. Na literatura, no que concerne à litíase cálcica, os resultados apresentados são contraditórios. O consenso geral tirado de trabalhos recentes é o de que uma dose diária que não ultrapasse os 2,5 g de vitamina C não parece influenciar a formação de cálculos de oxalato de cálcio.
Em geral, o doente litiásico come pouca fruta e muitas vezes prefere os sumos naturais ou enlatados como substituto. Importa pontuar que há vantagens em consumir fruta, de preferência com casca para aumentar o consumo diário de fibra. Para além disso, na fruta encontramos sódio, cálcio, magnésio e muitas vezes oxalato. E se o magnésio é benéfico, como potente inibidor da cristalização, o mesmo não podemos dizer do oxalato, mas a quantidade de fibra existente minimiza o risco, controlando a sua biodisponibilidade na maior parte dos casos.
Frutos há, no entanto, que contêm grandes quantidades de oxalato na sua composição e que podem provocar hipoxalúria importante, como acontece por exemplo com os morangos. A sua proibição só deve ser encarada se da história se tirar a informação que são consumidos em altas doses, e diariamente, caso contrário deve apenas ser dado conhecimento ao doente do risco para que este modere o seu uso. Outros alimentos são ricos em potássio e citratos, embora possam também conter oxalatos. A subida do pH conseguida e a presença de potássio e ácido cítrico são de tal forma benéficas que não nos devemos preocupar demasiadamente com o oxalato presente. Estão, neste caso, os citrinos, com exceção das toranjas. O seu consumo tem um efeito benéfico nos doentes formadores cie cálculos, um efeito muito igual ao conseguido na clínica com a administração de citrato de potássio. Os citrinos contêm igualmente cálcio e vitamina C e oxalato. No entanto, o valor destes, quando quantificado na urina, não tem significado para consumos diários normais (um litro de sumo de laranja tem menos de 500 mg de vitamina C, aproximadamente 100 mg de cálcio e menos de 20 mg de oxalato). A vitamina C, sendo um substrato para a formação de oxalato, não chega a ser prejudicial nestas quantidades, pois o benefício do citrato presente compensa largamente potenciais efeitos nocivos. Podemos, portanto, concluir que o consumo é benéfico para o doente litiásico. O consumo preferencial de citrinos deve ser encorajado pois seguramente obteremos um efeito antilitiásico semelhante ao conseguido com a terapêutica do citrato de potássio. Não defendemos o uso de sumos enlatados porque a sua riqueza em oxalatos aumenta não só pelo sumo em si, mas muitas vezes pelos aditivos presentes na sua composição, os quais merecem uma referência detalhada, mais à frente.

inibidores de agregacao plaquetaria oral 1024x1024 180x180 - Hipocoagulação oral (Terapêutica Hipocoagulante)

Hipocoagulação oral (Terapêutica Hipocoagulante)

Os anticoagulantes orais, conhecidos como cumarínicos, inativam a vitamina K nos microssomas hepáticos, interferindo com a formação dos fatores de coagulação dependentes desta vitamina, nomeadamente com a protrombina. São necessários 2 a 7 dias para o seu início de ação após a toma.
Os maiores riscos associados a estes fármacos resultam de valores terapêuticos inadequados, podendo conduzir a complicações tromboembólicas ou hemorrágicas.
A sua monitorização deve ser efetuada através do INR (international normalized ratio), que é um valor de longe mais sensível do que o da taxa de protrombina.
Além de uma monitorização cuidadosa através do valor do INR, aspetos importantes a ter em conta são:
— Interações medicamentosas (muito frequentes com este grupo de fármacos).
— Existência de patologia associada que deva implicar uma adaptação da dose do fármaco (insuficiência hepática, insuficiência renal, disfunção tiroideia).
— Outros fatores (idade, aspetos dietéticos).
A segurança da hipocoagulação oral passa pela educação do doente, explicando os valores de INR pretendidos, cuidados a observar, e chamando a atenção para as interações medicamentosas (a regra mais segura será não tomar fármacos sem consultar o médico assistente).

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SOBREDOSAGEM (Terapêutica Hipocoagulante)

A atitude perante valores de INR elevados e/ou manifestações hemorrágicas varia consoante a gravidade do quadro. É sempre essencial procurar a causa do desequilíbrio (nomeadamente interações medicamentosas) e, em caso de manifestação hemorrágica, ponderar investigar a patologia subjacente.
Assim:
– Valores elevados de INR, sem manifestação hemorrágica – suspensão transitória e adaptação da dose.
– Hemorragias minor – suspensão e adaptação da dose.
– Hemorragias graves – internar; vitamina K e.v. 1-10 mg e eventualmente plasma. A vitamina K reverte parcialmente o efeito hipocoagulante às 6 horas.
É importante recordar que doses de vitamina K superiores a 5 mg podem tornar o doente refratário ao efeito de hipocoagulantes orais até 1 semana, pelo que a sua reintrodução deverá ser feita em sobreposição com heparina, com rigoroso controlo do INR.

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Doença Hepática

Todos os factores da coagulação, excepto o factor von Willebrand, são produzidos no fígado; todas as formas de doença hepática grave podem acompanhar-se de alterações da coagulação. O uso de vitamina K pode ser parcialmente eficaz se a capacidade sintética do fígado estiver muito alterada; nesse caso, de novo o PFC é a solução mais imediata para correcção. Se há diminuição acentuada de fibrinogénio ou plaquetas, o uso de crioprecipitado (cerca de 1,5 unidades por 10 kg de peso) ou de concentrado de plaquetas (cerca de 1 unidade por 10 kg) pode estar indicado.

vitamina k1 1 180x180 - Deficiência de Vitamina K

Deficiência de Vitamina K

Geralmente é causada por mal-absorção ou ingestão escassa; a vitamina K é necessária para a síntese pelos hepatócitos dos factores II, VII, IX e X (e das proteínas C e S).
O tratamento com vitamina K pode ser feito por via oral, subcutânea ou e.v. (mas há risco de anafilaxia) e o seu benefício na melhoria da coagulação é obtido em 12 a 48 horas. Se há manifestações hemorrágicas ou o doente tem de ser submetido a procedimento invasivo, deverá ser feita transfusão de plasma fresco congelado (PFC) – cerca de 400 a 600 ml, duas a três unidades.

