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Na prática clínica aparecem dois tipos de doentes que nos obrigam a considerar mais do que uma opção terapêutica – os formadores de um só cálculo ou de vários cálculos, com maior ou menor intervalo entre as recidivas. Teoricamente não é possível saber quando o formador do 1.° cálculo fará o 2º.
Depois de feita a história clínica e o estudo metabólico, para classificar o tipo de litíase ou excluir doenças por ela responsáveis, o médico deve sempre tentar em primeiro lugar medidas preventivas e só depois terapêuticas conservadoras. O tratamento farmacológico, não isento de efeitos secundários, deve iniciar-se só depois de se ter provado que as medidas profilácticas, dirigidas para a correção dos desvios alimentares e a ingestão de líquidos em abundância, falharam. Isto é defensável, porque esta terapêutica, ao ser iniciada, pode ter que ser continuada por muitos anos. Nas últimas décadas no nosso país, como no resto dos países industrializados, temos vindo a assistir a um aumento da prevalência de litíase e alteração dos rácios no que concerne ao género e também a uma alteração nos padrões da composição dos cálculos encontrados.
A litíase oxalo-fosfocálcica tornou-se, de longe, o padrão mais frequente, variando nos vários países da Europa entre os 70 e os 80% dos cálculos analisados. Assistimos a uma diminuição dos cálculos de fosfato de amónio e magnésio, os chamados cálculos de struvite ou de infeção, que em Portugal apareciam em cerca de 14% dos casos em 1975, para rondarem os 4% em 1996 e 2,6% em 2007. Os cálculos de cistina não chegam a 1% e os de ácido úrico rondam os 8% atualmente, quando no passado (1975) chegavam aos 19%. Estes dados realçam a importância da litíase cálcica, quer no género feminino quer no género masculino, num país em que os dados epidemiológicos de que dispomos nos mostram que a prevalência é quase idêntica nos dois géneros, se não estratificarmos a amostra por grupo etário, e ronda os 7,2%, ou seja. 7200 por 100000 habitantes.
Em Portugal, esta tendência de igualdade entre géneros começou a notar-se por volta da década de 1970 e tem continuado. Curiosamente só mais tarde o mesmo fenómeno começou a aparecer ou melhor a ser descrito noutros países europeus. Na prática clínica aparecem dois tipos de doentes que, de uma forma geral, nos podem orientar para uma atitude terapêutica – os formadores de um só cálculo até ao momento e os formadores de vários cálculos com maior ou menor intervalo entre as recidivas. Teoricamente não é possível saber quando o formador do 1.° cálculo fará o 2.° e, portanto, passará a pertencer ao último grupo. Depois de feita a história clínica e o estudo metabólico, para classificar o tipo de litíase ou excluir doenças por ela responsáveis, o médico deve sempre tentar em primeiro lugar ver se é possível diminuir o risco, recorrendo a medidas preventivas, sem necessidade de fármacos. Salienta-se que a realização do estudo metabólico deve ser feita com o doente em ambulatório, com o doente a desenvolver a sua atividade habitual. Só muito raramente será necessário recorrer ao internamento ou a unidades especiais. Os estudos bioquímicos devem obedecer a uma metodologia rigorosa para a recolha das amostras e mais ainda a recolha da urina para as determinações de 24 horas ou das provas especiais de sobrecarga. Igualmente deve ser alertado o doente para não escolher os fins-de-semana para a recolha de urina, pois raramente o domingo corresponde a um dia de vida normal no que concerne à atividade física ou ao hábito alimentar.

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