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Tratamento (Vitiligo)

A procura de tratamento por parte dos doentes é geralmente motivada por preocupações estéticas, embora nalguns casos seja feita pela ocorrência de queimaduras solares nas áreas amelanóticas. Em muitos casos o doente pode ser somente aconselhado a fazer a protecção solar e a camuflagem das lesões das áreas expostas, estando os tratamentos activos indicados sobretudo nos doentes com desfiguramento cosmético e com repercussões psicológicas. Deve-se também ter em consideração que, particularmente nos doentes com fototipos V e VI (mais pigmentados), o vitiligo pode ser bastante desfigurante e que, nalgumas culturas, estes doentes podem ser alvo de discriminação.
As áreas que respondem melhor são a face e o tronco. São os melanócitos que persistem no epitélio folicular que se movem para repovoar a pele envolvida. Pelo contrário, as extremidades, em especial as mãos, respondem habitualmente mal aos tratamentos.
O método terapêutico deve levar em consideração a idade do doente, as áreas envolvidas e a extensão da doença.
—> Protecção solar e camuflagem – recomenda-se a aplicação de protectores solares com índice de protecção igual ou superior a 15 sobre as lesões localizadas em áreas fotoexpostas, de forma a prevenir as queimaduras solares e a minimizar as alterações actínicas crónicas. A pele circundante deve também ser protegida, no sentido de diminuir o contraste entre a pele afectada e a normalmente pigmentada. Existem protectores solares com cor, que podem ser úteis na camuflagem do vitiligo. A camuflagem pode ser feita, também, com cosméticos contendo corantes de anilina e com os chamados “autobronzeadores” (bronzeadores sem Sol), mas tendo em atenção que estes não conferem protecção solar.
– Corticoterapia tópica – os corticosteróides tópicos podem ser eficazes na repigmentação de lesões em fase inicial e em formas de vitiligo localizado ou segmentar, particularmente nas crianças. Devem-se utilizar corticosteróides potentes, 1xdia, e durante um período máximo de 1 mês, que podem ser repetidos. Os efeitos acessórios da corticoterapia tópica, em especial a atrofia cutânea, limitam a sua utilização, nomeadamente na face, nas pálpebras e nas áreas intertriginosas, pelo que, nestas áreas devem ser escolhidos corticosteróides menos potentes.
– Inibidores da calcineurina (ver “Eczema Atópico”) – o tacrolimus e o pimecrolimus têm mostrado alguma acção repigmentante, sobretudo ao nível da face. Têm a vantagem sobre os corticosteróides de não provocarem atrofia cutânea e de poderem ser utilizados por períodos mais prolongados. A associação (aplicação alternada) com os corticosteróides parece ter efeito superior, bem como a associação com a fototerapia.
– Fototerapia – a fototerapia pode ser feita em diversos esquemas: fotoquimioterapia (PUVA) oral ou tópica, fototerapia com UVB de banda estreita (ver psoríase) ou laser de excímero de 308 nm. A fotoquimioterapia oral ou com UVB é reservada para vitiligos extensos, enquanto nas formas relativamente limitadas é preferível a utilização da fotoquimioterapia tópica ou o laser de excímero.
O êxito terapêutico com qualquer uma destas modalidades é muito variável, exige períodos prolongados de tratamento (meses) e só é possível em serviços com disponibilidade de equipamento para tal.

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Vitiligo

O vitiligo é uma afecção adquirida, caracterizada pelo aparecimento de máculas cutâneas brancas, amelanóticas, isto é, desprovidas de melanócitos e de actividade tirosinástica. Afecta cerca de 1% da população, ocorrendo em ambos os sexos, em todas as raças e em qualquer idade. Em cerca de um terço dos doentes com vitiligo há história familiar da doença. A herança pode ser autossómica dominante com penetrância variável ou poligénica.
A patogénese do vitiligo não está completamente esclarecida, mas a teoria auto-imune é, actualmente, a mais aceite. Sabe-se que ocorre uma destruição selectiva dos melanócitos nas máculas despigmentadas, e que na base desta destruição há a participação de diversos mecanismos, que poderão actuar independente ou sinergisticamente. Em apoio da teoria auto-imune está o facto de ser maior a incidência de outras doenças auto-imunes, como a alopecia areata, tiroidite, anemia perniciosa, diabetes mellitus, doença de Addison, miastenia gravis, nos doentes com vitiligo.
A despigmentação ocorre em três padrões tipo. O tipo focal, caracterizado por uma ou por várias máculas ocorrendo num único local; pode corresponder nalguns casos a uma fase precoce dos outros tipos. O tipo segmentar em que as máculas se distribuem em banda unilateralmente num dos lados do corpo. O tipo generalizado, o mais frequente, em que as máculas se generalizam ao tegumento cutâneo, geralmente com distribuição simétrica e em volta de orifícios (lábios, olhos, área anogenital), sobre proeminências ósseas como os punhos, joelhos, articulações tibiotársicas e nos dedos. Se extenso, este tipo de vitiligo pode deixar apenas poucas áreas de pele normalmente pigmentada, sendo referido como vitiligo universalis.
A evolução da doença é impredizível. Na maioria dos casos as lesões permanecem estáveis durante anos (a maioria dos vitiligos segmentares), mas noutros casos podem aumentar de tamanho, enquanto novas lesões surgem e envolvem grandes áreas da superfície cutânea (a maioria dos vitiligos não segmentares). Em 10-20% dos doentes pode ocorrer repigmentação espontânea, particularmente em áreas expostas ao Sol.