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Classificação (Hemorragia e Trombose)

As doenças das plaquetas foram já abordadas, pelo que nos referimos apenas às doenças dos factores da coagulação geradoras de hemorragia ou trombose.
– Doenças hemorrágicas hereditárias – hemofilia, doença de von Willebrand, outros défices de factores (não serão discutidos).
– Doenças hemorrágicas adquiridas – associadas a défice de vitamina K, doença hepática, coagulação intravascular disseminada, inibidores adquiridos de factores.
– Doenças tromboembólicas – incluem-se causas hereditárias (por exemplo, Factor V Leiden, mutação no gene da protrombina G20210A, deficiência de proteína S, C e antitrombina III)) e adquiridas (por exemplo, síndrome antifosfolipídica, hemoglobinúria paroxística nocturna, doenças mieloproliferativas).

macrocitosis 180x180 - Etiologia (Anemia Megaloblástica)

Etiologia (Anemia Megaloblástica)

– Deficiência de ácido fólico – por diminuição de ingestão (alcoolismo), mal-absorção, necessidades aumentadas (hemólise, gravidez), efeito de fármacos; pode instalar-se em semanas a meses.
– Deficiência de vitamina B12 – por diminuição de ingestão, consumo por parasitas ou infecção intestinal, insuficiência pancreática, gastrectomia, ileíte/ressecção intestinal, anemia perniciosa (a mais importante); geralmente demora anos na sua instalação.

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Anemia Megaloblástica

Anemia causada por anomalia na síntese de DNA, em resultado de défice de vitamina B12 ou ácido fólico, caracterizada por alteração morfológica das células hematopoiéticas e de células de divisão rápida.

Abdomen definition meaning what is it dictionary 180x180 - Abdómen e Pélvis (Complicações da RT)

Abdómen e Pélvis (Complicações da RT)

A irradiação de vísceras ocas é aquela que gera uma maior quantidade de sintomas mal tolerados, sendo o risco maior em zonas de fixação de ansas intestinais, principalmente de intestino delgado. Isto acontece porque, sendo a acção das radiações proporcional à dose absorvida, qualquer órgão que se possa movimentar, e eventualmente deslocar-se para fora do campo de tratamento, está menos sujeito a evidenciar essas lesões.
Os sintomas vão desde as náuseas e vómitos iniciais, de maior ou menor intensidade, até à diarreia mais ou menos intensa. No tratamento da diarreia, é habitualmente empregue a loperamida com eficácia. As náuseas e vómitos são facilmente controlados com os procinéticos do tipo da metoclopramida. A irradiação da ampola rectal pode levar ao aparecimento de tenesmo rectal, embora com pouca frequência, podendo obter-se alívio local empregando enemas com corticóide.
Durante o tratamento de tumores pélvicos pode ainda ocorrer uma sintomatologia típica de cistite. Todos os sinais e sintomas descritos pelo doente são sobreponíveis aos de uma cistite infecciosa, no entanto a análise microbiológica da urina raramente tem critérios de infecção. A irradiação provoca uma lesão no urotélio, em tudo idêntica à devida a uma sobrepopulação bacteriana, donde a semelhança do quadro. O tratamento das situações mais avançadas inclui a hidratação e eventual acidificação da urina, através da administração da vitamina C.
Curiosamente a administração de antibióticos, como numa cistite infecciosa, é eficaz no alívio desta situação, suportando a hipótese de a sintomatologia se dever à acção da população bacteriana da bexiga, pela descida relativa do seu limiar infeccioso (habitualmente estabelecido numa concentração de 100000 bactérias por mm3) condicionado por uma mucosa fragilizada.

alimentos vitaminas imunidade 180x180 - Suplementos de cálcio e vitamina D (Osteoporose)

Suplementos de cálcio e vitamina D (Osteoporose)

– Suplementos de cálcio e vitamina D
Os sais de cálcio e a vitamina D dados de forma isolada apenas demonstraram ser eficazes na redução de fracturas em populações idosas, institucionalizadas e com deficiências alimentares em cálcio e vitamina D.
No entanto, todos os ensaios com os fármacos referidos foram feitos com utilização simultânea de cálcio e vitamina D, pelo que se considera que o mesmo deve ser feito na prática clínica diária.
A suplementação com cálcio e vitamina D em populações com mais de 65 anos é também recomendada como boa prática clínica e está normalizada pela DGS.
Existem vários sais de cálcio (carbonato, gluconato, citrato, etc.) com biodisponibilidades diferentes. Na sua maioria os produtos comercializados são misturas de vários sais, com 500 mg de cálcio elemento. A dose a utilizar deve complementar a dieta, de forma a atingir as necessidades diárias recomendadas.
Caso exista uma história de litíase renal, a suplementação de cálcio não está contra-indicada. mas deve ser feita a vigilância da calciúria de 24 horas e preferido o citrato de cálcio. A monitorização da calciúria de 24 horas, para prevenção da nefrolitíase, deve também ser feita em indivíduos muito sedentários.
O calcitriol, metabolito activo da vitamina D, não tem eficácia antifracturária demonstrada e deve ser utilizado apenas nos doentes com OP e insuficiência renal crónica.